Uma tragédia anunciada. Um turista mineiro morreu afogado na manhã de hoje em Guarapari por falta de guarda-vidas na Praia do Morro. O afogamento ocorreu há poucos metros de um posto de salvamento, que no momento da ocorrência, estava vazio.

Era por volta das 8h30 da manhã quando Edilson Luiz Costa, 29 anos, resolveu dar um mergulho no mar, mas por causa da correnteza forte, e mesmo sabendo nadar, ele foi arrastado para longe da areia. O local onde ocorreu o afogamento fica em frente ao primeiro posto de guarda-vidas, próximo ao quiosque numero 1 e é marcado por uma bandeira vermelha avisando do perigo.

O afogamento ocorreu por volta das 8h30 da manhã de hoje na Praia do Morro. foto: João Thomazelli/Portal 27
O afogamento ocorreu por volta das 8h30 da manhã de hoje na Praia do Morro. foto: João Thomazelli/Portal 27

Testemunhas afirmaram que ele ficou por vários minutos lutando contra a correnteza até que afundou. “Ele ficou uns três ou quatro minutos tentando sair, mas não conseguiu e acabou sumindo. Uns 15 minutos depois chegou o Corpo de Bombeiros e tirou o corpo dele da água”, contou Leônidas Ribeiro Neto, 62 anos.

Edilson recebeu os primeiros socorros ainda na areia da praia. Bombeiros e Samu fizeram os procedimentos para tentar ressuscitar Edilson por cerca de 20 minutos até o levarem para dentro de uma ambulância. Mas antes mesmo do veículo sair, Edilson teve duas paradas cardíacas e acabou falecendo.

Edilson chegou a ser levado para a ambulância, mas não resistiu. Foto: João Thomazelli/Portal 27
Edilson chegou a ser levado para a ambulância, mas não resistiu. Foto: João Thomazelli/Portal 27

As informações são que Edilson teria vindo a Guarapari, acompanhar um amigo para resolver alguns problemas e hoje pela manhã eles foram passear na praia. O amigo que é pastor evangélico estava muito abalado com a tragédia e teve que ser internado na Unidade de Pronto Atendimento do bairro Ipiranga para receber tratamento médico. Os amigos de Edilson estão providenciando o translado do corpo para Governado Valadares.

Morte poderia ter sido evitada

Várias pessoas que acompanharam as tentativas de reanimar Edilson garantiram que se tivesse guarda-vidas suficientes na praia a morte teria sido evitada. O motorista Renato Marques, 52 anos, acompanhou todo o drama e desabafou:

A vítima era casada e tinha filhos. ele veio a Guarapari acompanhando um amigo. Foto: João Thomazelli/Portal 27
A vítima era casada e tinha filhos. ele veio a Guarapari acompanhando um amigo. Foto: João Thomazelli/Portal 27

“Tinha até um rapaz com uma prancha de surf, mas ele não sabia nadar e ficou com medo de entrar na água. Isso é ridículo! Esta morte é culpa da administração pública que demitiu os guarda-vidas e ainda não recontratou ninguém. Os poucos que restaram tem que cuidar de uma praia deste tamanho. Quantos mais precisam morrer para eles tomarem uma atitude?”

O guarda-vidas Vagner Basílio, 30 anos, dez deles como profissional de resgate marítimo nas praias de Guarapari, ajudou a retirar o corpo de Edilson da água. “Um rapaz de 29 anos, casado, com filhos, veio ele e um amigo passar uns dias na praia e aconteceu isso. Não tinha guarda-vidas suficiente na praia, num local onde era para ter pelo menos dois guarda-vidas e aconteceu o afogamento”.

No vídeo abaixo, Vagner fala sobre a situação do salvamento marítimo em Guarapari.

Resposta. Entramos em contato com a prefeitura, para que nos passasse as explicações relativas a esse fato e a Secretaria de Comunicação nos respondeu o seguinte:

“Com suporte do Samu e Corpo de Bombeiros, o salvamento marítimo realizou o resgate do banhista, ainda com vida, entretanto, não resistiu e veio a óbito. Vale lembrar que o local possuía sinalização com bandeiras vermelhas, informando sobre o risco de mar agitado.

PROCESSO SELETIVO
O novo edital de processo seletivo já encontra-se tramitando e sendo analisado pelo jurídico, com previsão para 50 vagas, visando atender a demanda da alta temporada no município. Uma das etapas será realizada pelo corpo de bombeiros.

Até a conclusão do processo seletivo, o serviço de salvamento marítimo contará com 27 profissionais que serão distribuídos de acordo com a demanda e histórico de ocorrências de cada praia. A escala de trabalho dos salva vidas é construída com a participação do Corpo de Bombeiros e Gerência de Salvamento Marítimo.

ESCALA E AUSÊNCIAS
A escala de trabalho dos salva vidas é construída com a participação do Corpo de Bombeiros e Gerência de Salvamento Marítimo. O monitoramento de presença é realizado diariamente pela gerência e subgerência. Ao identificar a falta e, esta, não sendo justificada é realizado o corte ponto, conforme lei 1278/91.

FALTA DE MATERIAIS
Não ocorre falta de materiais, uma vez que a Secretaria Municipal de Saúde disponibiliza os equipamentos necessários para o trabalho dos profissionais como, life-belts, nadadeiras, protetor solar, uniformes e demais. Todos os materiais são recebidos com termo de compromisso. Caso o servidor tenha identificado falta de algum dos itens, basta procurar a Gerência de Salvamento Marítimo.”