BRASÍLIA – AGENCIA CONGRESSO – Se o governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), vencer a eleição para presidente da República, vai propor ao Congresso Nacional uma reforma política com o fim da reeleição, mandato de cinco anos, unificação dos pleitos, cláusula de barreira e o fim das velhas coligações proporcionais. Quem garante é o deputado Beto Albuquerque, líder do PSB na Câmara Federal e uma das principais lideranças nacionais do partido.

Nesta entrevista exclusiva para o jornalista Marcos Rosetti, o advogado gaúcho de 50 anos afirma que não acredita na neutralidade do governador Renato Casagrande, que é secretário geral do PSB.

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“Nenhum governador que fica neutro tem vantagem. O povo gosta de votar em quem tem lado” diz o deputado Beto Albuquerque.

“Nenhum governador que fica neutro tem vantagem. O povo gosta de votar em quem tem lado. Tão logo ele equacione sua realidade local ele poderá falar melhor do plano nacional. Ele tem a nossa total confiança. Acredito que o palanque de Eduardo Campos no ES será o palanque de Casagrande”, afirma.

O líder socialista também descarta qualquer possibilidade da ex-ministra Marina Silva encabeçar a aliança entre Rede e PSB, e admite que em alguns estados as duas siglas poderão concorrer como adversárias.

Como o sr. avalia as pesquisas que mostram que Dilma será reeleita em primeiro turno?

Beto Albuquerque – Pesquisas de agora são um retrato distante do processo eleitoral. As pesquisas precisam ser vistas neste momento como uma análise, não como definição.

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Nem Lula ganhou em primeiro turno, e nem Dilma com apoio de Lula, num viés de alta e de prestígio – tinha 72% do eleitorado querendo a continuidade em 2010 – conseguiu no primeiro turno, ao contrário quase perdeu a eleição em 2010, apesar da vontade de continuidade que havia expressa em todas as pesquisas. A eleição em dois turnos é inevitável.

Ainda maís quando a candidata oficial tem aí entre 38 e 40%. Com certeza vai ter segundo turno, porque a Dilma é uma mulher 100% conhecida pela população e tem 40% dos votos. O Eduardo é só 28% conhecido pela população e tem 12% dos votos.

O Aécio é 52% conhecido pela população e tem 19% dos votos. Isto significa que tanto Eduardo como Aécio tem campo de expansão muito grande.

Então, quem afirma hoje que não vai ter segundo turno, está atirando no vazio. O mais importante das pesquisas é o reiterado índice de 66% dos brasileiros que querem mudança.

Esse é o dado mais significativo, e desde junho para cá, nunca se alterou, 66% da população quer mudanças. Esse é o elemento chave da pesquisa.

O Brasil perdeu o caminho do crescimento?

Na realidade o Brasil veio muito bem no governo do Lula, mas no governo Dilma parou, empacou em todos os sentidos, perdeu o controle das contas públicas, veio inflação, se desestruturou o sistema elétrico brasileiro com prejuízos de 30 bilhões ao erário público – graças a decisões equivocadas que o governo tomou.

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Então, o governo da Dilma é um governo sem diálogo, de decisões monocráticas, de cima para baixo, que acabam em prejuízos. Acho que o ano de 2015, por conta de tudo isto – pelo esforço que a atual presidenta tem de esconder os problemas do Brasil – de não vir à tona discutir os problemas do Brasil – vai ser um ano super difícil, de ajustes fiscais, que vai exigir uma proposta de gestão moderna, de dialogo com todos os setores da economia.

Então é preciso mudar o foco da política brasileira para retomar o crescimento e, com a retomada do crescimento assegurar os direitos já conquistados, os avanços sociais conquistados. Coisas que o atual governo coloca em risco. As conquistas havidas nos últimos dez anos correm risco em razão da letargia e da ineficiência do governo atual.

O governador Eduardo Campos tem batido na presidente Dilma, é estratégia para se tornar mais conhecido?

