Cerca de 140 funcionários da empresa Vetor, uma empreiteira da Samarco que atua na unidade de Ubu, em Anchieta, estão passando por momentos difíceis. Eles reclamam da falta de respeito da empresa, que está em dívida com os funcionários.

Foto: Gessika Avila/Portal 27
Os funcionários reclamam da falta de respeito da empresa, que está em dívida com eles. Foto: Gessika Avila/Portal 27

Daniel Prado da Silva é um dos funcionários prejudicados pela empresa. Ele alega que o ticket alimentação está atrasado, o plano de saúde foi bloqueado, o aviso prévio assinado pelos funcionários venceu no último dia 10 e não foi pago até o momento e a participação nos lucros e resultados (PLR) da empresa, a qual foi acordada entre funcionários, empresa e sindicato, vence hoje (15) e ainda não foi depositada.

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“Estamos sem dinheiro. Está difícil”, desabafa Daniel. Foto: Gessika Avila/Portal 27

“Assinamos uma rescisão, que venceu no dia 10, e até o momento a empresa não se pronunciou e não pagou. Fora atraso de ticket alimentação, nosso plano de saúde está bloqueado… Estamos sem dinheiro. Está difícil”, desabafa.

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“A única coisa que eles tinham que fazer é dar um parecer para a gente, falar o que está acontecendo”, diz Lucas. Foto: Gessika Avila/Portal 27

Outro funcionário da empresa, Lucas dos Santos, ainda acrescenta: “Estamos com dívida atrasada, gente passando fome em casa. Nós já passamos a nossa situação para o Sindicato. A empresa fala uma coisa e não cumpre. A única coisa que eles tinham que fazer é dar um parecer para a gente, falar o que está acontecendo. Eles disseram para o Sindicato que não tem dinheiro para pagar. Eu acho que do mesmo jeito que nós levamos nossos documentos lá para fichar, por que não pode vir alguém da empresa conversar com a gente? Um erro deles é esse. Falta de respeito”.

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Marcos chegou a ser atingido na nuca por um bloquete de cimento quando prestava serviço para a empresa em Governador Valadares. Foto: Gessika Avila/Portal 27

Eles ainda contam que prestaram serviço para a empresa entregando água em Governador Valadares (MG), onde fizeram horas extras e não receberam integralmente por elas. Um deles, Marcos Ferreira Pinto, chegou a ser atingido na nuca por um bloquete de cimento.

“Jogaram um bloquete, que pegou na minha nuca. Eu caí, desmaiei na hora. Eles não estavam me visando, mas uma mulher pegou o bloquete de cimento maciço e arremessou, me atingindo na nuca. Nós trabalhamos lá distribuindo água sem segurança nenhuma”, relata.

Sindicato

O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Espírito Santo (Sintraconst-ES) já está ciente da situação dos funcionários da Vetor.

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O diretor regional do Sindicato falou do posicionamento da entidade. Foto: Gessika Avila/Portal 27

Paulo Sergio Duarte Fabiano, diretor regional do Sindicato, explica que: “A gente sabe que o que está acontecendo com a Vetor não é o que ela está passando para o trabalhador, porque ela não faliu, ela simplesmente está querendo dar um golpe nos trabalhadores. Nós entramos em contato com a Samarco e, segundo eles, já repassaram a verba para a Vetor, não estão devendo para a empresa. Nós vamos entrar com uma ação contra a Vetor, porque, segundo ela, não tem dinheiro para poder pagar a verba rescisória dos trabalhadores e quer dividir, parcelar em seis vezes, o que o Sindicato não aceita, não é conivente com esse tipo de prática. A gente sabe que ela não faliu, que ela tem dinheiro. Se o contrato dela com a Samarco acabar, ela simplesmente vai chegar para a gente, vai provar, mostrar que terminou o contrato e, aí sim, vai demiti-los e pagar a verba rescisória deles. Até então, ela não provou nada pra gente. E tem um TAC do Ministério junto com a Samarco, que fala que os trabalhadores da Samarco têm emprego garantido até abril e que a Samarco também vai repassar a verba para as suas contratadas. Então, se ela não terminou o contrato com a Samarco, ela tem que repassar e tem que manter o emprego dos funcionários. Agora ela veio com essa novidade aí, dizendo que não tem dinheiro para pagar a verba deles e a gente começou a mover a ação a partir de hoje já contra a Vetor. Hoje veio na faixa de uns 70, 80 trabalhadores aqui. Nós já botamos um advogado de plantão só para atendê-los, para começar a dar entrada nos processos deles”.

Empresa Vetor

Durante toda a tarde de hoje, nossa equipe tentou contato com a empresa Vetor, mas não obteve sucesso.

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