Os deputados estaduais fizeram vários questionamentos aos representantes da Samarco, empresa mineradora que explicou sua política ambiental em reunião da CPI do Pó Preto nesta quarta-feira (22). O deputado Edson Magalhães (DEM), que não faz parte do colegiado, mas é ex-prefeito de Guarapari, área afetada pelas atividades da empresa, perguntou sobre a qualidade do ar na região e sobre os impactos causados no litoral de Meaípe.

CPI_Po_Preto_Baixa_22042015_ReinaldoC (4)“Temos uma estação de medição em Meaípe, a qualidade do ar de Guarapari está dentro da legislação da OMS, Conama e Iema, mas a Samarco entende que sempre pode avançar para ter práticas ainda melhores. Você nos procurou quando era prefeito e apresentou um projeto atraente, nós fizemos um estudo oceanográfico e ele não demonstrou que as atividades da empresa causassem erosão em Meaípe”, argumentou o diretor-presidente da empresa, Ricardo Vescovi de Aragão.

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Deputado Edson perguntou sobre a qualidade do ar na região.

O presidente da CPI do Pó Preto, Dr. Rafael Favatto (PEN), perguntou se existia algum estudo de correlação entre a manutenção do calado do porto de Ubu e a erosão em Meaípe. “Fazemos a dragagem de manutenção a cada quatro anos, autorizada pelo Iema e pela Marinha, não há interação entre o porto e a erosão. Também existe erosão em outros pontos do Estado onde não tem portos operando. O estudo mostrou que não há relação”, respondeu Kleber Terra, diretor de Operação e Infraestrutura.

O deputado Almir Vieira (PRP), que tem residência em Anchieta, disse que as comunidades reclamavam bastante do pó, apesar dos investimentos realizados, ele perguntou quem monitorava a empresa responsável pelas seis estações de monitoramento e quem pagava a mesma.

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Presidente da CPI do Pó Preto, Dr. Rafael Favatto (PEN), explicou detalhes da CPI aos jornalistas.

“As estações são automáticas, conduzida pela CP+, os dados são validados pelo Iema, a Samarco não tem o gerenciamento. O TCA mandou um firmar um convênio, acontece que tivemos algumas dificuldades burocráticas para fazer isso, foi até registrado em ata, corria até o risco de furto de equipamento, então propomos contratar uma empresa. A Samarco paga pelo serviço, mas não tem nenhum interesse em gerir”, garantiu o gerente-geral de Meio Ambiente, Márcio Perdigão.

Dr. Rafael disse que CPI tinha recebido denúncias de que eram lançadas no mar e na lagoa Maimbá rejeitos, e que até a coloração dela era mais enegrecida. “A lagoa talvez seja a mais estudada do Brasil, não fazemos descarte de material pesado, não faz parte do nosso processo produtivo, não utilizamos mercúrio, chumbo e cádmio. Antes do descarte da água pra lá ela é tratada, nosso descarte é importante, porque ela recebe praticamente só água da gente e da chuva, ela praticamente não tem nascente, pois foi separada do mar pela Rodovia do Sol”, salientou o diretor-presidente.

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Empresa mineradora que explicou sua política ambiental em reunião da CPI do Pó Preto nesta quarta-feira

O deputado Gilsinho Lopes (PR) utilizou o painel digital do plenário Dirceu Cardoso para apresentar vídeos e fotos que mostravam parte do sistema de tratamento de água da empresa, o lançamento de fumaça na atmosfera e o pó preto na casa dos moradores da região. O parlamentar pediu explicações aos representantes da empresa sobre o conteúdo do material.

“Não é um descarte direto (de água), tem uma área que temos uma estação de bombeamento, e é feita por tubulação pra sair da barragem Norte”, disse Kleber. “Reitero a importância de conhecerem nossa instalação. Aquilo é um efluente industrial, aproveitado dentro do processo, todas as fotos e filmagens foram feitas dentro da Samarco. Fazemos anualmente cerca de três mil análises de água, temos vários pontos de monitoramento na Maimbá. Nos últimos dez anos foram mais de vinte estudos na lagoa. O monitoramento é feito por uma empresa contratada pela Samarco e enviado para o Iema. Podem ser auditadas todas as informações”, assegurou Márcio.

Minério de ferro.
Deputados vão visitar a empresa para saber mais detalhes.

 

O relator da CPI, deputado Dary Pagung (PRP), questionou sobre o uso de água pela empresa, e se ela captava água do rio Benevente. “Água sempre foi nossa preocupação desde o início das operações. Temos que respeitar nossas outorgas, ao longo do tempo fomos reduzindo cada vez mais, e nosso plano é reduzir em mais 30% o consumo. A mineração vai onde o minério está, na região onde atuamos tem bacias hidrográficas, e nos comprometemos a ajudar a preservar. Não usamos água do Benevente, ela vem misturada com minério de Minas, quando chega aqui separamos, e parte dela abastece a usina de Ubu, o excedente é tratado para a lagoa”, completou Márcio.

Ao final da reunião, o presidente da CPI parabenizou os representantes da Samarco pelas explicações e anunciou a data da visita à empresa. “Foi a primeira empresa que veio aqui, reconheceu o problema, disse que está tratando. A comissão se sente plenamente contemplada. Vocês em nenhum momento se furtaram em acabar com a poluição que aflige a população de Anchieta. No dia oito de maio, às 9 horas, visitaremos a empresa”, finalizou.

Fonte: Gleyson Tete/Web Ales

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