Contabilizar os prejuízos e tentar vencer o medo de voltar para o local de trabalho. Esta é a rotina de várias pessoas que trabalham no comércio de Guarapari. “Nós trabalhamos estressados o tempo todo. Ficamos com medo. Não sabemos se vamos voltar para casa no fim do dia”. Este é o depoimento da gerente de uma loja, que só este ano, já foi assaltada três vezes.

No último assalto, ocorrido na quinta-feira passada (18), três assaltantes renderam uma funcionária e fizeram uma cliente e outro vendedor deitarem no chão sob a mira de armas de fogo. Eles fugiram levando vários celulares, tablets e secadores de cabelo. Produtos pequenos e fáceis de carregar.

O que deixou as vítimas do assalto mais desconcertadas é que no dia seguinte dois assaltantes foram presos, ainda com alguns produtos do roubo, mas: “Eles confessaram o assalto, estavam com produtos roubados, mas foram levados para a delegacia e liberados em seguida porque não foram presos em flagrante! Eles já estão na rua de novo, prontos para agirem novamente”, desabafa uma funcionária da loja.

Na última sexta-feira uma videolocadora também foi assaltada no bairro Ipiranga. Um homem chegou na locadora e apontou uma arma para a funcionária. Ele fugiu em seguida com o dinheiro do caixa. Veja o vídeo do assalto abaixo:

“É a terceira vez que minha loja é assaltada. Já tive um prejuízo de mais de R$ 20 mil. Infelizmente estamos à mercê dos bandidos. Será que todo comerciante vai ter que colocar um segurança na porta para se proteger. E o pior, quando a polícia prende, a Justiça solta!”, desabafa Sidney Ribeiro, dono da videolocadora assaltada.

E não são apenas os assaltos que estão tirando a tranquilidade dos comerciantes da cidade. Os arrombamentos cometidos de madrugada também têm deixado comerciantes no prejuízo.

Na madrugada de hoje (22), dois homens entraram pela segunda vez em uma loja que fica no Centro de Guarapari e roubaram várias peças de roupas. Nos dois casos, ocorridos em menos de um mês, os assaltantes quebraram uma porta de vidro e uma vitrine para entrar na loja. Um detalhe que chama a atenção: A loja fica em questão fica de frente para uma câmera de videomonitoramento. na semana passada a prefeitura deu mais um prazo para o começo do funcionamento do videomonitoramento. (veja aqui)

A loja, que fica no Centro de Guarapari, foi assaltada duas vezes em menos de um mês. Foto: Bosco Buery
A loja, que fica no Centro de Guarapari, foi arrombada duas vezes em menos de um mês. Foto: Bosco Buery

Há poucos dias, uma loja de produtos esportivos também foi alvo de assaltantes de madrugada. Eles quebraram uma vitrine e entraram na loja. O ladrões roubaram armas de pressão que estavam no mostruário. Os assaltantes foram presos em seguida, mas as armas não foram localizadas.

Carta aberta ao comando da PM em Guarapari

Preocupada com o aumento dos furtos e roubos a comércios em Guarapari, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) encaminhou nesta segunda-feira uma carta aberta ao comando da Polícia Militar da cidade para pedir reforço no policiamento ostensivo.

Em um trecho da carta a CDL diz: “Um desejo antigo dos Guaraparienses é ter um contingente maior no efetivo da Polícia Militar, para o ano todo, e que pudessem ser realizadas mais rondas noturnas, principalmente durante a madrugada, dentre outras medidas que assegurem a diminuição de crimes de furtos e roubos”.

No primeiro arrombamento, os bandidos quebraram a vitrine para entrar.
No primeiro arrombamento, os bandidos quebraram a vitrine para entrar.

PM prende, mas a Justiça solta

A reportagem do Portal 27 procurou a PM para falar a respeito do problema. O capitão Lorencini, que é chefe de planejamento do 10º Batalhão, diz que o problema é de polícia, mas também de saúde pública e social.

“Nós temos um problema grande que são as drogas. Temos um grande número de viciados que estão espalhados pela cidade e cometem roubos para sustentar este vício. Outro problema é o processo legal”. Lorencini ressaltou que a polícia está fazendo o trabalho dela, prendendo bandidos, mas o trabalho da PM acaba esbarrando no processo legal.

“Tem a questão do pequeno furto que, mesmo sendo maior de idade, dificilmente o criminoso fica preso. A média de prisões mensais feitas pela PM é de 400 pessoas, fora as apreensões de armas de fogo e as operações de mandados de busca e apreensão. Infelizmente teve um pequeno aumento nos furtos e roubos, mas outros tipos de crimes diminuíram, como o assalto a ônibus, por exemplo”, disse Lorencini.

O capitão finalizou dizendo que mensalmente a PM realiza reuniões com comerciantes e moradores da cidade através das companhias e trimestralmente na sede do batalhão. Amanhã será realizada a reunião trimestral às 19 horas e é aberta a todos.