Jovem, saudável e empreendedor. Este era o perfil do microempresário Matheus Guimarães, de 28 anos. Mas a partir de setembro de 2016 sua vida começou a mudar. Ele passou a sofrer com fortes dores nas costas que o levaram a buscar atendimento médico e o que ele imaginava ser algo simples, com o passar do tempo, se mostrou uma doença grave.

Matheus relatou que no primeiro momento foi diagnóstico com estresse e não imaginava a dimensão do seu problema. “Procurei um médico no posto e ele me pediu para fazer exames, quando levei o resultado fui atendido por outro médico que dizia que eu não tinha nada. Segundo ele, era ansiedade, estresse, sedentarismo. Falou um monte de coisa, mas nada sobre o que realmente era. Questionei sobre o remédio que estava tomando para dor e ele falou para eu tomar enquanto achasse que deveria”.

A partir de setembro de 2016 sua vida começou a mudar. Ele passou a sofrer com fortes dores nas costas que o levaram a buscar atendimento médico.

Soco nas costas. O tempo passou e as dores não diminuíram então o jovem mais uma vez procurou ajuda médica. Só que dessa vez no Pronto Atendimento e lá foi atendido por um médico que usou um estranho método e o diagnosticou com pedras nos rins.

“Fui no PA algumas vezes porquê de dor e no total passei por cinco médicos em Guarapari, tanto no atendimento ambulatorial como na emergência. Por fim no PA fui atendido por um médico que me deu um pequeno soco nas costas, bem no local da dor. Ele disse que era um método, mas não recordo o nome, e que com ele sabia que eu estava com pedras nos rins. Mas que iria confirmar no raio x. Me mandou fazer o exame e falou que tinha sete pedras que ele conseguia contar. Achei ele fenomenal”.

Segundo Matheus, o médico pediu para que ele fizesse uma ultrassonografia para saber o tamanho das pedras, mas ao realizar o exame descobriu que não havia nada. “Quando fui fazer não tinha nada. Foi onde me revoltou, eu já estava há três meses sentindo dor porque o atendimento com ele foi em novembro. Foi então que fui procurar um médico fora, só que também pelo SUS”.

Em busca de outra opinião médica Matheus foi para o Hospital Estadual Dr. Jayme dos Santos Neves .

Em busca de outra opinião médica Matheus foi para o Hospital Estadual Dr. Jayme dos Santos Neves no dia 06 de dezembro e lá descobriu que tinha câncer. “O médico só de olhar para mim deu a suspeita de que eu tinha um linfoma. Ele apalpou meu pescoço, onde depois fiz a biópsia, e viu um caroço. Disse que suspeitava do linfoma e que precisava de fazer um exame para ter certeza”.

Ainda de acordo com Matheus, o mesmo médico descobriu que ele estava com água no pulmão. “O médico ainda não tinha a confirmação do câncer nem o local em que estava. Poderia estar em vários locais ocasionando a água. Ele me encaminhou para o Hospital Evangélico para fazer a biópsia lá, que segundo ele, tem o melhor laboratório do Estado e ele mesmo me atendeu lá”.

Quebrada. No dia 08 de dezembro Matheus realizou a biópsia e também extraiu a água do pulmão. Ele relatou ainda que com a realização de um novo raio x foi descoberto que as dores eram causadas porquê de uma vértebra quebrada. Segundo ele, isto não foi visto pelos médicos de Guarapari, que fizeram o mesmo exame. Ele também afirma que não teve acesso ao exame, que só foi visto pelo médico em uma tela no PA.

“Extraíram mais de um litro de líquido que foi visto no raio x. O que mais me espantou é que as dores foram causadas porque o tumor já quebrou minha vértebra e penso que até eu como leigo se visse um raio x com um osso quebrado eu veria, eu entenderia que estava quebrado. Mas aqui em Guarapari ninguém viu”, desabafou.

