Voluntário critica falta de apoio aos trabalhadores da ASSCAMARG

Há quase 18 anos a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Guarapari (ASSCAMARG), localizada no bairro Jabaraí, realiza a coleta seletiva do lixo produzido na cidade. Este trabalho é realizado por 14 associados que estão colocando a saúde em risco porque não recebem os equipamentos de segurança da Companhia de Melhoramento e Desenvolvimento Urbano de Guarapari (Codeg) há meses.

De acordo com o voluntário, a Codeg não repassa os equipamentos de segurança para a associação há meses. Fotos: Whatsapp

A informação é do professor e voluntário da associação, Diogo Ferreira Gama. Segundo ele, apenas 4 associados tem luvas e ainda assim elas não são adequadas. Eles também deveriam usar calças e botas durante a realização do trabalho, mas não tem. 

“Cabe a Codeg fornecer para a ASSCARMAG materiais de segurança como luvas, botas e uniformes, ou seja, mais ou menos o mesmo material que é oferecido para os garis porque são pessoas que também vão tratar com o lixo, já que muitas vezes chega lixo misturado no material reciclável. Mas, quem for lá vai ver os associados trabalhando sem esses equipamentos porque há vários meses esse material não é destinado para lá”, disse o voluntário.

Diogo explicou que após a triagem do lixo, a ASSCARMAG vende o material reciclável para empresas recicladoras e com o dinheiro paga os associados e cobre os custos com  combustível de um dos caminhões usados no serviço, já que apenas o que foi doado pela prefeitura é abastecido pelo município. Ele disse ainda que os dois veículos não são suficientes e que por isso, muitos pontos da cidade acabam não sendo atendidos pelo serviço.

Associado trabalhando com luva inadequada ao serviço. Foto: Whatsapp

Segundo o voluntário, os associados ganham em média R$ 350,00 por mês vendendo o material reciclado. Mas, quando a associação precisa comprar os equipamentos de segurança o salário fica ainda menor. “Quando a associação compra esses materiais tira da renda dos associados porque tem que gastar com mais uma coisa. Então eles evitam fazer este gasto porque os associados já ganham muito pouco para sustentar suas famílias”.

O  associado e fundador da ASSCARMAG, Osmário Alves dos Santos , de 53 anos, relatou que os trabalhadores estão preocupados com o risco de acidentes . “A Codeg tem obrigação de dar esses equipamentos para a gente. Todo mundo aqui tem medo de trabalhar sem eles, mas não temos condições de comprar”, lamentou o associado.

Ele afirmou que já reclamou com a prefeitura sobre a falta dos equipamentos de segurança, mas nada foi feito. “A impressão que nós temos é que a Codeg e a prefeitura nos tratam como pessoas que estão indo lá pedir esmolas. Eles têm obrigações e estão infringindo lei federal porque o município tem que destinar seu lixo para o local adequado. Se a prefeitura de Guarapari hoje tem a coleta seletiva, é por causa da ASSCARMAG então ela não tem que ficar implorando por material de segurança”, desabafou Diogo.

Segundo Diogo, os associados ganha apenas R $350,00 e quando a associação precisa comprar os equipamentos de segurança o salário fica ainda menor. Foto: Whatsapp

Riscos. O professor lembrou que a falta dos equipamentos de segurança expõe os associados ao risco de acidentes e contrair doenças. “Aquelas pessoas estão lidando com materiais sujos e que não sabem de qual origem veio com as mãos e sem proteção. Recentemente fizemos até uma campanha para que eles colocassem as vacinas em dia. Solicitamos o posto de saúde que enviasse uma agente lá e isso começou a ser feito”.

Trabalho social. O voluntário afirmou que a associação também realiza um trabalho social, já que dá oportunidade de trabalho para pessoas de baixa renda e vulnerabilidade social. “Imagina que empresa daria emprego a um alcoólatra, a um dependente químico, a uma idosa. Essas são pessoas que não teriam outro lugar para trabalhar e lá na ASSCAMARG elas conseguem ter uma fonte de renda trabalhando honestamente e ainda ajudando nosso meio ambiente”.

Economia para os cofres públicos. Ele ressaltou a prefeitura paga uma empresa para dar a destinação correta no aterro sanitário ao lixo produzido na cidade e que teria uma grande economia se repasse uma quantia maior para a ASSCARMAG reciclar. “Somente no mês passado a ASSCARMAG deu a destinação correta para 17 toneladas de material reciclável, ou seja, foram 17 toneladas a menos que a prefeitura teve que pagar a essas empresas e esses associados ainda tiraram uma renda com isso. Então é um descompasso total que a prefeitura pratica porque paga mais e ainda tira oportunidade de famílias de risco social de tirarem uma renda mais digna”, finalizou o voluntário.

Resposta. Procurada, a prefeitura afirmou que já fez a doação de equipamentos de segurança este ano. “A Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente (Semag) informa que está revisando o Plano Municipal de Resíduos Sólidos para verificar se foram cumpridos os objetivos e metas traçados neste plano que foi construído em 2014 e deve ser revisado de quatro em quatro anos. Somente depois disso é possível dar uma resposta concreta sobre o tema. Esse documento é extenso e não é possível fazer a revisão em poucos dias.

A Semag informa que ainda este ano foram feitas doações de matérias para a ASSCAMARG, o caminhão e o combustível é fornecido pelo município e está funcionando normalmente”, diz a nota da administração municipal.

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