Feriado prolongado em Guarapari é sempre complicado quando se fala de segurança nas praias. Desde o ano passado uma guerra é travada entre o município e a categoria dos guarda vidas. O resultado desta briga é de praias inseguras  com algumas mortes de turistas, como já foi noticiado pelo Portal 27 (Veja Aqui).

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Profissionais querem mais valorização da prefeitura.

A prefeitura alega que são fatalidades, os guarda vidas alegam que é descaso. O embate começou após o verão de 2013, quando os Guarda-Vidas de Guarapari foram dispensados com o fim do contrato temporário com a administração municipal. Para as férias de julho, um novo edital foi lançado pela prefeitura com duração de apenas dois meses. Isso gerou uma insatisfação dos profissionais. (Confira)

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Mesmo sem sol, a Praia do Morro tem um bom público no dia de hoje.

Os Guarda vidas não concordaram com um contrato tão curto, pois segundo alegam enfrentar uma realidade muito desgastante.  “Nós fazemos um curso de formação pesado, fornecido pelo corpo de bombeiros, dentro de um regime militar, mesmo sendo civis. Fazemos um treinamento exaustivo, onde conseguimos o diploma que é valido por um ano. A primeira guerra do guarda vida é fazer com que esse diploma seja válido por mais tempo”, diz um guarda vidas, que é um dos líderes do movimento por mais valorização da categoria.

Diplomas. Segundo ele, o absurdo deste treinamento exaustivo e repetitivo é que alguns profissionais tem um verdadeiro acervo de diplomas. “Chegamos a uma situação que a pessoa tem dez diplomas da mesma coisa. Desse jeito ele deveria ser guarda vida, pós-graduado, mestrado e doutorado em Guarda Vida, pois está repetindo todo ano a mesma coisa e não aprende nada novo”, critica.

Protesto Guarda Vidas
Guarda Vidas fizeram um protesto na Câmara, buscando apoio dos vereadores. Foto Roberta Bourguignon.

De acordo com ele, essa repetição é um crime contra o cidadão. “Guarda vidas formado é guarda vida. Ele não precisa fazer o curso de novo. Ele deveria fazer apenas o teste de aptidão física. Isso é uma coisa que a gente não aguenta mais”, explicou.

Vagas. Outra reclamação dos Guarda Vidas, segundo ele, é com relação ao quantitativo de vagas. Um edital foi lançado pela prefeitura para contratação temporária de 50 profissionais, com mais 30 de cadastro de reserva.  Os guarda vidas, reclamam que esses números não são os ideais. “Nunca existiu cadastro de reserva para contrato temporário. A prefeitura agiu de má fé nesse ponto, por que o mínimo que os bombeiros pediram para a baixa temporada era de cento e dez guarda vidas. Se eles atendessem pelo menos 80 por cento, seria um número superior”, afirmou.

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Cartazes durente protesto pediam solução.

A sugestão dos guardas vidas é aproveitar em maior número os profissionais que são formados pelos cursos. “A gente queria que a prefeitura aproveitasse essas pessoas que provaram que são capazes. Estamos pedindo 80 vagas direto, ou seja, sem cadastro de reserva, para não perder o profissional que ele acabou de formar”, explica.

Os Guarda Vidas querem ainda mais vagas para a alta temporada. “Oitenta vagas não suprem a necessidade do verão, ainda mais em um ano de copa do mundo com o aumento do fluxo turístico, sem contar que a população de Guarapari dobrou. Não vemos mais uma Praia do Morro vazia. Guarapari não existe hoje baixa temporada. Todo dia que tiver sol tem gente na praia”, diz.

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Falta de estrutura é uma das reclamações dos Guarda Vidas. Foto Wilcler Lopes.

Estrutura.Outro ponto de reclamação é que os Guarda Vidas afirmam estar sem a estrutura adequada para trabalhar. Eles afirmam que chegaram somente para alguns guarda vidas equipamentos como nadadeiras, Life Belt e máscaras para fazer respiração nas vítimas, chegaram. “A gente pede uma estrutura mínima necessária para trabalhar. Como um local para nos alojar. Sem isso, para guardar as nossas coisas, somos vítimas de assalto quando vamos resgatar as vítimas na agua”, diz reclamando também da falta de um lugar para as necessidades fisiológicas.

Finalizando, os Guarda vidas querem que seja reconhecida uma lei aprovada na Câmara Municipal que reconhece a profissão de Guarda Vida em Guarapari com  todos os direitos trabalhistas. “Com isso não vamos estar deixando ninguém morrer. Acho que isso o que a população quer” , finaliza.

A reportagem do portal 27 procurou a prefeitura para saber quantos Guarda vidas estão trabalhando atualmente.  A Secretaria da Saúde informou que a cidade “Dispõe de 28 guarda vidas concursados e realizará novo processo seletivo simplificado, através de lei autorizativa, nos mesmos moldes do processo anterior, visando a contratação imediata de 50 guarda vidas e formação de cadastro reserva. O edital deve ser lançado na próxima semana e possuirá período de vigência de 1 ano”, diz parte da nota enviada pela assessoria.

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Guarda Vidas se unem por mudanças. Foto Divulgação.

Perguntamos também sobre a quantidade de vagas, que os guarda vidas alegam serem poucas, a prefeituras alega que não haverá mudanças. “Não haverá aumento do número de vagas. Serão 50 vagas para contratação imediata mais formação de cadastro reserva (não possui limite de 30 vagas de reserva).”,  informam.

A prefeitura alega que não existe a informação de 100 vagas para guarda vidas. “A Secretaria da Saúde de Guarapari desconhece essa informação. O Batalhão do Corpo de Bombeiros não manifestou nada em relação à esta alegação dos guarda vidas”, finaliza a nota.

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