Nos últimos meses houve um aumento considerável de pessoas em situação de rua em Guarapari e para tentar ajudá-las o município pretende construir o Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro Pop) e um abrigo.

O anúncio foi feito pela secretária de Trabalho, Assistência e Cidadania, Shirley Pereira, durante uma audiência pública foi realizada na Câmara Municipal, nesta quarta-feira (20), que também contou com a participação dos vereadores Denizart Luiz, proponente da reunião, Thiago Paterlini; Marcos Grijó, Kamilla Rocha; representantes de igrejas que realizam trabalhos com pessoas em situação de rua; a coordenadora da Casa Dia, Maria das Graças Grataroli; a representante do Conselho Municipal de Saúde, Regina Mello Schoeffer, e a enfermeira Iracy Marques.

A secretária de Assistência Social, Shirley Pereira, e os vereadores Kamilla Rocha, Thiago Paterlini, Denizart Luiz e Marcos Grijó formaram a mesa que discutiu a situação dos moradores de rua com a sociedade. Foto: Rafaela Patrício

“Nós encaminhamos um Plano de Ação para a Secretaria Estadual de Assistência Social (Setades) e se ele for aprovado, será liberado R$ 182 mil. Esse valor só pode ser aplicado para ajudar pessoas em situação de rua. Este Plano de ação aponta para um local que vamos reformar para ser utilizado para o Centro Pop, que diferente da Casa Dia funciona de manhã e de tarde, tem oficineiros e tem uma equipe de abordagem e triagem maior”, disse a secretária.

Segundo ela, se o Plano de Ação for aprovado, o município tem 18 meses para aplicar o recurso e em breve será implantado um abrigo na cidade. Shirley lembrou que o município já formou uma comissão para discutir a questão das pessoas em situação de rua e revelou que uma pessoa será internada em uma clínica de recuperação na próxima segunda-feira (25) com a ajuda desta comissão. Shirley também explicou que existe uma recomendação do Ministério Público que as pessoas em situação de rua não podem ser retiradas da cidade contra sua vontade assim como seus bens não podem ser recolhidos e jogados fora.

De acordo com a coordenadora da Casa Dia, de janeiro a maio 141 pessoas em situação de rua foram cadastradas, 12 pessoas voltaram para suas casas e 36 fizeram contato com a família. Neste mesmo período também foram realizadas 13 internações, uma pessoa foi encaminhada para residência inclusiva, 64 voltaram para as cidades de origem, 23 receberam atendimento emergencial na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e 29 conseguiram a segunda via de documentos. “Até maio a frequência na Casa Dia era de 35 pessoas. Neste mês já são 45 pessoas por dia. O trabalho com moradores de rua não dá ibope, mas só quem percebe a importância desses resultados são o profissional, quem recebe a assistência e Deus”, disse Maria das Graças.

O evento contou com a participação de representantes de várias igrejas que realizam trabalhos com pessoas em situação de rua. Foto: Rafaela Patrício

A enfermeira Iracy Marques trabalha com pessoas em situação de rua, em Vitória, e explicou como funciona o Consultório de Rua, que é uma Kombi com profissionais da saúde que fazem abordagens pelas ruas da cidade. “Fazemos a abordagem e vemos qual a necessidade do paciente, depois ele é levado até a unidade de saúde mais próxima, onde é feito o cadastro e atendimento médico. Se o médico avalia que há necessidade de um atendimento especializado, ela recebe. O índice de sífilis desses pacientes a gente conseguiu diminuir. As gestantes conseguem fazer algumas consultas de pré-natal e são encaminhadas para os hospitais de referências para as crianças não nascerem na rua. E esse respeito é importante. É esse olhar que precisamos ter. Temos que deixar de julgar, condenar e assistir”.

A representante do Conselho Municipal de Saúde criticou a ausência de representantes da Secretaria de Saúde, na audiência pública. “A gente tem uma luta árdua para que as políticas públicas de saúde sejam implementadas e fico penalizada de não ver representação da Secretaria de Saúde nesta audiência. A Saúde tem que assumir este compromisso e lutar por isso. Não dá mais para ficar na inércia porque são pessoas que estão desprovidas de tudo”, afirmou Regina.

Um morador de rua de 50 anos, que preferiu não ser identificado, esteve presente na audiência pública. Ele relatou que nasceu em São Paulo e veio para Guarapari aos 13 anos depois de sofrer violência doméstica, mas já passou por diversos municípios e voltou para a cidade saúde em 2014. “Acho que o que foi falado aqui tem tudo a ver com a realidade de quem está na rua, o envolvimento com drogas e as brigas em família. Se essa conversa que eles falaram de fazer essas coisas sair mesmo, vai dar um resultado positivo”, disse o morador de rua. 

Segundo o vereador Denizart Luiz, uma nova reunião deve acontecer após as eleições para traçar medidas preventivas para o verão. Foto: Rafaela Patrício

O vereador Denizart Luiz afirmou que ficou satisfeito com o resultado da reunião e também cobrou uma maior participação da Secretaria de Saúde. “Precisamos urgentemente ter o Centro Pop em Guarapari, onde eles poderão ser bem mais acolhidos, participar de oficinas de trabalho para ter um profissão e ter uma assistência médica melhor. Desde a nossa última reunião houve um avanço, mas precisa melhor o trabalho na saúde junto a Setac porque a Saúde não está fazendo a parte dela. Temos pessoas que vivem nas ruas que são drogadas, tuberculosos, pessoas com DST’s (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e com Hanseníases que precisam fazer tratamento”.

De acordo com o parlamentar, após a eleição uma nova reunião será realizada para traçar medidas preventivas para o verão, já que nessa época muitas pessoas em situação de rua chegam em Guarapari. 

Procurada sobre a ausência de representantes da Secretaria de Saúde na audiência pública e a falta de participação no que se refere as pessoas em situação de rua, a prefeitura afirmou que “A afirmação causa estranheza, uma vez que o proponente da audiência não realizou nenhum tipo de convocação à Secretaria de Saúde, tendo a prefeitura sido representada pela Secretaria de Trabalho, Assistência e Cidadania, pasta esta que foi oficialmente convocada.

Havia grande interesse da pasta em participar da audiência para apresentar as ações e trabalhos realizados ao longo do ano junto à população em situação de rua.  Essas ações são realizadas em horários alternativos com diversos atendimentos médicos e de enfermagem com consultas; curativos; testes; aferições; vacinação e programas em saúde como tuberculose, tabagismo, hanseníase, DST/Aids.

Os atendimentos são realizados com assistentes sociais, médicos, psicólogos, enfermeiros, técnicos, ou seja, com equipes prontas para atender várias necessidades. Em casos de eventualidades são oferecidos acompanhamentos e encaminhamentos.

Assim, a Secretaria Municipal de Saúde se coloca à disposição da população e dos participantes da audiência para apresentação dos trabalhos realizados pela pasta.

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