Hoje, 15 de outubro, comemora-se o dia dos professores. Pensando em homenagear esse profissional que tanto contribui para a construção de uma sociedade melhor, mais justa e mais humana, o Portal 27 conversou com quatro ícones da educação de Guarapari para conhecer um pouco mais de suas histórias e dos desafios enfrentados neste ano durante a pandemia do coronavírus.

Ulisses dos Santos tem 50 anos e está há 23 atuando na profissão. Formado em Geografia pela Ufes e com pós-graduação em Educação Ambiental o professor lembra como foi o início de sua profissão. “Pela necessidade de profissionais eu comecei a dar aulas no início da graduação em escolas de Guarapari tanto da rede pública, quanto da privada, atuando também em cursos preparatórios, Pré-UFES e Pré-ENEM. Atualmente sou professor no ensino fundamental e médio do colégio Americano Guarapari”, conta.

Ulisses é professor de geografia há 23 anos

Ulisses conta com saudosismo que já viveu muitas situações interessantes em sala de aula. Em uma delas, o professor de geografia ensinou os alunos a fazerem mousse de maracujá, uma das suas sobremesas prediletas. “Certa vez me apresentei na sala de aula dizendo que dava aulas de culinária e ensinei a fazer um mousse de maracujá, mesmo depois de dizer que era brincadeira, uma aluna fez o mousse, levou para a escola  e me perguntou quantos pontos valia, rimos muito disso, eu e ela”.

Assim como temos visto relatos de muitos profissionais, com Ulisses não foi diferente. Durante a pandemia ele precisou se adaptar às aulas on-line. “Esta adaptação isso requer uma atenção a mais com a atenção dos alunos, fico preocupado em saber se o aluno está captando o conteúdo, por isso constantemente busco chamar a atenção com algum comentário sobre algo curioso ou sobre algo da vida dos meninos mesmo, e constantemente deixo parte da aula ser conduzida pela curiosidade deles”, afirma o profissional.

Ulisses acredita que a educação pode transformar a sociedade. “Dentro da área da geografia alguns exemplos como a Coreia do Sul e  o Japão são citados, chamando a atenção para o fato de que a educação não precisa só de gastos, mas sim de investimentos o que normalmente é diferente.  A educação produz dignidade humana, além de inevitavelmente abrir horizontes de possibilidades. Uma sociedade se transforma com a dignidade ofertada aos seus membros, ou seja, só se transforma o mundo quando se transforma o indivíduo, e dentro de um contexto social, a educação é a principal ferramenta”, finaliza.

Outro profissional com o qual conversamos foi o professor de matemática Rubens Marinho Monteiro, carinhosamente chamado de Rubão por seus alunos. Com 43 anos de idade e 22 atuando na área da educação, Rubens que é mestre em matemática pela Ufes contou ao Portal 27 um pouco de seu percurso como professor.

Rubão é mestre em matemática e está na profissão há mais de 20 anos

Rubens conta como decidiu trocar o pó de minério pelo giz. “Antes de ser professor atuei como Técnico em Segurança do Trabalho na área da Samarco Mineração e cursava Ciência da Computação. Em 2000 recebi o convite para lecionar no CNEC, antiga escola Dr. Roberto Calmon, e decidi mudar de vida. Troquei o pó de minério pelo de giz e a Ciência da Computação pela Matemática. Em 2004 aceitei o convite do Centro Educacional Guarapari, o CEG, onde fiquei até 2010 quando passei no concurso de professor do estado e assumi minha cadeira na escola Angélica Paixão onde leciono até hoje. Também atuo como professor no ensino superior desde 2012 na faculdade Doctum/Guarapari”, afirma.

Sempre brincalhão em sala de aula, Rubão fala de uma conversa inusitada que teve com uma aluna. “Teve um ano que próximo ao feriado da Proclamação da República uma aluna me indagou: – Professor por que amanhã é feriado? Respondi que era aniversário do Flamengo e, diante da admiração dela, pedi que ela procurasse no Google a data de fundação do Flamengo. Ao ver que era 15 de novembro de 1895, ela ficou admirada e eu confirmei: – Não te falei? Ela respondeu: – Não acredito que deram feriado por causa disso. E eu, sem acreditar no que acabara de ouvir expliquei o real motivo do feriado, só depois de boas risadas, claro”, se diverte.

