A morte de um homem no estacionamento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Guarapari no último sábado (13) chamou a atenção da população e deixou muita gente indignada. Nas redes sociais as reações foram diversas, mas a maioria dos comentários eram de desconforto com a reposta da prefeitura sobre o caso.

De acordo com a resposta dada pelo município de Guarapari para o caso, existe um protocolo do conselho Regional de Medicina (CRM) e do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) que “não permite que os funcionários prestem atendimento fora da Unidade de Saúde na qual estão lotados”.

O homem morreu a poucos metros da recepção da Upa de Guarapari. foto: João Thomazelli/Portal 27
O homem morreu a poucos metros da recepção da Upa de Guarapari. foto: João Thomazelli/Portal 27

Fomos então em busca das explicações dos conselhos para esta situação. Conversamos por telefone com o corregedor do CRM d o Espirito Santo, doutor Thales Limeira que foi enfático em afirmar que o homem deveria sim ter sido atendido, mesmo estando fora da Upa.

“Não existe no CRM documento que diga que não se pode atender alguém que esteja passando mal na rua. Inclusive isso é crime, considerado omissão de socorro, além de ferir o código de ética da profissão. Um médico que se recuse a dar tratamento a uma pessoa pode até perder o registro”, declarou o corregedor Thales Limeira.

homem morre no estaciomamento da upa
Mesmo com moradores pedindo ajuda, funcionários da Upa não prestaram socorro. Foto: João Thomazelli/Portal 27

O médico disse ainda que se alguma denúncia for feita alguma ao CRM uma sindicância poderá ser instaurada para apurar se algum médico que estava de plantão no dia teve responsabilidade no caso.

“Verificada a responsabilidade de algum médico, o profissional pode sofrer vários procedimentos punitivos que vão desde advertência privada, passando por suspensão de um mês na atividade ou até a revogação do registro do médico no conselho”, explicou.

Coren

Já o conselho Regional de Enfermagem (Coren) nos enviou um nota em resposta ao e-mail da redação. No e-mail eles afirmam que não entendem que tenha havido omissão de socorro no caso. Leia a nota na íntegra:

“O Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren-ES), entende que os fatos narrados não caracterizam omissão de socorro por parte dos profissionais de enfermagem, uma vez que o paciente não estava nas dependências da UPA. O Coren-ES avalia que os profissionais de enfermagem não devem deixar o local de trabalho para prestar atendimento em via pública. Essa atribuição é do Serviço Móvel de Urgência (Samu 192)”.

Identificação

Até a manhã de hoje, o homem que morreu no estacionamento da Unidade de Pronto Atendimento de Guarapari não havia sido identificado.

Se o fato persistir, “o corpo fica no DML por um período de 30 dias para reconhecimento. Caso não haja identificação, dentro desse prazo, é feito coleta de DNA, coleta de impressão digital e fotos da vítima – caso apareça alguém da família após o enterro. O corpo de indigentes normalmente é enterrado no cemitério do município em que foi encontrado ou em outro local que tenha vaga”, informou a Secretaria de Estado de Segurança Pública .

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