As lagoas, cachoeiras, praias, piscinas e os rios podem proporcionar agradáveis momentos de lazer e trazer alívio para quem quer se refrescar num dia de calor. Porém, alguns cuidados são importantes para que incidentes não ocorram. Por esse motivo, o Corpo de Bombeiros Militar preparou algumas orientações para a população a fim de prevenir afogamentos.

O tenente Heitor Henrique Lube da Silva, que atua no Centro de Ensino e Instrução de Bombeiros, alerta que as principais vítimas de afogamentos são homens entre 20 e 35 anos que sabem nadar e que, invariavelmente, consumiram bebida alcóolica. “É importante que as pessoas sempre tenham atenção com placas indicativas de locais perigosos para banho e que sempre procurem ficar próximos de áreas com guarda vidas. Se isso não for possível, cuidados como não se afastar da margem e não mergulhar após as refeições ou ingestão de álcool é recomendado”, alerta.

Um dado importante é que 60% dos afogamentos NÂO acontece no mar. Foto/Edna Vanuza.
Um dado importante é que 60% dos afogamentos NÂO acontece no mar. Foto/Edna Vanuza.

O álcool também é responsável pelos acidentes com trauma, como bater a cabeça em algo maciço por ter saltado de alguma elevação para dentro d’água. O mesmo ocorre em acidentes com embarcações, ações de animais marinhos, desconhecimento do local de mergulho, excesso de confiança e a exaustão de nadadores.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o afogamento é umas das maiores causas de mortes no mundo, juntamente com os acidentes de trânsito. No Brasil, os afogamentos representam a segunda causa de morte por trauma. Os cuidados com as crianças são fatores importantes.

“Sempre dizemos que água acima do umbigo já é um risco e as crianças merecem atenção redobrada. Os pais ou responsáveis devem ficar de olho nos filhos independente da quantidade de água. Engana-se quem pensa que um grande volume de água é necessário para que haja o afogamento. Uma pequena quantidade de água é suficiente para uma pessoa se afogar, e, geralmente, o afogamento acontece muito rápido e de forma silenciosa”, diz.

Confiar em boias de braço e cintura também não é uma prática recomendada. “Essas boias não são seguras e podem furar. O ideal é o uso de coletes salva-vidas, com amarras e travas de segurança, fabricados com espumas que não deixam a pessoa submergir”, conta.

Busque um local na praia que tenha salva-vidas. Foto: ASCOM/Prefeitura de Guarapari.
Busque um local na praia que tenha salva-vidas. Foto: ASCOM/Prefeitura de Guarapari.

Outra dica fundamental é sempre procurar pela ajuda de umas salva-vidas ao verificar uma situação de afogamento. Evitar socorrer a vítima sem conhecimento técnico pode causar mais acidentes. “Muitas vezes quem tenta ajudar uma vítima de afogamento acaba se afogando também. É preciso ter técnica e cuidado para esse resgate. Evitar o corpo a corpo para que o desespero não atrapalhe o salvamento. Jogar boias ou objetos flutuantes pode ajudar muito mais até que o socorro adequado chegue”, explica.

Locais que exigem mais atenção no litoral da Região Sul

Guarapari

Praia do Morro, das Virtudes, das Castanheiras e Enseada Azul: A calmaria da praia incentiva as pessoas a se aventurarem a nadar. Mas aqueles que não possuem bom condicionamento físico costumam passar mal, e acabam se afogando.

Praia da Areia Preta: É funda. E depois de aproximadamente três metros da areia, em alguns pontos, quem não sabe nadar não encontra o chão e acaba se afogando;

Anchieta

Castelhanos: A grande quantidade de crianças que frequentam a praia é sempre fator de preocupação, pois elas gostam de se aventurar nas pedras. Há o risco de escoriações, cortes e quedas, que podem ser fatais.

Lagoa de Ubu: De um lado ao outro são aproximadamente 200 metros. Isso anima alguns a atravessar a lagoa. Mas quem não está fisicamente preparado pode acabar se afogando antes de completar a travessia.

Itapemirim

Rio Itapemirim: Há buracos e correntezas intensas em alguns pontos, que costumam fazer vítimas.

Piúma

Apesar das águas calmas e rasas, os turistas podem ter problemas com passeios longos. A 1,5 quilômetros da praia há uma ilha, que muitos gostam de visitar. Na ida, geralmente, a maré está baixa e é possível ir andando, mas na volta, a maré pode subir e pegar os desavisados de surpresa.

Marataízes

Praia da Cruz: Há ondas e as chamadas correntezas de retorno, por onde as águas voltam para o mar e puxam os banhistas para o fundo.

Praia da Barra: Dois metros depois da linha da água começa a ficar fundo e os desavisados podem ter problemas.

Presidente Kennedy

O cuidado deve ser redobrado perto da foz do rio, pois a correnteza pode levar os banhistas para o fundo do mar.

Dicas do Corpo de Bombeiros para evitar acidentes

  • Não imergir em água após lanches e refeições;
  • Não se afastar da margem;
  • Não saltar de locais elevados para dentro da água;
  • Prefira lançar objetos flutuantes (bolas, boias, isopores, madeiras, pranchas e outros) ou então corda para salvar pessoas, ao invés da ação corpo a corpo;
  • Não deixar crianças sozinhas sem a presença de um adulto responsável;
  • Identifique nas proximidades a existência do salva-vidas e permaneça próximo a ele;
  • Olhar a sinalização do local, pois a mesma indicará se ele é próprio para banho ou não;
  • Evite brincadeiras de mau gosto, como os conhecidos “caldos”;
  • Tome cuidado ao caminhar sobre as superfícies rochosas, pois podem estar escorregadias, o que levaria a queda e cortes;
  • Instrua a criança quanto ao perigo existente ao entrar em águas mais profundas ou ficar só;
  • Não deixar a criança na banheira para pegar uma toalha: pois cerca de 10 segundos são suficientes para que a criança dentro da banheira fique submersa;
  • Não abandone uma criança para atender um telefonema, pois atender ao telefone: apenas 2 minutos são suficientes para que a criança submersa na banheira perca a consciência;
  • Não deixe uma criança só em qualquer tipo de reservatório d’água, pois ao sair para atender a porta da frente: uma criança submersa na banheira ou na piscina entre 4 a 6 minutos pode ficar com danos permanentes no cérebro;
  • Nunca deixe a criança sozinha dentro ou próxima da água, mesmo em lugares considerados rasos;
  • Mantenha baldes, recipientes e piscinas infantis vazios. Guarde-os sempre virados para baixo e fora do alcance das crianças;
  • Feche sempre a tampa do vaso sanitário e tranque a porta do banheiro;
  • Em mares, rios, represas e lagos, preste muita atenção na criança. Fique alerta nas mudanças de ondas e correntes, por exemplo;
  • Sempre use colete salva-vidas aprovado pela guarda costeira quando estiver em praias, rios, lagos ou praticando esportes aquáticos;
  • Saiba quais os amigos ou vizinhos têm piscina em casa e quando seu filho for visitá-los, certifique-se de que será supervisionado por um adulto enquanto brinca na água;
  • Instale cercas de isolamento ao redor da piscina com pelo menos 1,5 metros de altura, equipadas com portões e travas;
  • Alarmes e capas de piscina garantem mais proteção, mas não eliminam o risco de acidentes. Esses recursos devem ser usados em conjunto com as cercas e a constante supervisão dos adultos;
  • Matricule as crianças em aulas de natação;
  • Em caso de problemas, ligue imediatamente para o Corpo de Bombeiros, pelo 193, para que o mesmo oriente e auxilie a vítima.

Com informações do Sesp.

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