Na manhã desta segunda-feira (09), a prefeitura tentou continuar a retirada das árvores, dessa vez  a castanheira central da orla da Prainha de Muquiçaba. O serviço já havia sido iniciado pela Secretária de Obras, mas um movimento de moradores, com cerca de 100 pessoas, conseguiu impedir a retirada da árvore. No entanto, um corte profundo no tronco já foi feito.

O movimento de moradores conseguiu impedir que o corte completo da árvore fosse feito. Foto: Wilcler Carvalho.
A Polícia Militar Ambiental foi acionada no local sob a denúncia de que aquela árvore é o habitat natural de um pássaro e por isso ela não poderá ser retirada até que analisem o caso. Foto: Wilcler Carvalho.

No final da manhã, a Polícia ambiental foi chamada após receber denúncia que naquela árvore há um ninho do pássaro João de Barro. De acordo com informações da PM, a árvore não pode ser cortada caso seja o habitat de um animal e orientou a prefeitura que o corte não seja feito até se analise este caso.

Um corte profundo na castanheira já foi feito. Foto: Wilcler Carvalho.

Nesse momento a prefeitura aguarda a chegada dos bombeiros paras avaliar o risco de queda. Mas engenheiro do IDAF, Gilmar Gaigher, que está no local, fala que há possibilidade da árvore cair com o corte que já foi feito. “Já foi retirar uma boa parte da capacidade da árvore se manter em pé. Ela tem uma copa muito grande, uma árvore muito pesada, ela tem uma inclinação lateral e foi feita uma incisão que a gente não sabe a profundidade. Então a qualquer momento ela pode cair”, diz o engenheiro do IDAF.

O engenheiro do IDAf, Gilmar Gaigher, fala que tanto a capacidade de sesustentar de pé, quanto a saúde da árvore podem ter sido comprometidas pelo corte. Foto: Wilcler Carvalho.

Mesmo que a castanheira não caia, Gilmar fala que pelo tamanho corte parte da ela pode morrer. “Com o corte que foi feito diminui a capacidade da translocação de seiva, então já há um rompimento da raiz com o tronco. Provavelmente uma parte dela vai começar a morrer, mas pode ser também que ela se regenere, cada espécie tem suas capacidades”, afirma.

O engenheiro comenta que a prefeitura está respaldada por lei a retirar aquela castanheira por não se tratar de uma espécie nativa. “A prefeitura manifestou o desejo de suprimir essas árvores da Prainha. Como são árvores exóticas introduzidas na região, a legislação permite que ela seja suprimida. Então o IDAF deu autorização por não contrapor a lei e cabe a prefeitura suprimir ou não. Ela apresentou um projeto para a retirada dessas castanheiras  e a introdução de novas árvores, de forma coerente com o projeto apresentado”, explica Gilmar.

Cerca de 100 moradores impediram que a árvore fosse realmente retirada. Foto: Wilcler Carvalho.

Movimento. O movimento de moradores permanece no local para tentar evitar o retirada da castanheiras. Alguns vereadores também estão na Prainha, entre eles Rogério Zanon, que diz que vai criar um projeto de lei para tentar evitar mais cortes de árvores na cidade.

“Uma verdadeira atitude covarde contra a natureza . Nós já estamos com um projeto de lei lá na Câmara dos vereadores, sou contra a dispensa de interstício, mas vocês vão ver pela primeira vez em prol do bem ambiental de Guarapari, que quando esse projeto for para o plenário, vamos pedir a dispensa de interstício e votação de urgência, para que a gente possa tomar as devidas providencias diante a esses absurdos que estão acontecendo nesses cortes de árvores”, ressalta Rogério.

Thiago Paterlini complementa. “Um árvore centenária que eu não vejo motivo para retirá-la. Sou a favor da revitalização da Prainha, mas que o projeto venha se adequar a árvore, que seja feito deck em volta dela, para valorizar. Doutor Rogério vai protocolizar um projeto na Câmara para que todo corte de árvores passe por antes por aprovação da Câmara, é triste um corte de árvore ter que ser aprovado, mas infelizmente se tornou necessário”, afirma Thiago.

Denizart Luiz fala que os vereadores estão no local para tentar impedir o corte total da árvores. “Uma árvore centenária, que só traz benefícios para a população. Todos amam essa árvore, idosos, crianças. Essa é uma castanheira centenária, foi feita um calçadão e uma escada em cima do tronco da castanheira, as raízes não estão conseguindo respirar, foi um crime contra a castanheira e não ao contrário e agora eles querem retirar a castanheira para fazer uma revitalização. Existe um trabalho de urbanismo, obras junto com a natureza. Para que destruir? Eu não vejo motivo nenhum. A população está revoltada, ninguém quer o corte. São 18 castanheiras vão ser retiradas aqui da Prainha. É um crime ambiental e estamos aqui para tentar evitar qualquer maneira”, disse Denizart.

Lennon fala que retirar essa castanheira é um crime ambiental. “Sou morador da Prainha, cresci brincando aqui e conheço cada metro desse lugar. Não concordo com o corte das árvores, algumas que possam estar danificado prédios e casas a gente até releva essa situação, mas em relação a essa castanheira que não traz prejuízo a morador nenhum é um crime ambiental”, lamenta Lennon.

Prefeitura. A prefeitura fala que o corte de árvores da Prainha de Muquiçaba está licenciado e previsto no projeto de revitalização.”A Prefeitura de Guarapari informa que a Prainha de Muquiçaba está passando por uma revitalização de toda orla. Assim como já havia sido comunicado anteriormente pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agricultura (Semag) para essa supressão foram retiradas todas as licenças necessárias incluindo a autorização do Idaf.

É importante ressaltar que a retirada das árvores é um pedido antigo dos moradores da região, através da associação de moradores, pois as raízes invadiram casas, causando prejuízo.

Essa vegetação exótica invasora é passiva de supressão e um projeto de arborização já está sendo colocado em prática na cidade, diversas árvores que pertencem a vegetação nativa da região estão sendo plantadas, todas elas próprias para o núcleo urbano e não apresentaram problemas futuros para nossa cidade. Inclusive, depois da conclusão das obras, outras árvores que fazem parte do projeto serão plantadas no local“, afirmou a Prefeitura.

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