O resultado da biópsia confirmou o câncer no pulmão, porém Matheus tem um tipo ainda mais grave da doença. “A biópsia mostrou que tenho um carcinoma e não um linfoma. O linfoma é mais simples. Mesmo assim o médico duvidou do exame, pediu uma imunohistoquímica para ter certeza. Agora no início de janeiro mostrou que é um adenocarcinoma em estado grave e que já havia se espalhado.  Deu metástase, mas ainda vou fazer uma tomografia para saber para onde o câncer se espalhou. Não enxergo na vista esquerda direito. Então existe a suspeita de ter dado metástase no cérebro”.

O resultado da biópsia confirmou o câncer no pulmão, porém Matheus tem um tipo ainda mais grave da doença.

O jovem acredita que se tivesse recebido o diagnóstico correto dos médicos de Guarapari teria tido a oportunidade de evitar que a doença se espalhasse. “Não posso afirmar, mas acredito que a situação estaria menor que está hoje. Poderia ter começado a quimioterapia antes. A minha primeira quimioterapia foi agora na segunda-feira passada. Então já poderia ter adiantado esta questão e talvez não estivesse assim”.

Apesar disso, ele ainda não decidiu se vai processar o município. Mas fez um post em sua rede social denunciando a situação e o desabafo foi compartilhado quase mil vezes em menos de uma semana.

“Não pensei sobre processar. Simplesmente fiz o post para externar minha indignação e dar uma sacudia nisso. Não pensei que teria tanta repercussão. Mas não tem condições, você vê que é negligência, má de vontade de fazer. Acredito que não seja falta de conhecimento, mas simplesmente porque não querem mesmo”.

Tratamento. Matheus já começou o tratamento contra a doença. Mas agora vive a expectativa de não poder continuar fazendo a quimioterapia pelo SUS porque ele pode ter sido causado por uma mutação genética e caso isso se confirme não consegue o tratamento de forma gratuita.

“Sempre fui temente a Deus e estou me apegando muito nisso.”

“Uma médica me explicou que o meu câncer não tem cura. Foi um baque muito grande. Mas agora existe a suspeita de que ele tenha sido causado por uma mutação genética porque não tenho predisposição nenhuma de ter a doença. Nunca fumei, nem bebi. Não tenho quem fume perto de mim nem idade para ter um câncer desses, que é normal em pessoas acima de 60 anos. Então eles acreditam na mutação e se for não tem tratamento pelo SUS, aí vou ter que entrar com processo contra o Estado para receber o tratamento. A confirmação depende de um exame que vai ser feito no material colhido para biópsia que foi enviado para São Paulo.

Mesmo com todas essas dificuldades Matheus acredita que possa ser curado. “Minha família é toda evangélica e tenho esse princípio. Sempre fui temente a Deus e estou me apegando muito nisso. Na minha postagem pedi para que as pessoas orassem por mim e desde a quimioterapia não tenho sentido dores nem os efeitos colaterais da quimioterapia. Estou bem. Só sinto dor se bocejar ou espirrar porque tenho a vértebra quebrada e força muito. O médico explicou se fosse na quarta vértebra poderia ficar paraplégico, mas é na nona. Por enquanto ela vai ficar assim até o momento que os médicos vão fazer radioterapia em cima para que o tumor diminua e a vértebra se realoque”.

RESPOSTA. Procuramos a prefeitura para que ela pudesse responder as alegações de Matheus. Através de nota o município respondeu que:

“A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que todas as condutas médicas e os fatos relatados estão sendo apurados e caso for constatado negligência, serão tomadas as medidas cabíveis.

Em relação ao “soco” nas costas, chama-se Sinal de Giordano que significa dor à punho percussão na região lombar; indica acometimento renal (positivo em litíase, pielonefrite aguda). Os atendimentos em Unidades de Pronto Atendimento são de complexidade intermediária baseados na queixa do paciente.

O objetivo da UPA é funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana e poder resolver grande parte das urgências e emergências. Com isso, ajudam a diminuir as filas nos prontos-socorros dos hospitais.

A UPA oferece estrutura simplificada, com raio-X, eletrocardiografia, laboratório de exames e leitos de observação, não possuindo estrutura para diagnósticos de maior complexidade.

A população tem acesso a ouvidoria através do telefone 0800 276 3482.”

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