Uma foto publicada no último fim de semana em uma rede social gerou indignação e levantou alguns questionamentos sobre o atendimento no Hospital Francisco de Assis (HFA). Na foto, algumas funcionárias do HFA posam com um policial militar que foi atendido no hospital após ser atropelado.  O militar é da Força Tática de Vitória e estava de serviço na cidade como parte do reforço para o verão.

O militar foi levado para a emergência e avaliado como risco amarelo e prontamente atendido. Contudo, ele sofreu apenas algumas escoriações e um corte no supercílio, voltando a trabalhar logo depois. 

Os questionamento começaram a surgir no começo desta semana, não  pelo atendimento ao policial, mas sim pelo fato de que o HFA atende apenas crianças de até doze anos, 11 meses e 29 dias de vida.

A foto foi publicada em uma rede social no fim de semana e logo depois os questionamento começaram a chegar à redação do Portal 27.

“O meu filho havia feito 13 anos há menos de um mês e quando eu parei na frente do hospital, com ele desmaiado e tendo convulsões, a enfermeira disse que ele estava respirando e mandou eu levar para a Upa. Meu filho morreu e eles não quiseram atendê-lo”, relembrou Fabíola Walter, mãe do Flávio, que morreu em julho do ano passado. Relembre do caso aqui.

Flávio Walter tinha 13 anos. Foto: reprodução do Facebook.

Fabíola diz que ficou angustiada quando viu a foto. “Eu não tenho nem palavras para descrever o que eu sinto quando lembro daquela noite (pausa e choro)… Me dá um desespero quando lembro que meu filho poderia ter sido salvo e a enfermeira sequer o examinou. Apenas constatou que ele estava respirando e mandou eu levar ele para a UPA”, disse ela. 

Ainda de acordo com a mãe. “O policial estava trabalhando e merece toda nossa consideração, mas ele foi atendido com alguns arranhões. No caso do meu filho não tinha ninguém na recepção aguardando atendimento e ainda assim eles não o atenderam por que tinha passado alguns dias desde que ele fez treze anos”, lamentou. Ela disse ainda que fica com medo de precisar usar o hospital para seu filho mais novo. “Se eles falarem que não vão atender, eles não atendem e pronto”.

Explicações do HFA. Procuramos a assessoria de comunicação do HFA para explicar quais os critérios usados para essa essa questão. Em nota o hospital disse o seguinte: 

“O HFA – Hospital Francisco de Assis, vem através desta, prestar esclarecimentos sobre o
atendimento a um policial militar no sábado (12) na instituição. O paciente em questão foi encaminhado ao HFA na viatura da polícia e ao chegar passou pela classificação, com relato de atropelamento e um corte no supercílio direito. 

Considerando a avaliação da enfermeira e o protocolo de Manchester, o mesmo foi classificado como “urgente”, cor amarela, e encaminhado para a realização da sutura. Sobre a reclamação da recepção lotada, o hospital esclarece que no momento do atendimento uma situação de emergência com uma criança encaminhada pela UPA ao hospital aconteceu. Além da emergência, apenas pacientes classificados como “pouco urgente”, cor verde, aguardavam atendimento.

Diante do questionamento, a instituição informa que foram analisados todos os
atendimentos do período noturno e explica que todos ocorrem conforme Protocolo de
Classificação de Manchester.”

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