Após 58 dias sem notícias do soldador Anderson Louzada Chagas, de 38 anos, a família recebeu um triste desfecho para o seu desaparecimento. Ele foi vítima de um possível atropelamento no dia 4 de março, data em que desapareceu.  Seu corpo foi encontrado no viaduto do Perocão e levado para o Departamento Médico Legal, onde permaneceu até o dia 02 de maio.

Anderson desapareceu e seu corpo foi encontrado debaixo do viaduto, no Perocão. Ele pode ter sido vítima de um atropelamento.

A irmã de Anderson, a comerciante Lubiane Pereira, de 24 anos, relatou que ele era alcoólatra, mas que  estava sem beber há uma semana. Segundo ela, ele tinha o costume de ficar com os pescadores na Aldeia de Perocão, bairro onde morava, e no dia do desaparecimento tomou café da manhã e saiu sem dizer para onde iria.

Não procurar. Como a vítima tinha o costume sair sem avisar, a família só registrou a ocorrência do desaparecimento uma semana depois, no dia 16 de março, porque acreditava que ele estivesse na casa de amigos. Segundo Lubiane, na delegacia a família foi orientada a não procurar por Anderson em hospitais e no DML.

“A gente teve muita dificuldade de registrar o boletim de ocorrência. Foi dito para nós que ele foi dar um passeio e iria voltar, mas fizeram o boletim. Eles falaram que não precisava procurar nem em hospital nem no DML porque eles tinham as digitais dele lá e se ele fosse preso, morto e estivesse em hospital, eles saberiam porque iria aparecer no sistema dele. Por conta disso nós não procuramos em lugar nenhum porque eu acreditei que apareceria nos registros da delegacia”, afirmou Lubiane.

O advogado Lucas Francisco Neto ajudou a família a encontrar o corpo de Anderson no DML 58 dias após sua morte.

O advogado Lucas Francisco Neto viu as diversas publicações que Lubiane fez a procura do irmão nas redes sociais e ofereceu ajuda.  Foi então que ela descobriu que Anderson estava morto. “Levei ela no Departamento de Antropologia do DML e com as características que ela citou do irmão, ele tinha o rosto uma índia tatuado na face interna do braço direito, a antropóloga já identificou que o corpo que estava lá era dele. Ela nos levou para ver o corpo e nisso a Lubiane reconheceu o corpo como o do irmão”.

“Foi a pior sensação da minha vida. Fiquei dois meses procurando meu irmão e quando os outros falaram que tinham visto alguém parecido com ele, eu largava tudo que estava fazendo e ia até lá, mas não encontrava. Quando vi ele lá tomei um choque”, relatou a comerciante.

Indigente. Segundo o advogado, o corpo de Anderson só não foi enterrado como indigente porque o DML não estava precisando de vaga porque a lei permite que o sepultamento aconteça 30 dias  após um corpo dar entrada no DML e não ser reclamado por familiares. 

Como o corpo do soldador passou mais de 15 dias no DML, a família precisou de uma autorização judicial para retirá-lo de lá. O corpo de Anderson não pode ser velado, mas foi sepultado  no dia 05 de maio.

Registro de desaparecimento. Lucas ressaltou que em casos de desaparecimento é importante registrar um boletim o mais rápido possível. “Qualquer suspeita de desaparecimento  tem que ser investigada nas primeiras 24 horas. Não tem esperar 48 horas para registrar o boletim de ocorrência. Isso é mentira. Quando uma pessoa desaparece ela pode ter saído ou fugido, mas ela pode também ter sido sequestrada. Então as primeiras 24 horas são fundamentais para a investigação”.

Processo. A irmã afirmou que vai processar o Estado. “A gente pretende entrar com um processo contra o Estado porque quando o advogado ligou para a Delegacia de Desaparecidos não havia registro do meu irmão como desparecido. A delegacia de Guarapari não abriu o inquérito e não levou a ocorrência a frente. Lá no DML existia um corpo com a respectiva tatuagem do meu irmão, a altura, a idade e tudo. Eles poderiam bater uma coisa com a outra e ter me ligado para eu ir reconhecer. Mas não, a delegacia de Guarapari não levou o inquérito adiante e aconteceu isso”, afirmou Lubiane.

Resposta. Procurada, a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) negou que a família tenha recebido a informação na delegacia de que não era necessário procurar pela vítima no DML ou hospitais.  “A Polícia Civil em primeiro lugar lamenta a morte. Informa que a família foi orientada no dia do registro da ocorrência, 15 dias após o desaparecimento como mesmo alegou, a procurar em hospitais e no Departamento Médico Legal (DML), em Vitória. Lembra que a família ainda foi orientada a apresentar fotos atualizadas do senhor Anderson Louzada Chagas, para divulgação e qualificar a ocorrência, o que não foi feito. Por fim, a família foi prontamente atendida no DML onde liberou o corpo”, diz a nota da Sesp.