Vencendo a barreira da tecnologia, há quem não abra mão de poder folhear o bom e velho livro. E em Guarapari, os amantes da literatura tem endereço certo para encontrar suas paixões. O tradicional Sebo Banca da Lua, segue firme, há 14 anos, como referência em literatura na cidade.

O proprietário da banca, Ricardo Moulin Pelisson, de 46 anos, não esperava que livros fossem se tornar um bom negócio. “Minha esposa era cliente da antiga dona e ficamos namorando por 2 anos a placa de ‘vende-se’, tomando coragem para comprar. Eu tinha medo, pela fama do brasileiro não ter o hábito da leitura, mas depois que eu comprei fiquei surpreso em como as pessoas buscam a literatura aqui na cidade”, diz.

Em Guarapari, os amantes da literatura tem endereço certo para encontrar suas paixões. Foto: Wilcler Carvalho/Portal27

No Sebo, Ricardo compra e vende livros usados, que vêm com histórias que vão além da literatura. “Uma vez um rapaz trouxe alguns exemplares para vender. Eu separei os que eram interessantes e não fiquei com um, que não estava em bom estado. Mas o rapaz, mesmo não eu tendo comprado, não quis leva-lo de volta para casa, e o deixou na banca. Levei ele para casa no meio dos outros e tive uma surpresa quando fui fazer a pesquisa. O livro que eu não quis compra por estar velho, era um exemplar de do século 19 e valia mais de mil reais”, relata o dono da banca.

Apaixonado por livros, ele conta que só não tem mais exemplares por falta de espaço. “Aqui o que mais temos são romances, livros religiosos, exotéricos e místicos. Temos quase todos os tipos. Só os acadêmicos que eu não coloco por falta de espaço, se não teríamos todos”, fala.

O tradicional Sebo Banca da Lua, segue firme, há 14 anos, como referência em literatura na cidade. Foto: Wilcler Carvalho/Portal27

Nesses anos com a banca aberta, vieram algumas livrarias para Guarapari, mas para ele a concorrência foi boa para seu negócio. “As pessoas pensam que com as livrarias eu vendo menos, mas é ao contrário. Com as livrarias as pessoas compraram os preços e eu vendo muito mais. Para mim essa concorrência é ótima”, afirma Ricardo.

Aline Mozert Ferreira, de 22 anos, trabalha na banca e é outra apaixonada pela leitura. Ela fala que o lugar tem algo de especial. “É incrível, aqui tem alguma coisa que quando vêm alguém procurando um livro que não tem, a pessoa vira as costas, e aparece alguém vendendo aquele livro. Parece mágica”, relata a jovem.

Aline fala que no tempo em que trabalha na banca já pôde presenciar boas histórias. “Uma moça veio procurando um livro da coleção Vagalume. Era um exemplar difícil de se encontrar. Mas ele tinha acabado de chegar. Naquele momento! E eu vi ela chorando na minha frente, porque conseguiu encontrá-lo. Ela disse que aquilo representava sua infância. Muita gente pensa que são só livros, mas é muito mais!É legal ver a dimensão eles tem na vida das pessoas”, conta Aline.

A banca da Lua, que tem esse nome para homenagear um antigo sebo de Guarapari, a Banca do Sol, já é tradicional na cidade. E já faz parte da paisagem de quem passa pela Rua Joaquim da Silva Lima.

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