A resposta para essa pergunta está no último parágrafo dessa peça. Conhecidas pelos pastéis e caldo-de-cana, as feiras livres concentram clientes de todas as idades e renda, oferecendo uma diversidade de produtos, desde legumes, frutas, verduras a bijuterias, roupas, calçados etc. O contato amistoso com o vendedor, a qualidade dos produtos (muitos frescos) e os preços baixos, se comparado aos grandes mercados, incentivam as pessoas a optarem por esses comércios de rua.

Por outro lado, a gritaria dos feirantes, a dificuldade de acesso, a sujeira na calçada, o mau cheiro de peixe, produtos orgânicos etc., são os principais problemas alegados pelos moradores das ruas onde as feiras residem uma, duas ou tres vez por semana. Os imóveis dessas vias chegam a desvalorizar cerca de 30%. Acredite!

A feira e os feirantes da prainha de Muquiçaba. Com o término da obra do próximo prédio, exatamente na rua onde opera com deficiência a feirinha da prainha Muquiçaba, teremos aproximadamente um contingente de 350 novas pessoas morando no novo edifício.

Contudo, a convivência pacífica entre pedestres, veículos, moradores e feirantes está cada vez mais longe de se tornar uma realidade. Nos arriscamos até a dizer que isso não mais é possível naquele espaço.

Quem frequenta aquela feira, percebe que há algo fora do lugar, pois os desencontros são enormes. Onde já se viu, como exemplo, estar com a família abastecendo nossa dispensa, e de repente vem um caminhão, um veículo de passeio, uma moto, uma biz, uma bicicleta em sua direção? Por mais incrível que possa parecer, essa seara se dá na famosa feirinha de Muquiçaba.

Um outro agravante daquele espaço é que tem gente que não se importa com saúde, limpeza, asseamento, organização, respeito etc., e isso é simplesmente ignorar regras de convivência salutar, tão necessários ao bem estar social coletivo.

A feira e os feirantes não seriam um problema tão grande se o lixo não ficasse acumulado em frente aos prédios, se os profissionais da agricultora não montassem bancas e banquinhas em frente as saídas de garagem, muitas vezes com xingamentos e ofensas às pessoas que tentam sair de seus lares nas quintas, domingos etc. Quem mora lá, sabe disso. Não adianta achar essa fala ruim e reclamar, pois a mazela social presente ali é uma vergonha de tirar o fôlego.

Infelizmente, por falta de uma boa articulação política efetiva, os moradores da região precisam se submeter àquela clara bagunça nas madrugadas embaixo de suas janelas, por exemplo, quando os feirantes chegam, ainda alta noite, com seus veículos rurais, para promover a montagem de seus estandes de venda. Segundo dizem os moradores “Não tem cristão que aguente. Durma com um barulho desses!” A prefeitura não atua, até onde se sabe, para por ordem nessa desordem social, já sendo assim, a bem mais que uma década.

Como se todas essas coisas ainda fossem poucas, soma-se a isso, os vários “não feirantes” que se aproveitam para vender seus artigos piratas na feira, bloqueando frontalmente ainda mais as entradas das garagens dos imóveis e impedindo os proprietários – e não somente – de entrarem e sairem de suas residências com o mínimo de tranquilidade e conforto.

Enquanto não se concebe uma resposta a esse conhecido problema, as noites mal dormidas dos moradores do entorno continuarão, a infestação de ratos, baratas etc., seguirão acontecendo, os constantes desentendimentos, desinteligências e bate bocas se estenderão e as viaturas da Polícia Militar não deixarão de atender constantes ocorrências geradas nesse gueto.

Uma das principais reclamações é que os vereadores pecam em não ouvir também os moradores locais. A moeda tem dois lados e os feirantes são apenas um dos lados dessa mesma moeda. Os dois pólos precisam ser escutados; ou será que a sociedade terá que desenhar para ser ouvida?

Ninguém da trupe de vereadores que foi eleita tem um pingo de sensatez e coerência para pensar assim? Escutar os feirantes, mas ignorar os residentes da Rua Aristides Caramuru (por exemplo), que são prejudicados durante quatro dias por semana (quarta, quinta, sábado e domingo) por não poderem transitar normalmente na rua em que moram, tendo seus dias e horas de descanso agredidos por algazarras, sujeiras, barulhos, garagens impedidas, e toda sorte de desorganizações, é uma afronta à razão. O princípio do sossego e a lei do silêncio precisam ser cumpridos.

Fato é que essa mudança de lugar da feirinha de Muquiçaba, proposta pela atual gestão legislativa municipal, já deveria ter acontecido a muito tempo; mas, para ser transportada para um lugar apropriado e não sair de um lugar ruim para um lugar pior.

Talvez, mesmo, essa feira nunca deveria ter ido parar ali. Verdadeiramente, uma feira livre precisa ser livre. Todo ambiente de venda coletiva deve usufruir do direito de ter um espaço próprio e amplo para isso. Será que um cidadão terá que morrer atropelado naquela feira ultra mal localizada para essa conclusão ser tirada? Oxalá que não!

Na coluna dessa semana, desejamos novamente encerrar apresentando mais uma sugestão como resposta a este velho problema.

O lugar mais apropriado hoje para essa feira operar, segundo nossa leitura da geografia da cidade de Guarapari, chama-se “Arena Carone, no antigo Kart Indoor” em Muquiçaba. O lugar fica abandonado o tempo todo, somente sendo utilizado quando chega um circo na cidade ou para promover algum evento particular num raro final de semana, desprezando toda a cidade em 95% de todo o mês, seguramente.

O lugar é grande, espaçoso, muito bem localizado e tem todo o perfil para atender a necessidade de um espaço próprio para a feirinha, sem trazer desconforto para nenhum morador, e o melhor, beneficiando toda a cidade, podendo até aumentar o tamanho da feirinha, comportando um número maior de pessoas trabalhando, aumentando a geração de renda e promovendo a criação de novos empregos.

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