O Eduardo não tem batido na Dilma. Ele está falando a verdade. Chega de Dilma é a vontade da população. Nas pesquisas 66% da população pede mudanças. E a presidente não está querendo debater os problemas do Brasil, como não debateu nas eleições de 2010. Ninguém discute economia, ninguém discute os problemas graves. Nós queremos debater os problemas do país. A crítica nesse momento é para quem está jogando para debaixo do tapete todos os problemas, e vendendo a ideia de que está tudo maravilhoso.

Se comparar o governo Lula, com o governo Dilma, todos poderão atestar a existência de um fracasso em todas as áreas, da economia aos investimentos em infraestrutura.

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 As alianças do governo com políticos como Maluf, Collor, Jader Barbalho, podem atrapalhar a reeleição dela?

Isto é a dificuldade do atual governo apresentar alguma novidade para 2015. É muito difícil esse arranjo político que está instalado aqui como PT e PMDB – inclusive neste momento em litígio por razões de interesses. Esse arranjo político que governa o Brasil, ajudou a parar o país, a não avançar, ajudou o povo a ir para a rua em junho, e vai ajudar o povo a ir para a rua em junho de novo, este ano.

Porque esse pacto político é completamente diferente do que a sociedade deseja. Quando ela fala da nova política de resultados, das entregas padrão Fifa na saúde, na educação, na segurança…É um pacto político velho, quase a reedição da Velha República.

As pesquisas mostram Marina Silva em situação melhor que a do Eduardo, existe a possibilidade dela ser a candidata?

A Marina não veio para o PSB reivindicando ser candidata, ela veio para apoiar Eduardo Campos, enxergando nele a candidatura que de fato pode quebrar a velha dicotomia entre tucanos e petistas, que há 20 anos resumem os debates do ontem, do hoje, do mais, do menos, que tem contaminado as discussões. Então, a Marina será a nossa vice-presidenta. É uma mulher incomum, veio sem exigir nada. Veio com o único objetivo de ajudar a mudar os destinos da economia e, acima de tudo, a esperança do povo brasileiro.

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Como é que o PSB pretende construir as alianças nos estados?

O Brasil é feito de muitos brasis. Cada estado tem peculiaridades, mesmo nos estados onde governamos. Existem situações distintas. Nós pretendemos fazer alianças, primeiro focadas nessa concepção nova, que nós achamos que nessa eleição o que vale mais é a postura dos candidatos, do que da infraestrutura das campanhas. Achamos que não é só tempo de TV ou junção de políticos que vai determinar a vontade, a mudança exigida pelo povo.

Então, cada estado tem a sua realidade. Há estados que nós temos discordância entre a Rede e o PSB, onde a Rede acha que nós temos que ter candidato próprio. O PSB pensa o contrário. Isso é natural porque o PSB e a Rede dois são partidos distintos.E é natural que partidos coligados nacionalmente, possam em um ou outro estado pensar diferente, quem sabe nem ficarem juntos. Não será surpresa se em algum estado a gente não convergir ao redor da mesma candidatura, que a Rede apoie um candidato e o PSB outro.

No ES, o PT faz parte do governo Casagrande, que diz que ficará neutro na disputa presidencial. Como vê essa situação?

O Renato Casagrande tem a total confiança nossa, está lá administrando uma realidade que é muito própria do ES, e nós sabemos e cremos que tão logo equacione a sua realidade local, suas alianças locais, ele poderá falar melhor abertamente do plano nacional. Nenhum governador que fica neutro tem vantagem. O povo gosta de votar em quem tem lado, e o Renato é do partido socialista, é dirigente, a gente conhece e respeita e tem nele um candidato que saberá, no tempo certo, tomar a melhor decisão no processo eleitoral.

No ES o palanque de Eduardo será o palanque de Casagrande?

Eu creio que nós vamos ter o palanque do Renato Casagrande.

Fonte: www.agenciacongresso.com

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