Cármen Lúcia manifesta tristeza com crise institucional do STF e prevê “intranquilidade” no país

Ministra lamentou a espetacularização das denúncias envolvendo o Banco Master; julgamento sobre apuração contra Alexandre de Moraes foi travado por pedido de vista.

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou profunda consternação com a crise institucional e a exposição negativa da Corte durante a sessão desta terça-feira (15). O julgamento, que analisava a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por supostas ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (caso Banco Master), acabou suspenso após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Em seu pronunciamento, Cármen Lúcia afirmou que o Tribunal falhou em seu papel de garantir a estabilidade institucional em pleno período eleitoral.

“Estou nesta sessão em estado de profunda consternação e tristeza. Este Supremo Tribunal Federal, guarda da Constituição, provocou um mal-estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros nestes últimos dias. O Poder Judiciário existe para tranquilizar o povo, e nós geramos intranquilidade.”Cármen Lúcia, ministra do STF.

Placar Parcial e Voto de Luiz Fux

Antes do pedido de vista travar a análise, o placar parcial estava em 4 votos a 3 a favor da tese do presidente Edson Fachin, que defende o julgamento em separado das acusações contra Alexandre de Moraes e das representações contra o ministro André Mendonça.

  • A favor do julgamento separado (4 votos): Edson Fachin (relator), Cármen Lúcia, Luiz Fux e André Mendonça.

  • A favor do julgamento conjunto (3 votos): Gilmar Mendes (autor da questão de ordem), Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes.

Ao fundamentar sua posição favorável ao fatiamento, o ministro Luiz Fux argumentou que não existe conexão jurídica entre os fatos: “Uma petição alega abuso de autoridade [de Mendonça] e outra alega atos supostamente ilícitos [de Moraes]. Não há causas penais reunidas ou processo criminal conjunto. O que houve foi uma divergência regimental entre dois ministros.”

Entenda a Crise Institucional no STF

O impasse no Supremo teve início em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.

  • As acusações contra Moraes: O relatório aponta 52 mensagens enviadas entre 2023 e novembro de 2025 pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes. Os textos sugerem tratativas sobre um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro, além de suposto vazamento de informações sobre a prisão de Vorcaro. Moraes nega categoricamente qualquer irregularidade e classifica o documento como ilegal.

  • A reação contra Mendonça: Em resposta, Moraes divulgou um relatório não assinado atribuído à PF sugerindo que Mendonça usou a investigação para atingir opositores. Moraes acusa o colega de abuso de autoridade e improbidade, pedido que será julgado pelo plenário no dia 23 de setembro.

  • Posição da PGR: O procurador-geral da República, Paulo Gonet — cujo nome também é citado nas mensagens do ex-banqueiro —, pediu a anulação do relatório divulgado por Mendonça, alegando direcionamento e descumprimento de rito processual.

Resumo do Julgamento e da Crise no STF

ParâmetroSituação Atual
Objeto do JulgamentoDefinição sobre investigar Alexandre de Moraes e forma de análise das acusações
Status da SessãoSuspensa por pedido de vista do ministro Flávio Dino (sem data para retorno)
Placar Parcial4 x 3 favorável ao julgamento em separado (Moraes x Mendonça)
Posição de Cármen LúciaVotou com Fachin pelo fatiamento e criticou o “mal-estar cívico” gerado pelo STF
Próximo DesdobramentoAnálise da denúncia contra André Mendonça marcada para 23 de setembro

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