O baile de formatura é um dos momentos mais esperados pelos universitários, já que marca a concretização do sonho de ter o diploma de nível superior. Mas na manhã desta sexta-feira, dia 27 de janeiro, o sonho virou um pesadelo para estudantes de pelo menos 12 turmas da faculdade Pitágoras, que contrataram a empresa Rumin Eventos para realizar o serviço e descobriram que a empresa não funciona mais e não vai cumprir com o contrato.

Universitários lesados pela empresa Rumin Eventos. Foto: Rafaela Patrício

Para tentar solucionar o problema, dezenas de estudantes compareceram na delegacia da cidade para prestar queixa contra a empresa. A estudante de pedagogia Tatiely Jesus Oliveira, de 23 anos, é uma das pessoas lesadas. Ela explicou que terminou a faculdade em dezembro de 2016 e que a festa aconteceria em março.

Segundo ela, até dezembro a empresa mantinha contato normalmente com os alunos e pediu a quitação das parcelas para imprimir os convites, mas agora os responsáveis pela empresa sumiram.“Todos que estavam interessados em fazer, começaram a quitar a dívida e aqueles que vinham pagando durante quatro anos terminaram de pagar. O que aconteceu é que durante essa semana ouvimos o boato de que eles tinham sumido e fechado as portas, e parece que agora é verdade”.

Ela disse ainda que “o líder da turma correu atrás, foi ver se eles estavam na empresa e estava fechada. O telefone eles não atendem. Os funcionários falaram que estão no mesmo barco que a gente porque eles não falaram nada, foram demitidos e ninguém fala nada. Procuramos as redes sociais deles e foram apagadas, não temos contato nenhum. Nós estamos aqui para que  averiguem o que aconteceu porque eles não dão parecer a gente. Nós procuramos saber onde eles estão, se realmente vai acontecer a festa ou não porque foram R$ 3.500 de cada pessoa”.

Universitária lamenta sonho perdido. Foto: Rafaela Patrício

A universitária afirmou que os estudantes decidiram procurar primeiro a polícia para que o caso seja investigado antes que a empresa abra falência. “Caso eles decretem falência a gente vai perder nosso dinheiro. Então viemos aqui para que eles averiguem a situação. Temos que ter a posição deles porque tivemos a responsabilidade de pagar e eles tem que ter com a gente também”.

“Não tenho nem palavras para expressar o que estou sentindo. Foi um sonho que eles tiraram da gente. Um sonho de muitos anos que acaba em minutos. É uma perda assim com uma dor terrível. Até agora não tivemos nenhum retorno. Era o sonho da minha vida, agora não sei o que fazer. O que vai ser da gente? Cadê esse sonho que não vai ser realizado ?”, cobrou a estudante de pedagogia Beatriz Batista Brandão Dias.

Fabiana Matoso Nolasco, de 42 anos, acabou de se formar em pedagogia e faz da comissão de formatura. Ela afirmou que “a firma que trabalha para eles mandou um e-mail falando que a empresa decretou falência. Ele mesmo não se manifestou. Está tudo gasto com as roupas e não temos resposta de mais nada. A pior sensação é essa. Eu via muito na televisão sobre isso, mas nós nos sentíamos seguros porque estava acertado dentro da faculdade, por isso, não acreditamos que iria acontecer conosco. Acabou que esse sonho foi frustrado. Ele acabou com o nosso sonho, mas nosso brilho não porque nós concluímos o curso”.

Formanda mostra contrato e cobra posicionamento da empresa. Foto: Rafaela Patrício

Segundo Fabiana, várias turmas de 12 cursos diferentes foram lesadas pela empresa. Ela disse que os estudantes também iriam cobrar um posicionamento da faculdade. “Vamos na faculdade para conversar com o diretor porque foi dentro da instituição e depois vamos procurar outros órgãos públicos para nos ajudar. Não é nem pelo lado financeiro, mas pela falta de respeito. Até semana passada ele conversou com a gente e agora sumiu todo mundo”.

O estudante de educação física Edmael Santos vai se formar em dezembro e a festa seria em março de 2018. Segundo ele, o curso de educação física teve quatro turmas lesadas e 90% do valor já estava pago. “Agora vamos tentar buscar nossos direitos perante a justiça e ver como a gente vai resolver da melhor forma isso aí. Fica a frustração porque sonhamos tanto com a formatura, que é o momento mais esperado pelos formandos e agora chega essa péssima notícia”, desabafou.

Um dos muitos contratos de prestação de serviço assinado pela empresa que não deverá ser cumprido. Foto: Rafaela Patrício

Eduardo Siqueira estuda engenharia elétrica e sua formatura seria no dia 10 de março. Ele afirmou que já estava terminado de pagar as parcelas e foi surpreendido com a notícia. “Estávamos pagando há três anos e a minha faltava duas parcelas para pagar. Acordar com essa notícia não é nada bom. O pessoal vai unir todas as turmas para vir fazer ocorrência e entrar com o processo”.

O Portal 27 tentou ouvir a empresa, mas nenhum dos telefones de contato retornaram nossas ligações. Nós também tivemos acesso a um comunicado da Rumim Eventos enviado para os estudantes em que a empresa fala que estava fechando as portas porque está passando por dificuldades financeiras.

No comunicado a empresa diz ainda que o momento de crise enfrentado por ela teve início quando a faculdade proibiu sua participação na cerimônia de colação de grau dos estudantes. Veja na íntegra, parte do e-mail:

” (…) Tal ato foi praticado até mesmo por alguns funcionários da instituição, que se prestaram ao papel  de ir pessoalmente nas salas de aulas divulgando essa informação e ate mesmo incentivando o NÃO pagamento. Assim o efeito foi devastador.
Atingimos um valor superior a R$300.000,00 de inadimplência. Tentamos de varias formas reverter essa situação com reuniões com comissões de formatura, cobrança efetiva, informações por  e-mail, whatsapp, e até mesmo desfazendo de bens pessoais como casa e automóvel e equipamentos para poder honrar com os compromissos. Lutamos por um ano inteiro!!! Mas, infelizmente não foi possível. Existem interesses maiores por trás dessa situação , oriundos também de empresas maiores e com grande poder nacional do ramo de formaturas”(…)

Uma fonte da faculdade, que pediu para não ser identificada, negou as acusações e informou que a empresa recebia duas vezes para realizar a colação de grau, uma dos alunos e outra da instituição, e que não tinha condições de atender os padrões exigidos pela faculdade para realizar a cerimônia oficial de colação de grau, por isso, uma nova empresa foi contratada.

A entrevistada explicou ainda que a Rumim Eventos cobrava pelo serviço dos estudantes e muitos não tinham condições de pagar e como a faculdade tem a obrigação de garantir a colação de grau de 100% dos estudantes a cerimônia oficial foi separada da realizada pela empresa. Disse ainda que a cerimônia oficial está mantida.

 

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