A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) a nona fase da Operação Compliance Zero, tendo como principal alvo de busca e apreensão o senador Jaques Wagner (PT-BA), atual líder do governo Lula no Senado. A investigação apura um suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master e o PT da Bahia.
Os investigadores suspeitam que o parlamentar tenha recebido propina e um imóvel por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares. De acordo com a PF, a estrutura empresarial era utilizada para ocultar as vantagens indevidas originadas das fraudes financeiras.
Alvos e Mandados. Ao todo, a PF cumpre 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Além das buscas, o ministro determinou medidas cautelares rigorosas, tais como:
- Proibição de contato entre os investigados;
- Suspensão de passaportes;
- Uso de monitoração eletrônica (tornozeleira).
O Elo com o Banco Master e o Consignado da Bahia. Além de Wagner, a operação mira Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. Lima é apontado como o responsável por implementar, durante a gestão de Jaques Wagner como governador da Bahia (2007–2014), o sistema de crédito consignado para servidores públicos estadual.
Esse sistema, conhecido como Credcesta, tornou-se posteriormente o principal ativo financeiro do Banco Master. As buscas contra Lima ocorrem em endereços residenciais e comerciais na Bahia, em São Paulo e em Brasília.
Histórico do Investigado: Augusto Lima já havia sido preso na primeira fase da Compliance Zero, em novembro do ano passado, mas acabou solto por decisão do TRF-1. A PF também suspeita de sua atuação em uma operação fraudulenta envolvendo a venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). Lima é conhecido por seu trânsito livre tanto entre políticos do PT quanto da oposição baiana.
Desdobramentos Políticos. Esta é a primeira fase da Operação Compliance Zero a atingir diretamente um político do núcleo duro do governo Lula. Em etapas anteriores, a investigação já havia mirado figuras da oposição, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro.
Até o momento, a defesa do senador Jaques Wagner e de Augusto Lima não se manifestaram. O espaço segue aberto para posicionamentos.











