Parece que estou novamente vivendo a década de oitenta nesses últimos dias. Com muita freqüência, ouve-se dizer, que a década de oitenta, no Brasil, foi uma “década perdida”, o que desperta sentimentos contraditórios. Para uns, mais conservadores, os anos oitenta, quando formulados nesses termos, estariam comprovando que a redemocratizaçâo do País não foi um avanço.

Se havia a perspectiva de abertura na vida política, havia a realidade cruel de uma enorme divida externa. A população brasileira atravessou, os anos oitenta convivendo com um Brasil real, diferente daquele que era propagado pelos governos militares, aquele realmente construído pelo Desenvolvimentismo: o da violência urbana, o dos altos índices de exclusão e de tradição autoritária.

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Passaram-se mais de vinte anos e de repente o Partido dos Trabalhadores, que tanto lutou para chegar ao poder, enfrenta hoje uma onda de protestos. Ao ver as imagens dos diversos protestos no País, e que tem sido anunciado nas redes sociais com a hashtag #ogiganteacordou ou #vemprarua, fiquei pensando no poder da multidão. E me lembrei dos meus tempos de faculdade, e a definição sociológica do termo:

“Agregado pacífico ou tumultuoso de pessoas que ocupam determinado espaço físico. Possui as seguintes características: é desordenada, descontrolada, anónima, desinibida; pode ser fanática, é constituída de unidades uniformes; os fins e os sentimentos estão enquadrados pelo mais baixo denominador comum; a interacção manifesta-se em termos de emoções generalizadas; os participantes adquirem segurança e poder; apresenta uma ideia fixa; pode dar expressão aos motivos inconscientes, reforçados pelo carater cumulativo e circular de interexcitação” .

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Justamente por causa das passeatas, o PT já foi conhecido como o partido dos baderneiros, dos vândalos, arruaceiros. O que aconteceu? Mudou o PT? Ou o País mudou? Impossível não lembrar do livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell, onde num belo dia, os animais da fazenda do Sr. Jones se dão conta da vida indigna a que são submetidos: eles se matam de trabalhar para os homens, lhes dão todas as suas energias em troca de uma ração miserável, para ao final serem abatidos sem piedade.

Liderados por um grupo de porcos, os bichos então expulsam o fazendeiro de sua propriedade e pretendem fazer dela um Estado em que todos serão iguais. Mas, logo após a revolução, começam as disputas internas, as perseguições e a exploração do bicho pelo bicho, que farão da granja uma paródia grotesca da sociedade humana.

Eu acredito que houve uma mudança de ambas as partes. O Partido mudou. São dez anos de governo do PT. A maior parte dos participantes dos protestos cresceu ouvindo acerca de corrupção, CPIs, pizza, dinheiro na cueca, etc. Também não somos mais o País da poderosa TV Globo, até para ela os tempos estão dificies. As mudanças provocadas pelas redes sociais é um fato consumado.

O mais interessante disso tudo é que até a década de oitenta ter um computador pessoal era um sonho de consumo. A abertura da economia permitiu que hoje esse artigo de luxo transforma-se no equipamento preferido, especialmente dos mais jovens, assim como os smartphones, tablets, etc. Mas, nem só de tecnologia se vive.

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É necessário educação, saúde, emprego. E então… vem a multidão! Parece atropelar tudo! De forma “desordenada, descontrolada, anónima, desinibida… fanática”. E novamente o hit das passeatas aparece: “caminhando e cantando, seguindo a canção, somos todos iguais braços dados ou não”, musica de Geraldo Vandré. O que vimos e o que ainda virá pode ser somente uma onda, mas é altamente significativo, especialmente para a juventude, saber que pode estar mudando o rumo da historia do seu País.

No meio da multidão pacifica sempre haverá aqueles que irão aproveitar-se do anonimato para dar “expressão aos motivos inconscientes”. O que fazer? Entender o tempo que estamos vivendo, não deixando se moldar por pensamentos que não correspondem a vontade de Deus, mas, participar ativamente dos processos decisórios, das iniciativas populares que promovem a vida humana na sua totalidade.

Eu creio no Reino de Deus, e esse Reino ou Governo significa “o surgimento do novo mundo; da nova vida, do perfeito amor, da justiça plena, da autêntica liberdade e da completa paz” . Deus nos chamou para ajudar na construção do Reino de Deus, Ele chamou Sua Igreja, através de Jesus. Eu sou cidadã do Céu, mas também sou “brasileira, com muito orgulho, com muito amor”!

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