Na madrugada desta segunda-feira, dia 30 de janeiro, a recepcionista do Pronto Atendimento Cristina Lima foi agredida por um paciente que estava aguardando atendimento e sua namorada.

Segundo ela, o casal se exaltou e homem chegou a ameaça-la e de morte. “Eles estavam com a classificação verde, que não é urgência. O médico estava lá em baixo na hora, mas estava atendendo o paciente que estava na emergência. Aí eles não foram chamados e ele me perguntou se não tinha médico. Eu falei que tinha, mas que estava atendendo. Aí ele se exaltou dizendo que estava morrendo de dor e começou a gritar, me xingar, me ameaçou dizendo que iria me matar se eu não fosse atrás de um médico para atender ele”.

Unidade de Pronto Atendimento de Guarapari.

A recepcionista alega que tentou explicar que ela só era responsável por fazer a ficha e que eles teriam que aguardar o médico chamar, mas a confusão continuou e o rapaz chegou a pular o balcão da recepção. “Ele continuou exaltado e a namorada dele também começou a gritar, eles gritaram muito. Ele falou que iria matar todo mundo ali dentro, disse que iria pular o balcão da recepção e pulou por cima de mim. Foi lá para dentro e começou a xingar a técnica de enfermagem que estava lá dentro, ameaçou ela também e depois voltou, pulou novamente o balcão da recepção e continuou xingando”, relatou Cristina.

Ela disse ainda que o paciente continuou tentando forçar a entrada e quebrou a porta da sala de classificação de risco. “Como a porta de entrada estava fechada ele falou que iria entrar e chutou a porta da classificação, que é de madeira. A porta quebrou na hora. Ele entrou por lá xingou o enfermeiro e continuou lá falando que iria matar todo mundo. Nós chamamos a polícia assim que ele começou a se exaltar. A namorada dele falou que se ele fosse preso, não iria dar nada não porque ela tinha filmado todo mundo ali e eles iriam pegar todo mundo depois”.

Funcionários já pediram melhorias como segurança armada e a instalação de uma barreira de isolamento entre funcionários e pacientes.

O casal e a recepcionista foram levados para delegacia e lá as ameaças continuaram, mas após pagar fiança o casal foi liberado. “A namorada dele continuou me ameaçando. Fiz um boletim de ocorrência e ele foi autuado por desacato a funcionário público e dano ao patrimônio. Fixaram fiança para ele de R$ 300,00 ele pagou na hora e saiu rindo ainda da minha cara ele e a namorada”.

A funcionária do PA falou que “me senti humilhada. Primeiro fui sozinha para lá de madrugada. Fiquei lá sozinha com ela, que não conheço e não sei se é gente de bem. Fiquei humilhada porque os dois depois de fazer isso tudo saem de lá primeiro que eu e ainda rindo da minha cara”, desabafou.

INSEGURANÇA: Cristina trabalha no PA há 6 anos, mas já trabalhou na antiga unidade também. Ao todo está há 10 anos no pronto atendimento e revelou que casos de agressões são comuns no dia a dia dos funcionários e que agora está com medo. “É uma situação de medo a gente ficar lá trabalhando na UPA à noite sem segurança nenhuma porque à noite está lá cada um no seu canto trabalhando, a recepção fica mais vazia. Às vezes entre paciente e a gente tem que ficar lá na recepção. Entra todo tipo de gente e gente não tem nenhum respaldo de nada”.

Segundo ela, casos de agressões são comuns no dia a dia dos funcionários.

Ela relatou que os funcionários já pediram melhorias como segurança armada e a instalação de uma barreira de isolamento entre funcionários e pacientes. “Na última reunião com nossa chefia a gente pediu novamente que fosse colocado uma barreira entre nós e o paciente porque o nosso balcão é muito baixo e não tem nada. Isso seria tanto por uma questão de segurança como de saúde porque as pessoas ficam muito próximas da gente, mas até agora não foi feito nada. Me sinto totalmente insegura tanto eu quanto qualquer pessoa que trabalha ali. Mas o Conselho de Saúde alega que tem que ser assim porque do atendimento mais humanizado ao paciente. Meu questionamento é só os pacientes são humanos, nós funcionários não?”.

A Prefeitura informou que a Unidade de Pronto Atendimento não conta com o serviço de segurança desde o dia 07, devido ao contrato que não foi renovado pela administração anterior. No entanto, a Secretaria Municipal de Saúde já abriu processo de contratação desses profissionais de segurança, para que o quadro seja preenchido o mais breve possível. A Prefeitura informa ainda que, a Unidade conta com o patrulhamento ostensivo da Polícia Militar.

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