Encontrar uma vaga de estacionamento nas ruas de Guarapari tem se tornado um teste de paciência diário para moradores e turistas. O problema, que se arrasta há tempos, ganha contornos ainda mais críticos com a proximidade do verão, quando a cidade recebe uma enxurrada de visitantes. Diante desse cenário, o retorno do estacionamento rotativo volta a ser pauta central nos debates econômicos e de mobilidade do município.
Para embasar seu posicionamento junto ao poder público, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Guarapari realizou uma pesquisa com os comerciantes locais. O levantamento foi finalizado ao meio-dia do último dia 24, e os resultados serão divulgados em breve, assim que forem totalmente processados pela entidade.
O Desafio dos Números: Frota local e turismo
Em entrevista à imprensa, o superintendente da CDL, Aguinaldo Ferreira, contextualizou a magnitude do problema e explicou que a entidade busca ouvir a base antes de tomar uma decisão institucional.
“A CDL ainda não tem posicionamento formado. A gente liberou uma pesquisa aos comerciantes para a gente ter uma noção do que vamos defender e como iremos nos posicionar. É importante frisar que existe uma frota em Guarapari de 60 a 65 mil carros, e além destes carros que estão registrados em Guarapari, temos um número semanal de visitantes que aumenta, com picos durante o verão”, destacou o superintendente.
Ferreira reforçou que o sigilo dos participantes foi garantido para assegurar a idoneidade do processo:
“A gente precisa saber o que a maioria vai querer, e o posicionamento da CDL vai se dar através do posicionamento da maioria. A gente pede dados relevantes, como CNPJ e nome do comerciante para podermos colocar, mas que não serão divulgados e serão sigilosos, mas importantes para [a CDL] ver a veracidade.”
Rotativo estratégico: Foco nas ruas comerciais
Um dos principais pontos de atrito no modelo de estacionamento rotativo anterior era a abrangência das cobranças. Segundo o superintendente, a CDL defende que o sistema seja implementado de forma estratégica, poupando áreas majoritariamente residenciais ou de menor fluxo.
- Onde o rotativo é visto como necessário: Ruas de forte apelo comercial, onde a rotatividade de veículos atrai novos clientes para as lojas.
- Onde deve haver flexibilização: Regiões como a Cidade Alta (entorno da igreja antiga), Olaria e trechos do bairro Ipiranga.
“Nas ruas que são comerciais, acredito que [os comerciantes] serão favoráveis [à implementação do rotativo]”, ponderou Aguinaldo Ferreira.
Falta de alternativas privadas acelera busca por soluções
A urgência em resolver o problema antes da alta temporada se deve também à escassez de opções privadas no coração da cidade. Diferente de outros grandes centros urbanos, o Centro de Guarapari carece de terrenos que possam ser convertidos em espaços de estacionamento particulares.
“No verão Guarapari tem essa maior dificuldade do estacionamento e no Centro há poucos terrenos que possam ser estacionamentos privados, porque quando você não encontra estacionamentos nas ruas, há a alternativa de encontrar estacionamentos privados. Até mesmo no Centro tem essa dificuldade. Precisamos verificar isso antes do verão para solucionar”, concluiu Ferreira.
A expectativa agora gira em torno da liberação dos dados da pesquisa da CDL. O resultado deve servir como o principal termômetro para balizar as negociações entre a classe lojista e a Prefeitura de Guarapari na busca por uma solução definitiva para a mobilidade urbana da cidade.










