Ao longo de minha existência – e lá se vão algumas décadas – tenho acompanhado o desenrolar da história do Estado do Espírito Santo. E, por não ser historiador, tenho que procurar pelo menos ser um bom observador. Vi a transposição de algumas ondas de desenvolvimento capixaba, como por exemplo, no campo sócio econômico.

A economia capixaba chegou a ocupar o oitavo lugar no ranking nacional. Temos uma economia diversificada, petróleo e gás, agro indústria, somos o estado com a maior produção de café do Brasil, a indústria da construção civil avança, o complexo portuário é um dos maiores – senão o maior – da América Latina, dentre tantos outros predicados em se tratando de economia.

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Os reflexos sociais de todo esse avanço – excluindo as bolsas federais – produzem uma situação mais confortável para o capixaba, pois isso gera emprego e melhora a renda e a vida do trabalhador e de suas famílias. Muito bem, e onde fica nossa querida Guarapari nessa história? Guarapari é a fatia do bolo que bem representa – proporcionalmente é claro – o sudeste brasileiro, refletindo a concentração de renda que é uma das marcas do nosso país.

Apesar de em 2011 nós (ES) termos alcançado o 4º lugar no ranking nacional do PIB per capta, ultrapassando os R$ 27 mil, com um crescimento bem superior a média nacional, Guarapari não usufrui – ou não usufruiu – das benesses do crescimento de nosso estado. Acompanhando os mais diversos discursos políticos – e eu acompanhei muitos – nestes já ouvi: “…Guarapari é o cartão postal do Espírito Santo” …”onde andamos pelo Brasil falamos de nossa cidade e ninguém conhece, mas Guarapari é conhecida”.

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Bom, vou ficar com essas duas citações apenas. E eu acredito que é mesmo verdade, sejamos justos e não sejamos modestos, nós somos mesmo muito bons. Deus que é maravilhoso e arquiteto do universo e não precisa fazer licitação, não poupou nada conosco, e nos abençoou com muitas belezas paisagísticas e inúmeros recursos naturais, privilégios de poucos municípios brasileiros. Mas o que acontece conosco nesse cosmo? O que tem Guarapari nesse universo, onde aqui as coisas são tão… diferentes?

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Se temos vocação turística, a Secretaria de Turismo não poderia estar localizada num “bairro” afastado do movimento de turistas penso eu em minha ignorância. Bem, me desculpe caro leitor, na verdade meu QI não tem capacidade para discutir isso. Partindo para uma realidade mais “pop”, hoje conversava com um morador do bairro Coroado. É Coroado, aquele mesmo bairro do Cemitério São Tobias, próximo a Santa Margarida e Kubitschek.

E no meio da conversa, sem mais nem menos ele dispara: “… você viu, a prefeitura de Guarapari vai colocar no SPC, Serasa e tal o nome de quem não pagar IPTU – pausa – como eu vou fazer, tenho duas filhas menores, uma mãe doente, um irmão doente, e eles dependem tudo de mim…ou eu pago a luz, água, e compro comida, fiado ainda na mercearia, ou pago IPTU, tem como não, vou ficar com nome sujo, se não perder minha casinha ainda né…”.

Palavras dele, não aumentei nem diminui uma virgula. É , é isso mesmo que você está pensando, eu gravei sim, como disse no início do texto que você tão pacientemente me deu o privilégio de ler, eu sou bom observador, e prestei muita atenção nas palavras daquele trabalhador a quem dei carona nesta manhã, e que como milhares de guaraparienses, tem de escolher entre o pão e a luz, entre a água e o remédio, entre o IPTU e nome sujo. É isso.

Fabiano

 

 

Fabiano Dos Santos é jornalista, contabilista, diretor da TV Sudeste e da Associação Espirito Santense de Imprensa (AEI).

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