Uma história que se arrasta há mais de três anos ganhou mais um capítulo ontem (17) em Guarapari. Trata-se da venda do Estádio Davino Mattos, que pertence ao Guarapari Esporte Clube (GEC). Nesta sexta-feira, uma retroescavadeira começou a demolição da estrutura das arquibancadas do estádio (veja aqui).

O processo da venda gerou muitas controvérsias, inclusive entre os membros do GEC, já que não houve consulta antes das negociações, que culminaram com um negócio de R$ 20 milhões entre o GEC e a uma construtora.

demolição estadio de guarapari
Na última sexta-feira começaram as intervenções no Davino Mattos. Foto: João Thomazelli/Portal 27

Parte deste valor, segundo o tesoureiro do clube, Ademar Lauro de Andrade, foi pago na efetivação da transação, quando foi comprado um terreno para a construção da nova sede do clube, próximo ao bairro Jabaraí, pelo contorno da Rodovia do Sol. As obras no local estão paradas. Ainda de acordo com o tesoureiro, o atual comprador não pagou todo o valor e por isso não poderia começar a demolir nada no estádio.

Lugar onde será construído o novo estádio do GEC.
Lugar onde será construído o novo estádio do GEC.

“Nós sabemos que a venda aconteceu. O que nos incomoda nesta venda é a forma como todo o processo foi conduzido pela diretoria do GEC. As prestações de contas que a diretoria apresentou são fraudadas e nós podemos provar isso. Existe até um recibo, que foi apresentado, no valor de R$ 250 mil! Eu verifiquei as contas e elas são forjadas”, declarou Themístocles Santana, que é sócio do clube.

Vendido duas vezes

Mas esta foi a segunda venda do Estádio Davino Mattos, sede do Guarapari Esporte Clube. Em 2004 o estádio já tinha passado por um processo de venda.

A venda teria sido feita para um consórcio, que no meio da transação foi desfeito. Uma ação na Justiça foi iniciada e julgada finalmente pelo Tribunal de Justiça, que deu ganho de causa por unanimidade a Marcel Faleiros, que é um dos compradores.

“Esta segunda venda não poderia ter ocorrido porque o estádio já foi comprado por mim e a outra empresa em 2004. Como havia um processo ativo, nada poderia ser feito. Todos os documentos de venda são nulos sem minha efetiva participação. Isto é decisão judicial do Tribunal de Justiça”, afirma Marcel Faleiros.

Faleiros disse ainda que nesta segunda-feira (20) vai entrar com uma petição para impedir qualquer trabalho de demolição ou intervenção no estádio, pois existe amparo de uma instância superior da Justiça.

Esclarecimentos

A reportagem do Portal 27 procurou o presidente do Guarapari Esporte Clube para comentar sobre a situação, mas por telefone César Castro Martins nos informou que prefere não comentar sobre o caso no momento.

Também procuramos o representante da construtora que está fazendo as intervenções no estádio, mas não obtivemos sucesso.

*Foto de Capa: Bruno Zanchetta