Imagine você em um ponto de ônibus com seu filho de cinco anos, que é cadeirante e portador de necessidades, dá sinal para o motorista e o profissional não parar e ainda seguir direto sem olhar para o lado.

Ou ainda: o motorista para, mas começa a discutir com a mãe sobre os procedimentos a serem adotados para operar a rampa elevatória. O cobrador também entra na discussão. A criança, atordoada com tantos gritos começa a chorar e a mãe acaba não embarcando no ônibus.

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A criança chegou a ficar no ponto várias vezes porque o ônibus não conseguiu fazer o embarque ou por não ter parado.

Infelizmente, situações como estas não são raras na vida de Shirlei do Nascimento e de seu filho Matheus. Quase todos os dias Shirlei leva o filho para fisioterapia e tem que usar o ônibus adaptado da Viação Asatur. E vez ou outra ela fica no ponto do ônibus com o filho porque o motorista visualizou que só tinham eles e passa direto.

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Shirlei foi até a garagem da Asatur nesta quarta-feira para registrar a reclamação.Foto: João Thomazelli.

“Ontem foi a gota d’água. O motorista começou a me destratar porque eu não queria que meu filho ficasse sozinho naquele elevador do ônibus. Outros motoristas deixam, já que meu filho tem problemas motores e é perigoso ele prender a mãozinha naquelas engrenagens. O motorista começou a falar alto comigo e depois o cobrador também. Meu filho ficou assustado com aquilo e começou a chorar”, contou Shirlei, que hoje foi até a garagem da Asatur para registrar uma reclamação.

Mas antes disso, ela já tinha ligado várias vezes para números da viação encontrados na internet e na lista telefônica e não conseguia ser atendida. “Já fui no Ministério Público e fiz o registro de minha queixa e agora estou aqui na garagem para fazer o mesmo. É muita falta de respeito com os usuários. Sabemos que alguns motoristas quando estão indo para a Pestalozzi fazem comentários preconceituosos como por exemplo: ‘vamos lá pegar os retardados’, desabafou Shirlei.

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Quase todos os dias Shirlei leva o filho para fisioterapia e tem que usar o ônibus adaptado da Viação Asatur.

Ela faz questão de ressaltar que existem motoristas atenciosos e educados na empresa, mas que alguns acabam prejudicando toda a categoria.

“O que eu e várias outras mães queremos é respeito. Se a empresa tem os ônibus adaptados é para serem usados e não para deixar o usuário no ponto de ônibus. A empresa com certeza tem que tomar alguma providência para que estes abusos acabem”, finalizou Shirlei.

A Asatur

Procuramos a direção da Viação Asatur para responder às reclamações de Shirlei. A assessoria informou que vai apurar os fatos e tomará as medidas cabíveis.

 

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