Entre os séculos XIX e os anos 50 do XX os centros urbanos foram lotados por diversas manifestações artísticas, sendo em sua maioria estátuas e bustos de pessoas tidas como de importante vulto social. Essas manifestações são caracterizadas por muitos historiadores da Arte, filósofos e artistas como uma espécie de apoderamento pelas elites do espaço público e também como uma forma de manutenção do domínio de grupos políticos, famílias, organizações, uma vez que a monumentalização é uma forma de eternizar a memória.

Quando as obras de Arte estão ligadas por algum laço afetivo à população local são amplamente defendidas e tratadas com afeto impar, pouco importando as questões estéticas que a circundam, pois a Arte pública deve expressas, antes de tudo, afinidades e atividades. Em Guarapari temos casos muitos emblemáticos nesse sentido, como é o caso do Tigrão que, mesmo não tendo a pretensão de ser um objeto de Arte, criou um profundo laço com a comunidade local.

Dessa vez o foco é a polêmica “arapuca” armada na praça Philomeno Ribeiro, popularmente conhecida como praça da Itapemirim, ou de Muquiçaba.

Um exemplo que destoa dessa afinidade popular era a estátua do então Padre Anchieta na nossa vizinha cidade do mesmo nome e que virou uma expressão concreta da disputa entre os dois grupos políticos que a mais de duas décadas disputam o poder. Assim que um adversário vencia uma eleição, uma modificação era feita no monumento cuja identidade social era nula, até que a própria população, após inúmeros atos de vandalismo se encarregou de bani-la de vez.

Hoje Guarapari se vê mais uma vez envolto em uma polêmica ligada a Arte no espaço público. Dessa vez o foco é a polêmica “arapuca” armada na praça Philomeno Ribeiro, popularmente conhecida como praça da Itapemirim, ou de Muquiçaba. Obra essa casuística e provavelmente executada para atender algum interesse que não é o da população e que não possui nenhuma relação com a cidade, pois até mesmo o material usado em sua confecção não é o adequado as nossas características geográficas o que proporcionará um curto período de duração a um custo que para a maioria dos moradores poderia ter sido utilizado em outras prioridades mais necessárias.

Isso tudo acontece quando a maioria dos monumentos históricos da cidade estão ruindo, em péssimo estado de conservação e mesmo fechados, como é o caso da Casa da Cultura, prédio do século XVII que abrigou a primeira prefeitura e Câmara, de onde a biblioteca municipal teve que sair após a perda de parte do acervo devido a problemas no telhado. 

Nesse caso, a coerência pede lugar. Quem é o artista que assina o monumento já batizado popularmente como: a Arapuca?

Por José Amaral, Historiador.