A Polícia Federal no Espírito Santo desarticulou, na última terça-feira (28), um laboratório clandestino de produção de anabolizantes e medicamentos controlados no município da Serra. No local, eram fabricadas substâncias sem qualquer autorização dos órgãos reguladores, incluindo esteroides à base de testosterona e produtos com tirzepatida, princípio ativo do medicamento Mounjaro.
A ação integra a Operação Cavalo Maromba e resultou na prisão em flagrante de um homem apontado como responsável pela gestão dos depósitos e pela comercialização dos produtos irregulares. Segundo as investigações, os itens eram vendidos sem registro e distribuídos de forma ilegal.

O caso começou a ser apurado após a Receita Federal apreender uma encomenda contendo substâncias ilícitas que seriam enviadas ao exterior pelos Correios. A partir daí, a Polícia Federal avançou nas investigações e identificou o esquema de produção e distribuição.
Durante as buscas, também foi constatado que os produtos eram divulgados pelas redes sociais e, possivelmente, comercializados em academias da região da Grande Vitória, ampliando o alcance do mercado clandestino.
A auditora-fiscal da Receita Federal, Adriana Junger, destacou o aumento significativo na apreensão de medicamentos falsificados, especialmente os chamados “emagrecedores”, em comparação ao ano anterior. Segundo ela, os prejuízos não atingem apenas os comerciantes ilegais, mas também os consumidores.
“Esses produtos geralmente são vendidos de forma antecipada. Isso pode gerar prejuízo ao consumidor caso a mercadoria seja apreendida antes da entrega”, explicou.
Além das perdas financeiras, especialistas alertam para os riscos à saúde associados ao consumo dessas substâncias. A professora do Departamento de Ciências Biológicas da Ufes, Débora Dummer, afirma que o uso de tirzepatida sem controle pode provocar efeitos graves, como hipoglicemia, vômitos intensos, desidratação e até pancreatite.
Já os anabolizantes ilegais podem causar uma série de complicações, incluindo danos ao fígado, depressão, aumento do risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
A endocrinologista Flávia Tessarolo ressalta que os perigos vão além dos efeitos imediatos. “Os impactos a longo prazo ainda são desconhecidos e podem ser ainda mais graves”, alerta.
Riscos ampliados pela produção e transporte ilegal
As investigações apontam que medicamentos como a tirzepatida exigem armazenamento sob rigoroso controle de temperatura, o que não ocorre no transporte clandestino. A exposição ao calor, umidade e luz pode comprometer a eficácia e alterar a composição química das substâncias, aumentando os riscos ao consumidor.
Além disso, produtos fabricados ilegalmente podem conter ingredientes adulterados, matérias-primas de baixa qualidade ou até substâncias diferentes das indicadas nos rótulos. A ausência de controle sanitário também eleva o risco de contaminação por bactérias, fungos e toxinas.
Quando administrados, especialmente por injeção, esses produtos podem causar infecções graves, formação de abscessos, reações alérgicas intensas e até quadros de sepse.
A Polícia Federal segue com as investigações para identificar outros envolvidos no esquema e possíveis pontos de distribuição das substâncias ilegais na região.











