Há aproximadamente um ano o ambulante Antônio Elói Gomes, de 48 anos, sonha em voltar a trabalhar. Ele teve a perna esquerda amputada após torcer o pé e ter complicações causadas pelo diabetes.

Elói, como é conhecido, mora sozinho em um kitnet alugado na Praia do Morro. Ele explicou que o problema começou há 3 anos quando trabalhava de ambulante. “Foi no réveillon de 2014, eu estava trabalhando na Praia do Morro com o tênis apertado, aí torci o pé e quando cheguei em casa seis horas da manhã meu pé estava inchado. Como não melhorou fui no Pronto Atendimento e lá me encaminharam para o São Lucas, onde amputaram três dedos e fizeram uma raspagem violenta na minha perna”.

Elói teve a perna amputada após torcer o pé e ter complicações causadas pela diabetes.

O ambulante relatou que na ocasião os médicos quiseram amputar sua perna, mas ele não deixou. “A gente não acredita que pode chegar a algo tão grave assim. Minha glicose estava muito alta porque tinha mais de 10 anos que eu sabia que tinha diabetes, mas não cuidava. Aí a situação agravou, eu estava com baixa imunidade porque eu estava perdendo muita noite de sono trabalhando. Trabalhava em barraca vendendo as coisas e em janeiro trabalhava na praia. Fazia festas no interior e no carnaval. Então com isso prejudicou minha saúde, que sou diabético”.

O tempo passou e o problema de Elói se agravou e a amputação foi inevitável. “Foi só aumentando a infecção e em maio do ano passado a diabetes estava tão alta que eu concordei com os médicos em amputar e teve que tirar até o joelho”.

Sem a perna Elói não consegue mais trabalhar e agora também está fazendo tratamento nas vistas. “Fica difícil trabalhar assim, ainda bem que estou conseguindo andar de muletas. Mas também estou com um problema gravíssimo na vista, só estou enxergando 50 % com o olho esquerdo. Estou fazendo tratamento lá no Hospital Evangélico, já operei a vista lá em novembro. Não enxergava nada. A vista direita também não está boa, vou ter uma consulta agora dia 23 de fevereiro para os médicos tentarem marcar para operar. Nós ficamos aguardando para ver se ela melhorava porque tenho hemorragia na vista, mas não melhorou é com só mesmo com cirurgia”, relatou.

Ele afirmou que recebe um auxílio do Governo, mas que só não passa necessidade porque tem ajuda da Igreja Restauração, onde participa. “Eu sou evangélico há três anos e o pessoal da igreja me ajuda. Eles compram marmitex para mim no restaurante e alguns me levaram para o tratamento em Vila Velha várias vezes. Recebo um auxílio do governo, que não dá, é um salário. Pago seiscentos de aluguel mais sessenta de telefone e não sobra quase nada”.

Elói sonha em ganhar uma prótese para voltar a trabalhar como vendedor ambulante.

O ambulante disse ainda que não tem familiares que possam ajuda-lo aqui em Guarapari. “Meus familiares são todos de Minas Gerais, aqui só tenho minha ex-mulher e três filhos.  Mas o mais velho, de 24 anos, está preso há dois anos por tráfico de drogas. Tenho um de 19 anos que terminou os estudos o ano passado e não está trabalhando, mas ajuda a mãe dele que trabalha na praia e cuida do irmão mais novo, que é especial, hiperativo e não fala. É uma situação complicada”.

Ele explicou que se voltasse para Minas teria dificuldades em fazer o tratamento. “Onde minha família mora em Minas Gerais fica muito longe da capital, mais de 200 quilômetros, só que meus tratamentos são mais na capital, onde tem mais médicos e recursos e iria ficar muito mais difícil se eu fosse para lá. Aqui pelo menos estou há 50 quilômetros dos hospitais e é mais fácil de ser atendido”.

DOAÇÃO: Elói espera conseguir a doação da prótese para poder voltar a trabalhar. “Acho que com a prótese eu consigo voltar a trabalhar no serviço que faço há 20 anos, que é de vendedor ambulante. A minha prótese tem que ser aquela com joelho e resistentes para que eu possa trabalhar na areia da praia com ela. Tem mais de nove meses que fiz a cirurgia, ela está bem cicatrizada, teria que ir no médico tirar a medida se alguém for me doar. Decidi pedir ajuda porque o pessoal falou que tem gente que pede ajuda e com menos de dois meses operado consegue a doação da prótese. Então pensei, meu Deus eu vou fazer um ano já. Oro a Deus e aguardo ansioso pela doação”.

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