Uma morte que poderia ter sido evitada. Uma morte por negligência. Esse é o sentimento de amigos e familiares com relação ao caso de Willis P. Silva. Depois de um acidente (Confira aqui) de moto aparentemente simples, em que quebrou o fêmur, Willis, com apenas 24 anos, não resistiu e morreu.

De acordo com amigos que presenciaram todo o sofrimento do jovem, ele teria morrido por negligencia médica e péssimo atendimento. “Eu acompanhei tudo. Ele ficou quase duas horas no asfalto esperando atendimento. Depois foi levado pelo Samu para o Upa. O médico nem sabia que ele tinha quebrado o fêmur, eu que avisei. O médico achou que fosse a bacia”, explica Davi Rodrigues, amigo de Willis.

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Willis, com 24 anos, morreu depois de passar mais de 4 horas no UPA de Guarapari.

Revoltado, Davi explica que seu amigo não recebeu o atendimento devido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Guarapari. “Isso foi uma sacanagem. Mais de uma hora para poder atender e depois mandaram ele para Vila Velha em um ambulância sem nada, sem os equipamentos necessários”, explicou.

Ainda de acordo com Davi, ao avisar ao médico que Willis estava sentindo muita dor e pedir algum sedativo, recebeu como resposta:  “Lógico que ele está sentindo dor. Ele está todo quebrado”, disse o médico.

Segundo Davi, Willlis morreu no meio do caminho. “Pouco depois de passar do pedágio recebemos a ligação de um amigo que o acompanhava, dizendo que ele havia morrido. Ele ainda tentou fazer uma respiração, ressuscitar, mas não teve jeito”, explicou.

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Willis ficou aguardando o atendimento do Samu no asfalto. Foto Roberta Bourguignon.

Revolta. A prima de Willis, Jânia Vilela, afirma que a revolta na família e grande. “Na tenho nem palavras. O que fizeram com ele, não se faz nem com um animal, com um cachorro. Colocaram ele no chão de uma ambulância, não tinha maca e nem um balão de oxigênio”, disse visivelmente emocionada. “Era um jovem maravilhoso, filho único e amava demais os pais. Tinha acabado de terminar a faculdade, estava cheio de sonhos. Estamos todos muito abalados”, disse ela.

De acordo com Jânia, os pais de Willis estão muito abalados. Pessoas de idade, eles estão à base de remédios. “Eles estão perdidos, sedados”, diz ela.

“Ele não morreu. Mataram ele”

Negligência. A família acusa o UPA de negligencia e estaria reunindo as provas sobre o ocorrido. “Chegou a hora de isso acabar. Ele não é o primeiro, mas pode ser o último”, diz Jânia. “Ele não morreu. Mataram ele”, desabafa.  “Estamos esperando esse momento de dor passar, mas já estamos reunindo documentos, pessoas, testemunhas, para provar o que aconteceu com meu primo. Foi um absurdo”, afirma ela.

Ainda de acordo com Jânia, a família vai fazer de tudo para punir o responsável pela negligencia na morte do seu primo. “Eles vivem dizendo que temos saúde em Guarapari, mas não estão equipados para atender um morador da cidade. Meu primo ficou das 13 às 17 horas no UPA. Nós vamos até o final para descobrir quem foi o responsável”  , disse.

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Willis ficou no UPA mais de 4 horas.

Resposta. Procurada, a secretaria Municipal de Saúde, respondeu a imprensa que “O paciente deu entrada na UPA 13:45, após resgate realizado pelo SAMU, chegando à unidade municipal completamente lúcido. Na unidade, o paciente conversou com os médicos após raio-x, foram identificadas várias fraturas além de algumas escoriações. Após contato com o Hospital Bezerra de Farias, o paciente foi medicado e transferido. Já nas proximidades do hospital o paciente veio a óbito.

No Bezerra de Farias a equipe médica questionou o procedimento realizado pelo SAMU (dotada de ambulância UTI móvel) que, dada a distância do UPA de Guarapari e a gravidade do acidente, deveria ter encaminhado o acidentado diretamente ao hospital.

Ou seja a ambulância de urgência e emergência do SAMU deveria ter realizado o transporte do paciente diretamente ao Bezerra de Farias e não, à UPA.

O município, dentro de sua competência, realizou todos os procedimentos necessários assegurar o transporte do paciente com os melhores equipamentos disponíveis.

Compete ao município disponibilizar as ambulâncias para o atendimento básico sendo, ambulâncias de média e alta complexidade, de responsabilidade do Estado, representado no caso, pelo SAMU”.  Diz parte da nota da assessoria.

Estado. Nossa equipe tentou ontem por diversas vezes falar com o Hospital Bezerra de Farias em Vila Velha, mas não  conseguiu. Posteriormente, conseguimos falar com a assessoria da Secretaria do Estado da Saúde, que nos mandou uma pequena nota dizendo que:

“A Secretaria de Estado da Saúde informa que o paciente foi atendido pelo Samu 192 e encaminhado para UPA de Guarapari. Informa ainda que não consta solicitação de transferência do paciente na Central de Regulação de Vagas. O paciente deu entrada no Hospital Estadual Antônio Bezerra de Farias em óbito”.

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