Nos últimos anos a população brasileira tem envelhecido com mais qualidade de vida e a ideia de idosos aposentados somente assistindo televisão e fazendo crochê ficou para traz. Hoje, os idosos ocupam espaços que antes era tido com exclusividade dos jovens.

César e Eunice não tiverem oportunidade de se formar na juventude, mas c foram persistentes e entram na faculdade depois de aposentados.

Bons exemplos dessa renovação na terceira idade, em Guarapari, são os aposentados César Dhaer, de 86 anos e Eunice das Graças de Souza, de 70 anos, que estão fazendo faculdade, cursando direito e administração na Doctum.

César voltou para a faculdade de direito mais 60 anos depois de tê-la trancado na juventude.

César, que já é bisavô, retoma o curso de Direito que trancou há 63 anos atrás. “Em 1955, cheguei a fazer o segundo ano de direito, mas logo tive que assumir os negócios da família, daí já vieram o casamento e os filhos, e só agora tive a oportunidade de voltar a faculdade”, conta o estudante.

César fala que o desejo de voltar a estudar surgiu depois que sua esposa faleceu. “Depois que fiquei viúvo, fiquei muito isolado, meus filhos têm suas responsabilidades e eu estava muito sozinho. Ainda tenho a saúde boa e queria viver esses anos de alegria, preencher com dignidade meu tempo”, comenta.

O idoso conta que prestou vestibular na mesma época que sua bisneta de 17 anos. “Acho que devo ser o único bisavô que fez vestibular junto com a neta, fizemos na mesma semana, ela ainda como experimental, mas nós dois passamos juntos”, diz.

Para César, a experiência de lidar com colegas de classe mais novos cerca de 60 anos é revigorante. “Conviver com a juventude deles me faz bem. Não tenho nenhuma dificuldade de estar com eles. Agora mesmo tem um colega de 22 anos estudando junto comigo na minha casa. Meu neto mais novo me dá até conselho para eu sair e aproveitar a vida com eles, ainda não estou nesse pique, mas quem sabe um dia”, ressalta César.

Na foto, o diretor da Doctum, Leanderson Cordeiro, e Eunice das Graças.

Eunice também representa bem o espírito de renovação dos idosos. Ela já está quase se formando em Administração e conta que guardou por 40 anos seu desejo de voltar a estudar. “Nem eu acreditava mais que eu ia dar conta. Já fiz vários cursos tecnólogos, de contábeis, magistério, secretariado. Mas estava parada há 40 anos. E assim que me sobrou um pouco de tempo e de dinheiro dei início ao meu sonho de me fazer uma faculdade”, afirma.

Ela fala que por conta do longo período afastada dos estudos, teve dificuldade no início, mas sem privilégios por conta da idade. “No início fiquei agarrada em algumas matérias, mas eu já falava com os professores que não queria ajuda, queria eu mesma fazer sozinha, para ver até onde eu conseguiria chegar, por mérito próprio, e hoje estar quase formada é uma vitória”, comenta orgulhosa.

Eunice diz que tem a cabeça jovem e afirma não gostar das atividades voltadas para idosos. Ela conta que recomenda para as amigas de sua faixa etária que façam faculdade. “Eu amo a minha faculdade e meus colegas. Para mim é um remédio, minhas amigas todas têm dor em todos os lugares, já eu não sinto nada. Falo para elas não procurarem esses negócios de terceira idade, eu não gosto, sou jovem para isso”, brinca a idosa.

O diretor da Doctum, Leanderson Cordeiro fala que a presença dos idosos na faculdade é uma excelente forma de troca de experiência entre gerações.

A Doctum, faculdade onde eles estudam, ressaltam que troca de experiências entre as gerações é benéfica tanto para os alunos idosos, quanto para os jovens. “Como instituição damos total apoio e nos sentimos orgulhosos em poder contribuir com a transformação de vidas independente da idade. Aprendemos muito com eles. São inspiração para muitos que estão no início de carreira e de vida. Isso mostra que a idade não pode ser um empecilho para realizar os seus sonhos”, disse o diretor Leanderson Cordeiro.