Pedreiro afirma que pai morreu por causa de negligência em Guarapari

Um filho desesperado e sofrendo pela morte do pai. Foi nessas condições que a reportagem do Portal 27 encontrou o pedreiro Davi Ferrarini, de 54 anos, emocionado e em busca de respostas para a morte do pai, o aposentado José Ferrarini, de 90 anos.

Segundo Davi, seu pai morreu na manhã de hoje (22), na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Guarapari, por falta de um atendimento adequado. Ele acusa a Unidade de negligência pela morte do aposentado.

DaviFerrarini
“Eu vi o meu pai morrer nos meus braços sem poder fazer nada”, disse Davi, em lágrimas. Foto: Roberta Bourguignon.

Davi explicou que o pai sofreu cinco paradas cardíacas dentro da unidade. O SAMU foi acionado para levá-lo para um hospital da Grande Vitória, mas a ambulância chegou três horas depois, quando o aposentado já estava sem vida. “Eu vi o meu pai morrer nos meus braços sem poder fazer nada”, disse Davi, em lágrimas.

Unidade de Pronto Atendimento de Guarapari.
Segundo ele, seu pai ficou internado na UPA durante a semana, esperando uma vaga em um hospital da Grande Vitória.

Ainda segundo ele, seu pai ficou internado na UPA durante a semana, esperando uma vaga em um hospital da Grande Vitória. Sem sucesso, o aposentado recebeu alta e foi para casa neste sábado, e voltou a passar mal. “Depois de ficar uma semana internado esperando vaga para ir pra Vitória, o médico liberou ele para ir para casa, porque não conseguiu a vaga. Ele tinha passado por uma operação de câncer de próstata recentemente, e estava com as veias entupidas. Ontem, ao chegar em casa, ele sofreu duas paradas cardíacas. Acionamos o SAMU, os socorristas conseguiram reanima-lo, e mais uma vez o trouxeram para o UPA, e mais uma vez ele ficou internado aguardando vaga em Vitória, na UTI”, explicou.

Davi que chegou a UPA hoje cedo, para ficar de acompanhante do pai, passou por momentos de desespero. “Às 9h30 meu pai começou a passar muito mal. O SAMU foi acionado, e chegou mais de três horas depois, quando meu pai já havia morrido”. Segundo Davi, o pai faleceu às 11h55, e a ambulância chegou um pouco antes das 13h.

Outra morte. Davi explica ainda que no quarto onde o aposentado aguardava a ambulância, mais uma pessoa morreu. “Estávamos no quarto quando um outro senhor também morreu. Primeiro morreu ele, e depois meu pai morreu. Meu pai sofreu cinco paradas cardíacas, uma atrás da outra, e não conseguiram salvar meu pai”, afirmou angustiado.

Boletim
Pedreiro registrou boletim de ocorrência e afirma que vai entrar na justiça contra a UPA. Foto:Roberta Bourguignon.

Justiça. Agora o filho quer justiça. “Eu sei que nada disso vai trazer a vida do meu pai de volta. E hoje morreram duas pessoas dentro da UPA. Não tem condições das coisas continuarem assim. Cada pessoa que vem para cá, eles vão fazem a mesma coisa? Não tem vaga em hospital, e eles vão deixar a pessoa morrer aqui dentro?”, relatou.

Davi afirmou que vai entrar com processo contra a UPA. “Eu vou entrar com um processo contra a UPA. Já registrei um boletim de ocorrência na delegacia. Eu quero justiça. Eles vão ter que pagar pelo que eles fizeram, porque a Cidade Saúde não tem saúde?”, finalizou.

Resposta. procurada para explicar o ocorrido, a Secretaria de Municipal de Saúde disse, que “a UPA é a porta de entrada para urgência e emergência. A equipe estabiliza o paciente para transferir para um hospital com tecnologia própria, a cada caso classificado de acordo com a Central de Vagas da Secretaria da Saúde. Infelizmente, há situação em que o quadro do paciente é agudíssimo, mas a equipe da UPA é treinada para fazer o melhor trabalho sempre, na intenção de preservar a vida e prestar o melhor atendimento aos pacientes. Em relação ao caso citado, será averiguado se houver qualquer situação que fuja às normas da Secretaria Municipal da Saúde”.

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