As bonecas reborn, réplicas hiper-realistas de bebês humanos, têm ganhado destaque no Brasil, tanto pelo seu apelo artístico quanto pelas discussões que suscitam. Essas criações, que simulam recém-nascidos com impressionante fidelidade, são fruto de um processo artesanal minucioso, envolvendo pintura em camadas, implantação de cabelos fio a fio e ajustes de peso para se assemelharem a bebês reais.
Visando informar o leitor sobre essa tendência crescente, o Portal27 entrevistou uma artista que cria essas bonecas e trouxe as respostas nessa reportagem especial.

A Jornada de Pamella Frasson
Pamella Frasson, artista de Vila Velha, Espírito Santo, é uma das referências nacionais na criação de bebês reborn. Há quatro anos, após interromper a faculdade de pedagogia devido à gravidez de seu terceiro filho, Pamella descobriu o universo reborn. Inicialmente encantada como consumidora, ela decidiu aprimorar uma boneca simples que ganhou em um sorteio, utilizando tintas infantis e maquiagem. O resultado surpreendente atraiu a atenção nas redes sociais, levando-a a receber encomendas e, posteriormente, a investir em materiais profissionais e cursos de aperfeiçoamento.

“Hoje, é a renda principal da minha família e eu trabalho com aquilo que realmente amo fazer, dentro de casa e pertinho dos meus filhos”, compartilha Pamella.
O Processo Criativo
A confecção de uma boneca reborn leva, em média, de três a quatro dias, dependendo do tamanho. Cada etapa é realizada manualmente, utilizando tintas a óleo, pincéis e esponjas. A pintura é feita em camadas, com cada uma sendo fixada por calor em um forno halogênio. Detalhes como veias, unhas e manchas são meticulosamente desenhados no vinil, conferindo realismo à peça. O cabelo e os cílios são implantados fio a fio, e a montagem inclui a adição de areia para simular o peso de um bebê real.
Crescimento e Polêmica
A popularidade das bonecas reborn tem crescido anualmente, impulsionada pelas redes sociais. No entanto, essa visibilidade também trouxe controvérsias. Vídeos que simulam situações cotidianas com as bonecas, como visitas ao médico ou à creche, geraram debates sobre a linha tênue entre ficção e realidade. Pamella esclarece que esses conteúdos são apenas formas de entretenimento e não refletem a substituição de crianças reais por bonecas.
“A arte reborn em sua origem foi criada para colecionadores, pois é uma arte sensível que precisa de um cuidado especial”, explica Pamella. Apesar disso, o público infantil se apaixonou pelas reborn, representando hoje 70% de sua clientela, enquanto os colecionadores correspondem a 30%.

Aspectos Terapêuticos e Sociais
Especialistas apontam que as bonecas reborn podem ter funções terapêuticas, auxiliando pessoas a lidar com perdas gestacionais ou proporcionando conforto emocional. A psicóloga Melissa Tenório dos Santos Campinas destaca que, em muitos casos, o bebê reborn funciona como um objeto simbólico de afeto e processamento emocional. No entanto, o uso excessivo ou a substituição de interações humanas por essas bonecas pode levantar preocupações sobre a saúde mental dos envolvidos.
O crescimento do fenômeno reborn levou o governo brasileiro a considerar a criação de políticas públicas para regulamentar o uso dessas bonecas. Projetos de lei propõem restrições, como a proibição de atendimento médico a bonecas reborn em instituições públicas e privadas, com a imposição de multas às que permitirem tal prática.
Arte ou polêmica?
As bonecas reborn representam uma interseção entre arte, afeto e controvérsia. Enquanto proporcionam conforto e expressão artística para muitos, também levantam questões sobre os limites do real e do simbólico. A trajetória de Pamella Frasson exemplifica como essa arte pode transformar vidas, tanto de quem cria quanto de quem adquire essas peças únicas.










