
Aliados e integrantes da campanha do senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), vêm sinalizando a lideranças empresariais que o parlamentar pretende apoiar a revisão do fim da escala 6×1 caso seja eleito. A mensagem tem sido enviada a pedido do próprio senador a representantes do setor produtivo que cobram ajustes e modulação na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho no país.
De acordo com relatos de representantes do setor empresarial, a garantia dada pela campanha do candidato é de que eles “vão rever tudo na 6×1” em um eventual mandato presidencial. O movimento ocorre em meio às discussões sobre os impactos da mudança na rotina das empresas.
Estratégia Para Evitar Desgaste Eleitoral
Publicamente, o presidenciável não mencionou qualquer plano de alteração futura na medida. No entanto, interlocutores do senador explicaram a empresários que o posicionamento favorável à PEC no Congresso ocorreu para evitar desgaste eleitoral a 11 dias do segundo turno das eleições. O objetivo do grupo foi tirar a pauta da frente e impedir que o seu adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), capitalizasse o tema de forma isolada nas urnas.
Anteriormente, Flávio Bolsonaro classificava a proposta do fim da escala 6×1 como “oportunismo” do atual presidente. Contudo, o parlamentar mudou de postura e anunciou voto favorável, justificando que a decisão foi tomada para atender “à maioria da população”. A mudança na orientação do candidato fez com que a bancada de oposição no Senado se visse “sem saída”, acompanhando o voto sim para aprovação do texto.
Apesar dos acenos de bastidores, lideranças empresariais e senadores da oposição afirmam que ainda não há um detalhamento formal sobre como seria feita a reavaliação das regras ou qual modelo de revisão seria tecnicamente possível.
Reação Empresarial e Alternativas em Pauta
A oscilação no posicionamento do candidato gerou reações no meio empresarial. Em grupos reservados de mensagens, algumas lideranças do setor criticaram a alteração de postura de Flávio Bolsonaro, manifestando ressalvas de que o presidenciável “não sustenta” suas posições políticas.
Por outro lado, parlamentares alinhados à campanha indicam que o foco em um segundo momento será mitigar os impactos econômicos nos setores produtivos. Para isso, discute-se no Congresso a apreciação de uma nova PEC, apresentada pelo líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN). A proposta de Marinho sugere a criação de um regime de trabalho flexível, com remuneração calculada com base nas horas efetivamente trabalhadas.
Tramitação e Cenário Eleitoral
O Senado aprovou a PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas — sem redução salarial — na noite de quarta-feira (14). Como o projeto já havia cumprido etapa de votação na Câmara dos Deputados, o texto segue diretamente para promulgação pelo Congresso Nacional, em data que ainda será definida.
A votação ocorreu em um cenário político acirrado. Pesquisa Quaest indica que Flávio Bolsonaro aparece com 46% das intenções de votos totais, contra 44% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa de segundo turno.









