Um homem que se identificava como “delegado ambiental” foi preso na manhã de hoje (18) em Guarapari. João Batista Freitas, que se identificava como Delegado Freitas, alegava ser do Instituto Nacional de Defesa ao Meio Ambiente (Indama) e membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Ele chegou a atuar junto com a prefeitura em uma ação de fiscalização ambiental.

O falso delegado apresentava um carteira funcional, que a o polícia não encontrou registro em nenhum órgão ou associação pública, ela era inclusive vermelho, cor usada nas carteiras da Polícia Civil.

Freitas foi até a delegacia, em razão do corte das castanheiras, com um veículo caracterizado, com giroflex ligado, e se apresentou como Delegado Federal Ambiental para Marcos Nery, delegado da patrimonial que chegava para seu plantão.

Freitas usava o distintivo da federação e um colete de fiscalização, em seu carro havia um rádio comunicador e um giroflex. Foto: Cecília Rodrigues

Desconfiado, Nery investigou as informações passadas por Freitas, constatou que não tinham procedência e deu voz de prisão ao falso delegado. Ele foi preso por “usurpação de função pública” e “falsificação de selo ou sinal público”. Ele  será investigado por supostos benefícios que teria conseguido se apresentando como “delegado federal” do Indama.

O falso delegado chegou, inclusive a participar de ações junto da prefeitura. A Secretária Municipal de Comunicação Geórgia Gonçalves, foi ouvida na delegacia para testemunhar  sobre uma tentativa de extorsão à prefeitura.

“Em setembro de 2017 esse senhor esteve na Secretaria de Comunicação se identificando delegado federal ambiental, jornalista e pastor. Disse que teria ido lá inclusive por indicação de um senador, e disse que já tinha fiscalizado vários crimes ambientais em Guarapari e que gostaria de fazer um trabalho integrado com o município e no final da conversa me apresentou duas revistas e disse que poderíamos ficar a vontade para apresentar uma proposta de mídia para divulgação na revista. Eu disse que seria inviável, devido à processo burocrático, mas que ia conversar com a secretária de meio ambiente porque seria boa essa parceria”, disse Geórgia.

O suposto delegado chegou até a atuar em uma ocorrência de fiscalização junto com a prefeitura. “Chegamos a fazer algumas reuniões. A gente começou a traçar algumas ações de fiscalização e ele chegou a ir com a secretária de meio ambiente em ação que resultou numa prisão de um homem que cometia um crime ambiental”, conta.

Géorgia fala que começou a desconfiar da posição do delegado quando ele começou a insistir na publicação do anúncio. “Depois disso ele voltou a cobrar o anúncio e foi ficando cada vez mais incisivo. Comecei a desconfiar e foi pesquisar o que era Indama e descobri que não existe. Procurei o senador citado por ele e o político disse que não o conhecia. Procuramos o nome dele em todas as polícias e não encontrávamos nada”, afirma Geórgia.

Freitas usava também um carro caracterizado. Foto: cecília Rodrigues

De acordo com informações da Polícia Civil, o falso delegado tem passagens em Cachoeiro de Itapemirim pelo mesmo crime praticado em Guarapari. Freitas teve o carro, a carteira falsa, e outros objetos que usava para simular ser uma autoridade apreendidos e permanece detido no DPJ.

Devido as novas regras adotadas pela Polícia Civil em todo o Estado, não foi possível conversar com o detido.

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