TODOS A VER NAVIOS

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Porto da Samarco - Ubu - Anchieta - ES Foto: © Marcelo Moryan
Porto da Samarco – Ubu – Anchieta – ES
Foto: © Marcelo Moryan

RESUMINDO O CAOS DA LAMA

Breve, muito breve, brevíssimo, toda a cadeia de trabalho, credores e acionistas da SAMARCO, segundo a Standard and Poor’s, podem ficar a ver navios – não navios de minério, mas de CALOTE. Isso porque a agência de risco rebaixou a nota da empresa de “CCC” para D, a última instância do lodo, antes de chegar no fundo do poço. Mas sejamos honestos: Ninguém ainda conseguiu a fórmula mágica de como plantar dinheiro, é preciso trabalhar para gerar receitas e honrar seus compromissos, certo?

COLOCANDO OS PINGOS NOS “IS”

Imagine que Mariana, cidade mineira conhecida mundialmente pela catástrofe da Samarco, ficasse no Japão – E aí, o que você acha que teria acontecido? A sua ou a minha imaginação pode visualizar vários cenários: desde o cumprimento de regras ambientais rígidas à fiscalização com tolerância zero, mas em nenhuma hipótese, dada a importância econômica da empresa, haveríamos de fazer a pergunta:

A SAMARCO deve ou não retomar as suas atividades?

Caso por desaviso a pergunta fosse feita, receberia um sonoro SIM. Sabe por quê? A resposta parece simples, mas demanda grande aprendizado cultural – Lá o que se escreve ou fala em 99% das vezes é cumprido. Para se ter uma ideia de como a vergonha na cara tem peso diferente na terra do sol nascente – uma simples denúncia de nepotismo é capaz de provocar renúncias e pedidos públicos de desculpas.

Conscientes de que a pergunta acima está errada, então a pergunta Tupiniquim que devemos fazer é:

Quão estamos dispostos, empresa e sociedade, em arcarmos com nossas devidas responsabilidades?

Em primeiro lugar, cabe à empresa transformar seu velho slogan “Desenvolvimento com envolvimento”, retirando dele todas as máscaras do marketing e dos sorrisos estampados nas mídias, transformando-o em elementos de segurança para as comunidades. Segundo Lindsay Newland, da consultoria americana Bowker Associates, a tragédia de Mariana é a maior do gênero em 100 anos em todo o planeta e tem triplo recorde – Vazamento de 60 milhões de metros cúbicos de lama, percurso atingindo de 600 km e o prejuízo, por baixo, de 5,2 bilhões de dólares. Portanto, o novo slogan deveria ser “Desenvolvimento com Segurança”.

Do outro lado, a sociedade, consoante com os órgãos governamentais, há de entender que patrocínios, ruas asfaltadas ou pequenas escolas construídas pela empresa, que em alguns casos soam como esmolas ou tapa buraco aos reais problemas, não podem servir de pretextos para se calar diante dos descasos detectados durante o processo de regularização das operações de mineração.

O que está em jogo a todo momento não deve ser exatamente se a décima maior exportadora do Brasil deve voltar a operar ou não – isto me parece óbvio, mas como pavimentar esse longo caminho de Confiança a ser construído de forma transparente.



O geofísico David Chambers, da mesma Bowker Associates, adverte: “Na pesquisa que fizemos, as companhias no final acabam não pagando o que precisariam pagar. Não há seguro para esse tipo de catástrofe, não há requisitos governamentais para isso em lugar algum. Os reguladores pensam que o desastre ocorrido é local, dizem que a lição foi aprendida e que isso não vai acontecer nunca mais. Não é verdade”.

Vejo que a tragédia significa para nós brasileiros um (sa) MARCO para aprimorar nossas relações culturais… de como podemos lidar com os nossos problemas de uma forma séria e coletiva, sem varrer para debaixo do tapete nossos elos com a corrupção ou o terrível e desastroso “FAZ DE CONTA”.

O Brasil não precisa virar um Japão, basta praticarmos o BRASIL do finado Deputado ULYSSES GUIMARÃES, Presidente da Assembleia Nacional Constituinte, que em 05 de outubro de 1988, por ocasião da promulgação da Constituição Federal disse:

“A vida pública brasileira será também fiscalizada pelos cidadãos. Do presidente da República ao prefeito, do senador ao vereador. A moral é o cerne da Pátria. A corrupção é o cupim da República. República suja pela corrupção impune tomba nas mãos de demagogos, que, a pretexto de salvá-la, a tiranizam. Não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube, eis o primeiro mandamento da moral pública”.

No fim, o Futuro é sempre o Presente de “SA”, SABEDORIA, e “MARCO”, uma nova chance para repensarmos nossos valores e de como lidamos com os nossos compromissos com o outro, afinal não existe vida fora do COLETIVO.

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6 Comentários

  1. Parabéns, Marcelo,você foi muito.feliz quando escreveu uma verdade tão grande sobre o que tem acontecido no nosso Brasil!Que os homens que governam este pais aprendam um pouco mais com um jovem como você!

  2. Realmente, temos que pensar em prevenção, fazer um trabalho sério é compromissado, com a sociedade e com o planeta. Aqui em nosso país, brincam de criar conselhos, normas, para fiscalizar, mas o jogo é o pensamento é só em proveito próprio.

  3. Parabéns MM, belíssima colocação.
    Afinal, impedir a retomada das atividades mineradoras da Samarco é jogar na lama (péssimo trocadilho, né) toda uma infraestrutura de primeira grandeza, passível de gerar inúmeras riquezas.
    A tragédia já ocorreu, os danos são uma realidade e precisam ser devidamente reparados. Como aprendizado, a certeza de que a fiscalização é responsabilidade de todos, principalmente do Estado, o maior responsável pela proteção da sua gente. Jamais deveria ser permitido que a própria Samarco fiscalizasse suas atividades. Isto deveria ser da responsabilidade exclusiva dos órgão reguladores estatais. E jamais dar à raposa o encargo de vigiar o galinheiro.
    Que a empresa retome suas atividades com máxima urgência, para beneficiar toda a sociedade ao seu entorno e reparar todos os danos causados por ela. E como MARCO do novo começo, acrescentaria uma palavrinha ao slogan, que passaria a ser “DESENVOLVIMENTO COM ENVOLVIMENTO, SEGURANÇA E RESPONSABILIDADE”.

  4. A fotografia do autor, reflete todo o drama vivido pela Samarco. Uma luz de esperança para todas as famílias prejudicadas!

  5. Caro Marcelo Moryan, houve quem afirmou que para se ganhar inimigos bastava falar a verdade. JESUS DE NAZARÉ se auto definiu “Eu sou a verdade”. Ulisses Guimarães falou frases verdadeiras.
    O primeiro foi crucificado. O segundo sofreu “acidente” mortal…. (sem comentários).
    Seu artigo está perfeito. Digno de uma manchete mundial.
    Desenvolvimento com RESPONSABILIDADE e tolerância zero com os “defeitos”, não é um SONHO IMPOSSIVEL, mas uma obrigação a cumprir.

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