Guarapari também irá sofrer com a crise enfrentada pela Samarco devido ao rompimento das barragens em Mariana (MG), noticiado na semana passada. Depois das atividades da empresa terem sido completamente paralisadas no município atingido pela enxurrada de lama, a unidade de Ubu, em Anchieta, também está parada.

O Portal 27 conversou com o secretário de Desenvolvimento e Expansão Econômica de Guarapari, Danilo Bastos, para entender quais serão os impactos da paralisação da empresa na economia do município.

O secretário falou sobre os impactos da paralisação da empresa na economia do município.

Segundo Danilo, Guarapari irá sofrer impacto na arrecadação, pois diversas empresas do município prestam serviço à Samarco e recolhem seus tributos em Guarapari. “A gente estima que de 60 a 100 mil reais por mês nós devemos perder de arrecadação, quanto a baixa demanda de serviços de algumas empresas aqui no município”, explica.

Mas o secretário afirma que a maior preocupação é com o impacto indireto, que resulta, também, de alguns serviços que são consumidos pela Samarco, sem haver recolhimento de tributos em Guarapari, mas que fazem circular dinheiro no município.

“Também tememos quanto ao impacto social, porque diversas pessoas perderão seus postos de trabalho. Por enquanto, o que nos preocupa são os terceirizados, que já foram dispensados nesta semana”, diz Danilo.

praia do morro guarapari
Danilo afirma que Guarapari é altamente dependente do setor de comércio e serviços, que será abalado com o desaceleramento da economia no município.

Ele ainda acrescenta: “Nós calculamos que deixará de circular em Guarapari de 8 a 12 milhões e meio de reais a cada mês que a Samarco ficar de portas fechadas. Isso é um impacto econômico imenso, imensurável. Nós não conseguimos mensurar, por exemplo, quais setores vão ser impactados diretamente, porque, como eu falei, o impacto é indireto”.

Sem emprego, as pessoas devem diminuir os gastos com supermercado, salão de beleza, roupas, restaurantes, o que irá gerar uma desaceleração da economia de Guarapari. “Lembrando que 50,3% do PIB [Produto Interno Bruto] do município é gerado por comércio e serviços. Então, a nossa economia é altamente dependente desse setor”, ressalta o secretário.

Quanto aos prejuízos causados pelo ocorrido em Mariana (MG), Danilo comenta: “Agora, o que a gente precisa destacar é que, realmente, o impacto ambiental que esse acidente causou é imensurável. Só que o impacto social que o fechamento da Samarco traz para nós é ainda mais impactante. A gente tem que realmente se sensibilizar, tem que apoiar a empresa, para que ela consiga se recuperar”.

Foto: João Thomazelli/Portal 27

O secretário também reforça a responsabilidade social da empresa desde que começou a atuar no Estado. “A Samarco é uma empresa que, durante toda a sua atuação aqui no Espírito Santo, sempre teve uma responsabilidade social muito grande. Então, nós não acreditamos, em hipótese nenhuma, que eles vão fugir da responsabilidade deles. Ao contrário, a gente acredita que eles vão assumir essa responsabilidade, mas dentro da capacidade financeira que eles têm”.

Para finalizar, ele destaca a preocupação com a possibilidade de encerramento das atividades da empresa: “Se a empresa estiver fechada, sem produção, eles realmente não vão ter a capacidade de adimplir todo o impacto ambiental que foi causado, eles vão precisar liquidar o patrimônio da empresa para arcar com essa despesa. É isso que nos preocupa”.

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