
O Partido Liberal (PL) divulgou uma nota oficial nesta segunda-feira (26 de outubro de 2026) reconhecendo o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve a reeleição para mais quatro anos de mandato. O posicionamento do partido, assinado pelo presidente nacional Valdemar Costa Neto, ocorreu em meio a declarações do candidato derrotado, senador Flávio Bolsonaro (PL), que contestou a disputa, e a novos desdobramentos judiciais no Supremo Tribunal Federal (STF).
No comunicado, a direção do PL assinalou que aceita a proclamação das urnas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), embora entenda que questionamentos políticos devam ser debatidos de forma transparente. O documento aponta que Flávio venceu o primeiro turno com uma vantagem de 2,2 milhões de votos, mas atribui a alteração do quadro no segundo turno à ampliação de gastos com benefícios sociais às vésperas da votação. Ao mesmo tempo, o partido destacou o fortalecimento de sua representação política, ao eleger uma bancada de 121 deputados federais, 29 senadores, 229 deputados estaduais e distritais, e seis governadores.
Ações Judiciais e Mudança de Discurso de Flávio Bolsonaro
Na noite de domingo (25), após a consolidação da apuração que deu a vitória a Lula com 51,79% (mais de 64 milhões de votos) contra 48,21% de Flávio (59,8 milhões de votos — uma diferença de 4.430.191 votos, superior à margem da eleição de 2022), o senador chegou a declarar publicamente que pediria a anulação do pleito. Ele alegou falsamente que fiscais de sua sigla teriam sido retirados da sala-cofre do tribunal, acusação prontamente desmentida pela Justiça Eleitoral.
Nesta segunda-feira (26), em vídeo publicado em suas redes sociais, o candidato alterou o foco do discurso e anunciou que acionará o TSE para pedir a cassação da chapa formada por Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin (PSB). Flávio sustenta ter havido abuso de poder político e econômico, com utilização de recursos públicos e a criação de uma estrutura para veiculação de informações falsas.
O senador voltou a criticar a prorrogação do horário de votação por duas horas no dia do pleito, determinação proferida pelo ministro do STF, Cristiano Zanin, em virtude de restrições registradas no transporte público em diversos municípios. Levantamento com dados do TSE apontou que 34,3 mil votos foram depositados após as 17h, montante inferior à margem de mais de quatro milhões de votos que definiu a disputa.
Intimação da Polícia Federal e Medidas Cautelares
Também na manhã desta segunda-feira (26), a Polícia Federal cumpriu ordem judicial do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e intimou Flávio Bolsonaro a entregar seus passaportes comum e diplomático no prazo de 24 horas. A decisão proíbe o parlamentar de deixar o território nacional e veda qualquer comunicação com o advogado Willer Tomaz.
As determinações ocorrem no âmbito de um processo que investiga Flávio e Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro, focado no compartilhamento de uma conta bancária no banco Santander e em desvios decorrentes de verbas de aposentadorias. Moraes já havia determinado anteriormente o cancelamento do passaporte do advogado, medida que aguarda sua ida ao país para ser executada, visto que ele se encontra no exterior.
Em manifestação nas redes, Flávio afirmou ter sido intimado no meio da rua após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador informou que cumprirá a determinação de entrega dos documentos, negou ter qualquer intenção de deixar o país e classificou a medida como uma tentativa de intimidação. Ele acrescentou que a fundamentação do STF utilizou uma declaração de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), dada em 23 de outubro a um programa norte-americano, na qual sugeria que o irmão deixasse o Brasil em caso de derrota. As defesas do senador e do advogado negam todas as acusações.
Repercussão Internacional e Resposta do Governo
O resultado do pleito brasileiro gerou repercussão na política externa. Em entrevista a jornalistas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou a organização da votação e a prorrogação do horário de encerramento do pleito. Trump declarou ter achado o processo “estranho” e que “pareceu fraudado”, embora tenha ressaltado que não governa o Brasil e que possui uma boa relação pessoal com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva.
Em resposta às declarações da autoridade norte-americana, o vice-presidente reeleito Geraldo Alckmin classificou a opinião de Trump como “totalmente equivocada” e defendeu que a não ingerência em assuntos internos é uma regra fundamental da diplomacia. Alckmin destacou que o sistema de urna eletrônica do Brasil é uma referência internacional de segurança jurídica e ressaltou que as divergências comerciais com os Estados Unidos — como o tarifaço aplicado a produtos brasileiros — vêm sendo contornadas pela expansão de acordos bilaterais do Mercosul com Singapura, União Europeia e Canadá.
Antes do pleito, em 24 de setembro, um grupo formado por 31 parlamentares do Partido Democrata dos EUA havia enviado uma carta formal à Casa Branca acusando o governo Trump de tentar interferir no processo eleitoral brasileiro em favor de Flávio Bolsonaro. Entre os pontos criticados pelos congressistas norte-americanos estavam a aplicação de tarifas alfandegárias a mercadorias do Brasil e a imposição da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.









