Júri condena mulher a 9 anos de prisão por instigar suicídio de moradora de Guarapari

O Tribunal do Júri de Guarapari condenou, na madrugada da última sexta-feira (28), Julieth Ferreira Simões, de 36 anos, a nove anos de prisão em regime fechado pelo crime de instigação ao suicídio de Rosana Zazari Alves. O julgamento durou mais de 15 horas.

A acusação, conduzida pelo promotor de Justiça Marcelo Paiva Pedra e pela assistente de acusação, a advogada Juliana Borgo, baseou-se em boletins de ocorrência, depoimentos, mensagens e publicações em redes sociais. O conselho de sentença reconheceu que Julieth tinha conhecimento do estado depressivo da vítima e a incentivou a tirar a própria vida, em um caso ocorrido no condomínio Aldeia da Praia, na Praia do Morro, em julho de 2013.

“Este caso traz uma mensagem clara: a violência psicológica fere, adoece e pode destruir vidas. O Júri reconheceu que a instigação não foi um episódio isolado, mas parte de um processo contínuo de humilhação e violência emocional que empurrou a vítima ao desespero”, afirmou o promotor Marcelo Paiva Pedra.

Defesa recorre e afirma falta de provas

O advogado de defesa de Julieth, Fábio Marçal Vasconcellos, informou à imprensa que entrou com recurso no mesmo dia da condenação. Ele sustenta que o julgamento foi “totalmente contra as provas do processo” e afirma que não existe “nenhuma prova concreta”, como gravações ou ligações que comprovem diretamente a fala atribuída à ré.

Segundo o defensor, o caso teria sido influenciado por “preconceito”, já que Julieth seria mais jovem e, em tese, se envolveu com um homem casado. Ele também argumenta que Rosana teria sido traída várias vezes pelo marido, José Carlos, e que o compromisso matrimonial era dele, não da acusada. O recurso será analisado por instância superior.

O caso

Rosana Zazari Alves entrou em grave depressão após o marido decidir se separar e assumir um relacionamento com Julieth. Já em tratamento com antidepressivos, a vítima teria sido instigada ao suicídio durante uma ligação em que a ré, segundo o processo, disse:

“Manda as roupas do meu namorado e, já que você tem depressão, se mata que eu vou ficar com tudo que é seu, suas joias, seu marido, e vou ter filhos com ele.” A frase se tornou o principal elemento da acusação.

O processo teve reviravoltas ao longo dos anos. O Ministério Público chegou a reconsiderar a denúncia inicial feita em 2014 por entender que não havia elementos suficientes para levar o caso ao Tribunal do Júri, mas a Justiça decidiu manter o julgamento, que agora culmina na condenação.

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