Em mensagem ao governo do estado do Espírito Santo e ao Ministério da Justiça, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) solicitou providências urgentes para cessar a agressão que vem ocorrendo rotineiramente contra jornalistas na cobertura de manifestações sociais. Nas últimas 3 semanas 5 profissionais foram vítimas da violência policial. Na avaliação da direção do Sindicato dos Jornalistas do Espírito Santo o Governo do Estado não controla mais a polícia.

No dia 13 de julho a jornalista Bárbara Hora, assessora da deputada federal Iriny Lopes (PT/ES), cobria manifestações para redes sociais quando foi abordada e jogada ao chão por vários policiais militares. Ao pegar o celular para ligar para alguém vir salvá-la foi presa e levada para os carros do Batalhão de Missões Especiais (BME) parados em frente ao Palácio do Governo.

Barbara ficou detida várias horas sob a acusação de desacato aos policiais, sendo liberada somente após a intervenção da Comissão Estadual de Direitos Humanos e da presidente da Comissão Nacional de Ética dos Jornalistas, Suzana Tatagiba. Cenas da agressão foram postadas na internet.

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Barbara Hora foi abordada e jogada ao chão por vários policiais militares.

Também no dia 13, dirigentes dos Sindicatos dos Jornalistas, dos Radialistas e do Observatório da Mídia da Universidade Federal do Espírito Santo ( Ufes) estiveram reunidos com os secretários estaduais de Segurança Pública e de Comunicação. Ouviram do secretário de Segurança, André Garcia, que os jornalistas teriam segurança nas coberturas e que todo “cidadão capixaba” poderia filmar e registrar as manifestações e seus equipamentos não seriam tomados pela polícia e nem eles correriam risco de prisão.

A promessa do secretário caiu no vazio 2 dias depois, quando durante nova manifestação a polícia atirou para todos os lados, sem distinguir manifestante, população e trabalhadores. “A situação está fora de todos os limites. Recentemente uma bomba estourou em cima de uma repórter fotográfica que machucou o seio. No mesmo dia uma bala de borracha raspou o rosto de um repórter da TV Capixaba e anteriormente duas repórteres do Jornal A Tribuna foram atingidas com balas de borracha, inclusive uma delas na cabeça”, relata Suzana Tatagiba.

Segundo a dirigente, o diálogo das entidades sindicais com a equipe do governador Renato Casagrande (PSB/ES) está suspenso. “Não adianta, pois nada do que é prometido é cumprido”, reclama a sindicalista, que teme que a violência se repita na cobertura de novas manifestações. “Os jornalistas já estão falando em parar de cobrir as manifestações e querem discutir uma paralisação”, adianta.

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