Após 57 dias internada, a adolescente de 15 anos que caiu de uma van em Guarapari já está em casa. Na última sexta-feira (6), uma grande festa foi organizada para a volta de Tcharla Costa da Silva. Parentes, vizinhos e amigos se reuniram para celebrar a vida da adolescente, que agora pode se recuperar em casa.

Tcharla com a família
Em casa, a adolescente recebe os cuidados da família. Foto: Roberta Bourguignon

Ainda acanhada com tudo o que aconteceu, Tcharla até tenta conversar, mas a voz não aparece. Os movimentos feitos com o braço esquerdo, mostram que a menina está um pouco envergonhada pela falta dos cabelos, que precisaram ser cortados por causa das cirurgias na cabeça, e sorri quando ouvi que está linda do mesmo jeito.

Em casa, a adolescente conta com a ajuda da família e dos amigos para se alimentar, andar e ir ao banheiro. Após o acidente, ela perdeu os movimentos do lado direito, mas o médico garantiu à família, que a fisioterapia e a fonoaudiologia vão retornar com os sentidos. “Por enquanto todo o lado direito dela está paralisado. Ela não anda, por falta de força nas pernas, e não tem força no braço direito. Mas os médicos explicaram que com algumas sessões de fisioterapia, o problema será resolvido. E na fono, ela deve reestabelecer a voz”, conta a mãe Maria de Lurdes Prata da Costa.

Alta. Tcharla recebeu alta após a enfermeira se deparar com a adolescente comendo pão escondido. “Tcharla só poderia voltar pra casa, a partir do momento em que ela estivesse se alimentando. E após a enfermeira ver eu dando pão pra ela, percebeu que ela já estava se alimentando e pediu novos exames”, conta a mãe, dizendo ainda que ficava com pena dela pedindo o que os outros estavam comendo.

Tcharla
Incomodada com a falta de cabelo, Tcharla coloca um boné para fazer a foto.

Após a divulgação do exame, comprovando que a parte neurológica da adolescente estava ótima, foi autorizado a volta para casa. “Neste momento, eu apenas cai de joelhos no chão, agradecendo por tudo que Deus havia me proporcionado até aqui. Minha filha nasceu de novo. É um milagre”, relembra a mãe, emocionada.

57 dias no hospital. Foram 30 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Lucas e mais 27 dias internada em estado grave na enfermaria. Na época, os médicos diziam a família que a paciente não tinha previsão de alta, pois o que ela havia sofrido foi muito grave. Reveja na matéria – Adolescente fica em coma após sofrer acidente no transporte alternativo

No hospital, a mãe conta que a filha foi submetida a três operações na cabeça, o que obrigou a adolescente ficar careca. As operações, eram realizadas para a tirada dos coágulos que se formaram. O medido explicou a mãe, que se tivesse mexido na massa encefálica, teria que tirar uma parte da massa cefálica e guardar dentro da barriga dela. “O médico chegou a dizer que havia casos que dava certo, mas houve casos que duraram até três dias”, contou.

A mãe relata que ao abrir a cabeça da menina mais uma vez, foi detectado que o coágulo não teria atingido a massa cefálica. “O coágulo foi retirado sem que se espalhasse, mas foi preciso colocar uma platina para não espalhar”, explicou. No final do mês de março ela retorna ao hospital para realização de mais exames para saber como está a recuperação de Tcharla.

Ajuda. Neste momento, a família precisa de ajuda. O responsável pela van chegou a se comprometer a ajudar financeiramente, mas a mãe conta que os remédios e pomadas são caros, e ele não paga quase nada. E a família pede uma cadeira de banho e uma cadeira de rodas emprestadas, para auxiliar o tratamento da adolescente. E também a ajuda de especialistas na área de fisioterapia e fonoaudiologia. “Precisamos realizar esses tratamentos o mais rápido possível. Tcharla está com atestado de seis meses na escola, e se não se recuperar a tempo, poderá perder o ano”, conclui a mãe.