Um acidente na madrugada do dia 08 de agosto de 2016 mudou completamente a vida do fiscal da vigilância sanitária Carlos Renato Magalhães Madeira. Um motorista não respeitou a placa de pare e bateu na lateral da moto em que Renato estava.

Socorrido para um hospital de Vila Velha, ele passou quatro meses internado e depois de sete cirurgias para reconstruir a perna esquerda, acabou adquirindo uma infecção no osso e teve que optar: continuar o tratamento contra a infecção, mas prejudicar seriamente os rins, ou amputar a perna.

Ele não pensou duas vezes, lembrando dos três filhos e esposa, mandou amputar a perna. A partir daí, mais uma mudança fundamental ocorreu para Renato.

O atleta paralímpico conquistou três medalhas no último fim de semana no Paraná. Foto: João Thomazelli/Portal 27

Sofrendo de um começo de depressão, já em casa Renato percebeu que não só ele era afetado pela amputação da perna, mas toda a família. “Minha esposa e filhos me chamavam para fazer as coisas e eu nunca queria. Minha vontade era apenas ficar em casa. Mas logo depois do Carnaval, vendo como minha atitude estava afetando a todos, resolvi voltar a praticar esportes”, relembra Renato.

Sem a perna esquerda, ele passou a praticar outros esportes (ele jogou vôlei durante anos), que eram compatíveis com a sua nova condição. E depois disso, os resultados começaram a aparecer. Com pouco tempo participando de competições, ele já começa a acumular medalhas no arremesso de dardo, disco e peso.

Renato em Maringá comemorando as medalhas conquistadas. Foto: divulgação

Os resultados mais recentes vieram neste fim de semana, quando o paratleta conquistou três medalhas de bronze nas três modalidades citadas acima nos Jogos Brasileiros Universitários, realizados na cidade paranaense de Maringá.

“Uma das vantagens do esporte paralímpico é que não tem idade. Hoje tenho 46 anos e estou me preparando para participar das seletivas do Panamericano”, conta empolgado.

Hoje cursando Educação Física, o paratleta conta que por causa da suas vitórias nas modalidades, já foi até convidado a dar palestras e se diz muito feliz com isso.

“Uma situação que a princípio seria restritiva, acabou se revelando uma nova forma de viver e poder compartilhar isso com crianças e de alguma forma poder inspirá-las é muito gratificante. Depois que perdi a perna passei a reparar a quantidade de pessoas na mesma situação que eu existem em Guarapari. Seria interessante para estas pessoas não se trancarem em casa. Saiam, pratiquem um esporte. Toda segunda-feira e quarta-feira à partir das 19 horas, no final da Praia de Santa Mônica, fazemos treinamento com crianças do bairro e quem quiser pode aparecer conversar. Quem sabe não começa a praticar um esporte?”, finalizou o atleta.

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