A Prefeitura de Guarapari convocou na tarde desta segunda-feira (09), uma coletiva de imprensa para esclarecer o corte de árvores da Prainha de Muquiçaba. De acordo com secretária de Meio Ambiente e Agricultura, Thereza Christina, foram autorizados os cortes de 13 das 22 árvores daquela região para a revitalização da orla da Prainha.
“A municipalidade faz uma ordem de serviço, já quase no final do ano, para a revitalização da Prainha de Muquiçaba. Então nós procuramos o IDAF, e a gente fez uma comissão, onde estávamos nós da secretária, um engenheiro do IEMA e o IDAF para avaliar essas árvores. E o parecer do IDAF é que nós temos 10 castanheiras, 9 palmáceas, 2 figos e 1 flamboyant, são essas as arvores da prainha. Mas nem todas serão cortadas, só aquelas que estavam causando danos aos encanamentos das moradias ali. Alguns já foram suprimidos. Estamos diante do laudo de um engenheiro do IDAF, em cima desse laudo e conhecendo o projeto da municipalidade nós autorizamos que algumas árvores fossem suprimidas”, disse a secretária de Meio Ambiente.

Acessibilidade. Ela fala que o principal motivo dos cortes é trazer mobilidade para a nova orla. “Hoje as calçadas estão todas danificadas. Três ou quatro árvores estão no meio da calçada impedindo a mobilidade, cadeirantes passam por ali, idosos caem ali; nós temos responsabilidade social. Os arquitetos tiveram todo o cuidado de ver a questão da mobilidade, da ciclovia, vai ter uma pista e skate, banheiros, quiosques, com projeto arborístico e florístico”, afirma.
Associação de moradores. Thereza Christina comenta que a retirada dessas árvores também é um pedido antigo dos moradores da Prainha. “Tudo tem uma razão, ninguém está cortando árvore por cortar. Já plantei milhares de árvores, mas quando eu assumi meu mandato foi procurada pela presidente da associação de moradores e pescadores da Prainha e ela disse que tinha um abaixo assinado para supressão de árvores que estavam danificando enormemente várias moradias e causando muitos prejuízos. Aquela castanheira, que estava em frente ao edifício Porto Maior, estava com problemas de infestação de cupins, com um tombamento para dentro da praia e casos de muita prostituição e uso de drogas no local. Mas eu não estou olhando por esse lado, estou olhando pela necessidade de serem suprimidas”, afirma a secretária.
E fala ainda. “A gente age com muita transparência. Essa comissão não assinou por assinar, não tiramos árvores porque queremos. Foram árvores que foram plantadas. Tem árvores que estão altamente danificadas, comprometidas, são árvores que estão causando risco à comunidade do entorno”, ressalta Thereza Christina.
Replantio. Ela conta que no projeto de revitalização da Prainha está previsto o plantio de 7 árvores. ”Serão plantas espécies apropriadas para orla, com Ipê Roxo, Pata de Vaca, Algodoeiro da Praia, espécie que vão trazer benefícios para flora e fauna”, ressalta a secretária.

Cortes continuam. A supervisora de obras responsável pela revitalização da Prainha, Thalita Baptista, afirma que a retirada de árvores que estava prevista vai continuar, mesmo depois da intervenção da polução que impediu a retirada completa de uma castanheira nessa manhã (09).
“Não digo amanhã, mas vamos continuar o corte daquela árvore em breve, até porque tem certo risco de queda com o corte que já foi dado. O corpo de bombeiros hoje avaliou juntamente com o pessoal envolvido e disse que hoje ela não corre o risco de queda, mas ela não dá sequência, ela já entrou em processo de morte com o corte que foi feito”, explica Thalita.

E conta como foi à intervenção do morador que impediu a retirada da árvore. “Quando a pessoa adentrou o local a gente estava iniciando o corte. Tentamos fazer a retirada dele do local por uma questão de segurança e ele se recusou a sair, então pedi para desligarem a moto serra. A gente tem essa preocupação com a segurança, não estamos nos eximindo de nada, queremos fazer o que é certo”, garante.
Polícia Ambiental. Quanto à questão levantada pela Polícia Ambiental, de aquela árvore, que seria que seria cortada hoje, pudesse ser habitat de um pássaro, Thalita fala que foi constatado que ali só havia um ninho vazio. “Não havia nenhuma espécie na árvore. Não tinha a espécie lá dentro da casinha, só havia o ninho e nem ovos tinha”, alega.
Sombra. Sobre o questionamento da população, que não é favor do corte das castanheiras pela sombra que as árvores trazem, o engenheiro agrônomo analista de licenciamento ambiental da Secretaria de Meio Ambiente Breno Simões Gomes, diz que de acordo com a legislação, praia não é lugar de sombra. Ele fala que onde há sombra não nasce restinga, o que é ideal para praias.
De acordo com a supervisora de Obras, até o momento foram retiradas da Prainha de Muquiçaba quatro árvores, uma castanheira, uma figueira, uma palmeira e um flamboyant. Ela fala intensão é trazer árvores já adultas, que serão replantas na Prainha de Muquiçaba, para que não haja a necessidade de esperar anos para que elas cresçam. Ainda segundo Thalita, a previsão é de que as obras sejam finalizadas até o final deste ano.











