Audiência Pública da Comissão de Política Antidrogas (CPAD) foi realizada na noite de segunda-feira (26) na Câmara Municipal. O objetivo da reunião foi coletar informações iniciais para estabelecer políticas públicas de combate ao consumo de drogas na cidade e tratamento dos dependentes químicos.

A Comissão foi criada diante da preocupação dos vereadores com os dados referentes ao consumo de drogas no município e em todo o país. Foi aprovada na sessão de março, tendo como presidente o vereador Gedson Merízio (PSB), relator Oziel Pereira  (PPS) e membro o vereador Thiago Paterlini (PMDB). Com o intuito de preservar as crianças e adolescentes, e principalmente a família guarapariense.

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Comissão afirma que este é um primeiro passo para debater o tema na cidade. Foto Roberta Bourguignon.

O grupo já realizou palestras de conscientização em escolas públicas e privadas do município, e igrejas. Também realizou visitas aos centros de apoio aos dependentes químicos da cidade, para orientar as instituições para se organizarem administrativamente a fim de possibilitar o recebimento de recursos públicos.

Vereadores. Além da comissão, estiveram presentes, o presidente da casa, o vereador Wanderlei Astori (PDT), os vereadores Ronaldo Gomes (PRP), Marcial Souza  (PTB), Germano Borges (PSB), Jorge Ramos  (PPS) e Jorge Figueiredo (PP). E compôs a mesa, a Secretária de Saúde Aurelice Vieira, o Coronel Barreto do 10º Batalhão da PM e alguns Pastores.

O presidente da comissão, vereador Gedson deu abertura à audiência, convidando três pessoas que estiveram no mundo das drogas para darem o seu testemunho. Todos saíram do convívio das drogas através da igreja.

“Não acredito que existe drogas”

Os vereadores também deram testemunhos de pessoas próximas que se envolvem com as drogas, e revelaram a dificuldade que é sair desse convívio. O vereador Manoel Ferreira Couto (PT) em especial falou que em função de sua vivência, nunca se deparou com problemas relacionados a drogas. “Não acredito que existe drogas”. Retratando que a educação começa dentro de casa, quando os pais corrigem no momento do erro, como aconteceu com seu irmão, que chegou em casa bêbado e seu pai o castigou.

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Bruno relatou que começou usando maconha e logo passou a usar o crack, que é uma droga que dá mais adrenalina, e ao encontrar a igreja, foi amparado. Foto Roberta Bourguignon

Mônica Merízio, presidente do Conselho Tutelar do município relatou um pouco do que acontece em Guarapari, onde são resgatados muitos adolescentes e jovens do mundo das drogas. ”Há crianças de oito anos usuárias de droga. Meninas de 12, 15 anos grávidas por causa de drogas”.

Em busca de entender porque as crianças estão tendo contato cada vez mais cedo com as drogas, Mônica conversa com eles e entende que essa falha é culpa dos pais. “Nós não temos pais, responsáveis por nossas crianças. Nós temos que resgatar a família para tomar conta”, disse ela.

Executivo. A Secretária de Saúde Aurelice Vieira relatou que “Hoje nós temos o CAPS II, onde temos 3mil pessoas em tratamento psicossocial e o governo federal disponibiliza R$227,00 reais por mês, no qual a prefeitura do município deveria receber R$ 37 mil.” Após esse conhecimento, a secretária disse já estar buscando essa verba.

O vereador Thiago Paterlini conduziu o fim da audiência expondo propostas feitas pela comissão, propostas em curto prazo e propostas a longo prazo. Em função da ausência familiar, o vereador disse, “Quando a família falha, quem tem que cuidar é o poder público, sendo assim, há um projeto para a primeira infância para dez anos. São as creches para o município”.

Há também o investimento na compra de um terreno para a construção do Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e Drogas (CAPS AD), como tem atualmente em Colatina. A secretária está disposta a conhecer esse espaço para estudar as futuras instalações em Guarapari. Thiago ainda propôs preparar as organizações não governamentais, para que elas estejam aptas a receber os recursos municipal e governamental.

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Um bom público esteve presente. Foto Roberta Roberta Bourguinon.

Entretanto a comissão cobiça propostas em curto prazo, como unir todos os vereadores em uma ação rápida nos pontos de drogas do município. A exemplo do local próximo ao mercado de peixe, que foi citado durante a audiência. Entretanto, junto a eles, é necessária a presença da policia militar, com a assistência social, o judiciário, a promotoria em busca de tirar essas pessoas das drogas.

Outra medida rápida a ser tomada é em relação ao CDP de Guarapari, onde os presos que estão sendo liberados, permanece na cidade. “O município, junto com o governo do estado, precisa encaminhar esses presos de volta para sua cidade, porque eles são soltos a qualquer hora e permanecem na cidade, e sem emprego, muitas das vezes volta a cometer crimes”, alerta Thiago.

50 Mil. Casas de recuperação de dependentes químicos de Guarapari receberão auxílio de R$ 50 mil da Câmara Municipal. A declaração foi feita, sem maiores detalhes pelo presidente da casa, Wanderlei Astori (PDT), ao final da audicencia.

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