Durante a pandemia Rubens diz que teve que aprender rapidamente a usar ferramentas como Classroom, Meet e Google Forms, por exemplo. “No meu caso que leciono matemática minha primeira preocupação foi de como iria transmitir os cálculos para meus alunos, então adquiri uma mesa digitalizadora e tem me ajudado bastante neste período de aulas conectadas. O volume de trabalho aumentou bastante pois o formato das atividades feitas à distância é bastante diferente das feitas em sala de aula e isso é bastante desafiador. Confesso que nunca imaginei passar 3 horas falando diante de um notebook”, afirma.

O professor acredita que a Educação pode transformar a sociedade. “Acredito muito na educação como agente transformador e libertador, ela é a arma mais poderosa. Através dela, um cidadão se torna mais crítico, tem mais oportunidades de emprego e melhoria na sua própria qualidade de vida”, finaliza.

Conversamos também com Rodrigo de Paula Souza. Aos 48 anos, o professor que é mestrando em matemática leciona a disciplina há 30 anos.

Conhecido como “Titi” entre os alunos, Rodrigo começou a lecionar aos 18 anos, logo que entrou na faculdade. Trabalhou em várias escolas e cursinhos de Guarapari, Cachoeiro, Vitória e Vila Velha. “Hoje leciono nas escolas:  Americano, Rui Barbosa (rede privada), sou efetivo no estado (escola Zuleima Fortes Faria) e Coordeno um curso Pré-Ifes em parceria com a escola Rui Barbosa”, afirma.

Titi usa a música como recurso em suas aulas

Titi, que usa o violão como recurso para ajudar no aprendizado da matemática e tem até CD gravado, busca sempre inovar suas aulas. “Uma situação legal que aconteceu foi ver uma turma inteira fazendo trenzinho dentro da sala cantando músicas de matemática. Em outra oportunidade levei o berimbau para sala e fizemos uma roda de capoeira cantando uma música de matemática sobre o conteúdo “Equações Irracionais”.

O professor afirma que o grande desafio da pandemia foi se reinventar. “Acredito que ninguém esperava viver uma situação tão complicada. O desafio foi mesmo a questão do se reinventar, mas como já utilizava as mídias sociais como ferramenta pedagógica (canal no YouTube – “Sos proftiti”) foi tranquilo dar aulas através de lives.

Rodrigo acredita que a educação pode contribuir para um futuro melhor. “A educação é o instrumento de transformação do indivíduo”, finaliza.

Conversamos também com Tânia Márcia Simões Carnetti. Professora, licenciada em pedagogia, habilitada em supervisão escolar e pós-graduada em administração escolar, Tânia tem uma extensa história de contribuição na Educação em Guarapari e no estado do Espírito Santo. Efetiva como pedagoga pelo estado, atualmente a profissional é diretora da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Angélica Paixão.

Tânia é diretora da Escola Estadual Angélica Paixão e parabeniza todos os profissionais da educação neste dia tão especial

“No decorrer da minha vida profissional, ocupei cargos de Diretora de Escola particular, Municipal e Estadual. Fui Superintendente Regional de Educação da Região Expandida Sul. Ocupei o cargo de Secretária Adjunta Municipal de Educação e fui nomeada posteriormente ao cargo de Secretária Municipal de Educação do Município de Guarapari”, conta.

A gestora fala dos desafios enfrentados durante a pandemia. “Em toda minha carreira na área educacional, vivenciei muitas experiências, adquiri muitos conhecimentos; porém neste ano de 2020 estou vivendo uma experiência única, atípica, desafiadora e transformadora na educação. Momentos de muita empatia, resiliência, paciência e dedicação. Adequações com as novas tecnologias, mudanças de hábitos, entre outros desafios que estão acrescentando muito ao meu conhecimento profissional, como gestora desta instituição e na vida pessoal”, afirma.

Tânia fala do retorno às atividades escolares. “Retornamos no dia 13 de outubro as atividades presenciais, seguindo todo o protocolo de segurança da SESA/SEDU. Um momento ímpar, após 7 meses, podermos receber alunos, professores e pais novamente em nossa escola”.

A gestora deixa uma mensagem a todos os profissionais da Educação. “Neste dia 15 de outubro, comemoramos o dia do professor e a vida de todos esses “missionários” que com muito amor, carinho e dedicação não mediram esforços em todo este período de pandemia para promover a educação, ainda que remotamente. Utilizando diversos recursos, esses profissionais se reinventaram, interagindo com os alunos, demonstrando a capacidade que possuem de cumprir a tarefa de educar. A eles todo meu respeito e admiração. Parabéns professores!”, finaliza.

Deixe seu comentário