Nove em cada dez escolas particulares pretendem reajustar mensalidades em 2027, indica pesquisa

Estudo aponta que 90% das instituições privadas vão aplicar reajustes acima da inflação, impulsionadas por custos trabalhistas, investimentos em segurança e educação inclusiva.

Faltando cerca de quatro meses para o início do próximo ano letivo, o planejamento financeiro das famílias já precisa considerar o impacto no orçamento com a educação. Uma pesquisa realizada pela Meira Fernandes Contabilidade e Gestão — consultoria que atende cerca de 1.500 instituições — indica que nove em cada dez escolas particulares pretendem reajustar suas mensalidades. Entre as instituições que elevarão os preços, 80,66% projetam correções com índices situados entre 7% e 11%.

O levantamento aponta que 44,2% das escolas estimam elevação entre 9% e 11%, enquanto 36,46% projetam índices de 7% a 9%. Apenas 0,5% das instituições consultadas declararam que pretendem manter os valores sem alterações.

Fatores que pressionam os custos escolares

De acordo com analistas do setor, a variação nas mensalidades costuma superar índices gerais de inflação, como o IPCA, devido à composição específica dos custos das instituições de ensino. Entre os principais fatores acumulados no orçamento escolar, destacam-se:

  • Folha salarial: Recomposições e reajustes estabelecidos em convenções coletivas de professores e funcionários;

  • Educação inclusiva: A implementação do Decreto 2.686/2025 exigiu investimento em profissionais de acompanhamento individualizado, formação de equipes e adaptação de materiais pedagógicos em 90,96% das escolas;

  • Segurança e tecnologia: Investimentos contínuos em infraestrutura de proteção e programas de cidadania digital;

  • Inadimplência: No primeiro semestre, 51,93% das escolas registraram atrasos entre 2% e 5% da receita. Para a virada do ano, 21,67% das instituições projetam inadimplência superior a 6%, período em que ocorrem despesas com 13º salário, férias e preparação do espaço físico.

Dicas de especialistas para negociar o reajuste

Apesar das pressões orçamentárias das instituições, especialistas em educação financeira indicam que os responsáveis podem adotar estratégias práticas para mitigar os impactos no bolso:

1. Negociação antecipada e presencial

Inicie as conversas logo no período de abertura das rematrículas. Marcar um encontro presencial com a direção ou o setor financeiro demonstra compromisso e dá margem de tempo para eventuais contrapropostas.

2. Argumento de bom pagador e tempo de casa

Historico de pagamentos em dia e o longo período de permanência do aluno na instituição são pontos fortes a serem destacados. Caso o valor integral fique inviável, proponha descontos temporários para o primeiro semestre, reavaliando as condições na metade do ano.

3. Descontos para irmãos e pagamento à vista

A presença de mais de um filho matriculado na mesma escola costuma garantir abatimentos entre 5% e 15%. Outra alternativa é propor a quitação da anuidade à vista em troca da isenção da taxa de matrícula ou do valor equivalente a uma mensalidade.

4. Pesquisa de concorrência e diálogo respeitoso

Conhecer a proposta pedagógica e os preços de até cinco colégios da região fortalece os argumentos no momento da conversa. No entanto, orienta-se manter um tom construtivo, elogiando a qualidade da escola e expressando o desejo de manter o estudante no estabelecimento sem criticar a instituição.

Compartilhe AGORA:

Picture of Redação

Redação

13 anos de compromisso com a notícia, de forma transparente, objetiva e cobertura responsável dos acontecimentos regionais e nacionais.
Acesse - www.portal27.com.br

Veja todos os posts deste autor >