Mesmo ainda não legalizadas, as vans transportam passageiros clandestinamente entre diversos bairros já há algum tempo. Mas no verão elas expandiram o serviço e estão  realizando o transporte intermunicipal.

Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte, o serviço clandestino tem sido realizado entre os municípios litorâneos não apenas por vans, mas também por carros de passeio que abordam os passageiros nas proximidades das rodoviárias e nos pontos de ônibus.

De acordo com o sindicato, as vans e carros de passeio estão realizando transporte clandestino de passageiros em diversos municípios litorâneos. Foto: Whatsapp

Ainda de acordo com o sindicato, o valor da tarifa chega a ser cerca de 50% menor do que o cobrado pelo transporte regular e isso acaba atraindo os passageiros. Porém, o sindicato alerta para os riscos. “O passageiro não sabe como está a condição do veículo que está andando e nem se a pessoa que está dirigindo é preparada, se tem experiência e bons antecedentes. Já no transporte legal passa por uma série de normas como, por exemplo, a vistoria e  as empresas precisam ter todo o histórico do motorista”, afirmou o secretário do sindicato, Jaime De Angeli.

Além de por em risco a segurança dos passageiros, o sindicato alega que esse tipo de serviço gera prejuízos para as empresas e pode reduzir a oferta de linhas. “Como a demanda de passageiros acaba reduzindo vai chegar ao ponto em que as empresas vão diminuir os horários das linhas e aí quem precisa do transporte pode perder porque o serviço vai piorando cada vez mais”.

Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte, as vans chegam a cobrar até 50% menos do que o valor da tarifa dos ônibus. Foto: Whatsapp

Jaime também ressaltou que além da segurança, o transporte regular oferece outras vantagens aos passageiros. “Quando diminui a demanda eles somem. Já o transporte coletivo roda mesmo naquele horário que tem poucos passageiros. A gratuidade eles também não têm”.

Segundo ele, o sindicato já realizou denúncias no Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que é o órgão responsável por fiscalizar o transporte irregular nas rodovias estaduais, mas falta fiscalização para inibir a atuação do serviço clandestino.   “No passado a fiscalização do DER era muito mais efetiva, então inibia a proliferação desse tipo de serviço. Agora com o relaxamento da fiscalização está assim. Só a fiscalização vai resolver isso”, lamentou o secretário geral do sindicato.

O Portal 27 procurou o DER para saber porque as ações de fiscalização não tem sido realizadas e recebeu a seguinte resposta: “o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-ES) informa que as equipes de fiscais estão presentes em todo o Estado para inibirem e autuarem motoristas que praticam o transporte clandestino, entre outras irregularidades.

 Nos dois últimos meses de 2017, na Região Sul, foram realizadas 32 operações, que resultaram em nove autuações. As operações do DER só podem ser realizadas em rodovias estaduais, não cabendo ao Departamento a fiscalização em vias municipais, como no caso das proximidades das rodoviárias da cidade e que geralmente são os locais onde ocorrem o aliciamento do passageiro por parte do motorista clandestino.

 Entre os veículos, o DER só tem poder para fiscalizar aqueles a partir de 9 lugares. Veículos de passeio de até 8 lugares não podem ser fiscalizados pelo DER. Uma dificuldade para se flagrar o transporte clandestino em vias estaduais também se deve ao fato de, quando há uma operação em andamento, os motoristas notam a presença das equipes e avisam a outros condutores da presença da fiscalização na área, dificultando a ação dos fiscais.

 As denúncias que os fiscais recebem são aproveitadas para a realização de blitz. DA mesma forma que, caso o sindicato apresente o protocolo das denúncias que, segundo eles, fizeram ao DER, poderei rastreá-la e saber do andamento/resultado”.

 

 

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