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Gírias capixabas: da boca do povo para as redes sociais

Com o avanço da tecnologia, da internet e com o fenômeno das redes sociais, algumas gírias capixabas ganharam espaço e foram divulgadas cada vez mais pela Grande Rede.

TOXO

Em Guarapari é comum ouvir a expressão “Iá”, quando um nativo se surpreende com algo, ou tchô, que é uma expressão de indiferença, quando não se dá importância a algo ou alguém, porém a palavra toxo, que é uma negativa, tem ganhado as redes sociais nessa onda de manifesto e apesar de antiga, está na moda.

 O “toxo”, é uma expressão muita usada na cidade, como se fosse uma negativa, interjeição de repulsa ou até mesmo xingamento, para aquilo que a pessoa acredita não estar correto, defendeu o historiador José Amaral Fernandes Filho,41, que nasceu em Guarapari e cresceu ouvindo essa expressão.

Amaral é um dos autores do projeto “Tribuna do Toxo”, porém quem desenterrou a ideia, foi a atriz e produtora cultural Priscilla Arranz,34 anos que é carioca, mas já se acostumou com as expressões faladas na cidade saúde.   “A ideia da “Tribuna do Toxo” veio de um programa do qual eu era apresentadora, só que o projeto nunca havia ido ao ar, porém com as manifestações que tomaram o Brasil, o Estado e Guarapari, achamos que era a hora do povo expressar o seu toxo”, comentou Priscilla.

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Cora, Priscila e Amaral, equipe da Tribuna do Toxo. Foto Bruno Zancheta.

 Segundo ela, com três idas a manifestos, foram gravados os depoimentos das pessoas, postados na rede social e no Portal 27 e projeto teve adesão de centenas de pessoas. Veja o video

Agora “A Tribuna do Toxo” conta também com o apoio da roteirista Cora Made, que Fez uma página no Facebook e a proposta é que a expressão seja nacionalizada. “Queremos que as pessoas gravem seu protesto em casa e postem na página do toxo, assim tornaremos a expressão conhecida e faremos uma mobilização legítima do povo”, comentou Cora.

O presidente do Instituto Histórico de Piúma, Cristiano Bodart, observou que algumas expressões de Piúma se repetem em Anchieta e Guarapari e assim sucessiva-mente. “Existe uma briga, pois as pessoas de Guarapari dizem que o ‘toxo’ surgiu lá e os moradores de Piúma, que foi aqui”, salientou

Piúma

Em Piúma ao pedir informação para um nativo, cuidado para não se confundir. Quando disserem que o local é “oh perto” querem dizer que é longe. E se disserem que fica “oh longe”, na realidade é perto.

Baseada nessa e em outras gírias, que o músico piumense, Leandro Ferreira, 40 anos, conhecido por Berola, reuniu as gírias mais faladas na cidade, juntou a rimas acrescentada de muita criatividade e compôs a música “as gírias de Piúma”.

“Após conversar com várias pessoas, eu vi que agente falava com um sotaque diferente. Eu fui notando que essas gírias são características daqui e resolvi juntar tudo numa música, porém aproveitei para contar um pouco sobre a história de Piúma”, comentou Leandro.

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Berola fez uma música com a gírias de Piúma. Foto Wilcler Lopes

A proposta do músico, que atualmente trabalha fazendo placas publicitárias, é elaborar um clipe ilustrando a música. Embora a gravação já esteja na internet.

Um trecho da música é assim, “a gíria de Piúma que você não conheceu, tem tru, tem du gás, cavalão, tem museu, beiço de salame poca quando toma uma, isso é gíria de Piúma. Ô cheio que hoje vai dar quadra, e a maré não melhorou nada, e a raça toda tá de capa, tá doido que galera safa, na praia é só pelada zarra, que cavalada braba…”

O próprio músico reconhece que para interpretar a música é necessário a ajuda de um nativo. Já o doutorando em sociologia, Cristiano Bodart vai além, segundo ele tais palavras podem variar de sentido de acordo com a frase e a entonação da voz. E acrescenta que tais expressões tem mais sentido na forma falada.

Confira a música Gírias de Piúma

 

Curiosidades/Significados das gírias

Guarapari

“Iá” – usado quando a pessoa se surpreende

“Tchô” – usado quando está indiferente

“Zarreza” – pessoa que faz bobagem, desajeitada

“Gastura” – incômodo

“Pocar”– estourar

“Toxo” – negativa, repulsa, repugnação a algo – Há moradores antigos que dizem que a expressão surgiu quando um certo morador,envolveu-se em situação vexatória ao ser preso com certa quantidade de TÓXICO (palavra até então desconhecida da população).

Na época era coisa rara e nem considerado tão marginalizador. De tóxico para toxo, foi um pulo. Comentava-se que o tal fulano foi preso por causa de toxo.Caiu na graça do povo, para tudo que não compreendia e aceitava e usava o toxo.

 Fonte> Historiador José Amaral Fernandes Filho / Moradores da cidade

 Piúma

“oh raio” = caramba, usado quando assustado com alguma coisa que surpreende.

“Adúido” = o mesmo que “está doido”, está maluco;

“Pocou” = se deu bem. Exemplo: João “pocou” no jogo de bicho

“passou raspando” = passou longe

“Passou perto” = Passou longe

“oh muito” = pouco

“oh pouco” = muito

“oh longe” = perto

“oh perto” = longe

“até o pé” = fazendo sexo

“cavalada zarra” = rapaziada desajeitada;

“oh péle” = caramba

“museu” = mulher feia e/ou velha

“o cheio que hoje vai dá quadra” = não será um bom dia para conquistar uma mulher, ficará sozinho;

“zarra” ou “zarro” = desajeitado(a)

“Pessoa safa” = pessoa cheia de jogo cintura, desenrolado, pessoa que se vira bem com as coisas.

“como vai a maré?” = como vai a vida, ou as coisas da vida

“coisa di linda” = coisa linda

“safá maré” = se dar bem

“bacanagem” = feio

“adinho de você” = usado para dizer que a pessoa vai se dar mal. Exemplo: se mexer comigo, “adinho de você”.

“Capa” = usado para designar a roupa no seguinte contexto: um amigo diz para o outro antes de ir para a festa: que capa zarra é essa? em outras palavras: que roupa esquisita é essa.

“passou raspando” = também pode ser usado como “errou muito”. Exemplo: Quanto a minha idade, passou raspando. Nesse caso a pessoa teria errado bastante, passado longe da idade da pessoa.

Fonte> Cristiano Bodart, doutorando em Sociologia/USP / Instituto Histórico de Piúma/IHGP

Por Rosimara Marinho