A Polícia Civil de Guarapari constatou desvio de combustível praticado entre funcionários da Secretaria Municipal de Saúde e frentistas dos postos credenciados, após a conclusão do inquérito instaurado em 2015, na Delegacia de Infrações Penais e Outras (DIPO).

Cerca de 40 pessoas, entre motoristas da Saúde e frentistas, foram ouvidas por investigadores e questionadas pelo delegado responsável. “As informações de abastecimento não condiziam com a quilometragem dos veículos. Nós identificamos que havia veículos que estavam parados e até quebrados na oficina, mas que havia o registro de abastecimento desses carros. A gasolina que em tese estava indo para os carros oficiais, não ficava no tanque desses veículos”, esclarece o delegado Franco Malini.

Gasolina
“O frentista abastecia outro carro que não era da secretaria, e ainda ganhava um trocado”, afirma uma testemunha.

Durante as investigações que duraram quase um ano, houve dificuldade de identificar o motorista e o frentista que abastecia. “Não foi possível identificar quem estava abastecendo e quem abasteceu os veículos. O sistema usado pela Secretaria apresenta falhas, já que até as assinaturas que deveriam ser cobradas se tratavam de rubricas”, explicou.

Delegado Franco Malini, titular da Deten de Guarapari. foto: João Thomazelli/Portal 27
Delegado Franco Malini, titular da Deten de Guarapari. Foto: João Thomazelli/Portal 27

Os combustíveis que “sumiam” dos tanques dos carros, ou que até mesmo nem chegavam a ser colocado nos veículos, eram vendidos. “A gasolina era colocada nos carros da Secretaria e depois o motorista tirava a gasolina de lá e vendia mais barato. Na verdade, o combustível saía de graça para esses motoristas e eles conseguiam vender para outras pessoas por alguns centavos mais baratos. Já os carros que estavam parados na oficina, os motoristas informavam apenas as placas para os frentistas e faziam acordos com eles: o frentista abastecia outro carro que não era da Secretaria, e ainda ganhava um trocado”, confessou um funcionário da Saúde que preferiu não ser identificado.

MP. A conclusão do inquérito foi encaminhada ao Ministério Público. Em nota, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça de Guarapari, informou que recebeu o inquérito policial. E caso constatadas irregularidades, serão tomadas as medidas cabíveis.

A prefeitura esclareceu que a denúncia partiu da própria Secretaria da Saúde, que iniciou uma auditoria interna ao identificar tais irregularidades. Tal auditoria gerou processo administrativo e denúncia à Polícia Civil. E o Município aguarda o desfecho das investigações.