O Espírito Santo está no epicentro de um impasse comercial com os Estados Unidos. O estado, que historicamente possui o mercado americano como um de seus principais destinos de exportação, enfrenta a ameaça de novas sobretaxas que, somadas, podem colocar em risco até US$ 1,1 bilhão em vendas capixabas ao exterior. O alerta vem do Observatório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), que mapeou três cenários distintos de impacto para a economia local.
Os cenários em jogo
O risco deriva de duas medidas distintas ventiladas por Washington:
Tarifa de 25%: Com vigência prevista para 15 de julho, esta alíquota resulta de investigações sobre práticas comerciais brasileiras iniciadas em 2025. Se implementada, afetaria 705 produtos, totalizando US$ 242 milhões em exportações. O impacto seria concentrado: 87% desse valor advém das rochas ornamentais, setor no qual o Espírito Santo é líder nacional.
Tarifa de 12,5%: Motivada por denúncias de trabalho forçado no Brasil, esta medida possui um alcance mais amplo. Ela atingiria 766 produtos, somando US$ 1,1 bilhão em exportações. Aqui, a lista de itens impactados inclui produtos vitais da pauta capixaba que escapariam da primeira tarifa, como minério de ferro, café, celulose e outras variações de rochas naturais.
Tarifa Combinada (37,5%): No cenário de adoção simultânea, a exposição permaneceria na casa dos US$ 1,1 bilhão, porém com uma segmentação de carga tributária diferenciada, penalizando duramente produtos que seriam alvo tanto da investigação comercial quanto das acusações sobre direitos trabalhistas.
Insegurança e impacto econômico
Para o presidente da Findes, Paulo Baraona, a imposição de novas barreiras é injustificável sob qualquer ótica. “As medidas ampliam a insegurança no comércio internacional e reduzem a competitividade dos produtos capixabas. Brasil e Estados Unidos possuem cadeias produtivas integradas; muitas dessas mercadorias são insumos essenciais para a própria indústria norte-americana”, afirma.
O histórico recente acende um alerta amarelo. Em 2025, o impacto das sobretaxas daquele ano representou uma retração de 0,55% no PIB capixaba — o índice mais alto entre todos os estados brasileiros. As vendas para os EUA caíram 20% no segundo semestre de 2025 em comparação ao mesmo período de 2024, não por preços, mas por uma redução direta no volume de pedidos dos compradores americanos.
Apesar da turbulência, o Espírito Santo tem buscado caminhos para mitigar os prejuízos. A diversificação de mercados, estratégia já adotada por setores como o de rochas ornamentais, permitiu que as exportações globais do estado crescessem 4,7% no último semestre de 2025, compensando parte da perda no mercado dos EUA. A resiliência do setor produtivo, contudo, continua sendo posta à prova pela instabilidade na relação bilateral com o maior comprador de produtos capixabas das últimas décadas.









