A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) anulou a condenação anterior de Alex Almeida de Barros, de 48 anos, apontado como o principal suspeito de assassinar a companheira em Guarapari. Alex já havia sido condenado a 12 anos de reclusão pela morte de sua ex-noiva, ocorrida em 2020, e chegou a cumprir parte da pena. Com a nova decisão judicial, ele será submetido a um novo júri popular.
O Tribunal acolheu os argumentos de que o corpo de jurados do primeiro julgamento decidiu contra as provas evidentes do processo ao desconsiderar as qualificadoras de feminicídio e de meio cruel (asfixia). A investigação aponta uma impressionante semelhança no modus operandi dos crimes cometidos pelo suspeito: ambas as vítimas mantinham um relacionamento amoroso com ele, foram mortas de forma violenta, tiveram seus corpos ocultados ou encontrados dias depois e foram alvo de tentativas de apropriação financeira.

O Crime em Anchieta. A condenação que acabou anulada refere-se ao assassinato de Euzineia Loyola Baptista, ocorrido no dia 17 de agosto de 2020, na comunidade de Goembê, em Anchieta, no Sul do estado. De acordo com os autos, Alex e Euzineia discutiam de forma constante por desavenças familiares.
Na ocasião, a vítima foi asfixiada com um fio e arremessada em uma piscina, que foi coberta pelo suspeito para ocultar o ato. Euzineia morreu por afogamento e seu corpo foi localizado no dia seguinte. Imediatamente após o crime, sabendo que a noiva possuía a quantia de R$ 200 mil, Alex fugiu levando o cartão bancário, as senhas da vítima, além de suas alianças e um anel. O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) recorreu da primeira sentença por considerar a pena branda e inadequada diante da crueldade e do contexto de violência de gênero.
O Caso Recente em Guarapari. O nome de Alex voltou ao topo das investigações policiais após a descoberta do corpo de Rosi Mari Marcelly Ayalla, de 52 anos. O cadáver foi encontrado em avançado estado de decomposição dentro de um apartamento no bairro São Judas Tadeu, em Guarapari, no último dia 27.

Preocupados com o sumiço de Rosi Mari, que não dava notícias há pelo menos 20 dias, familiares e amigos solicitaram o apoio da Polícia Militar para arrombar o imóvel. Alex mantinha uma relação afetiva com ela e logo se tornou o suspeito número um. Durante as buscas, os policiais constataram que ele havia sumido com os pertences pessoais de Rosi Mari, utilizando o celular e o veículo dela. Além disso, descobriu-se que o suspeito tentou reter R$ 300 mil provenientes da venda de um imóvel que pertencia à vítima.
Em fuga para o Estado de Minas Gerais a bordo do automóvel de Rosi Mari, Alex foi interceptado numa ação conjunta entre as polícias Civil e Militar mineiras e a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ao notar que seria abordado, o suspeito ateou fogo contra o próprio corpo. Ele foi socorrido e permanece sob cuidados médicos em uma unidade hospitalar.
A Polícia Civil do Espírito Santo informou que o inquérito sobre a morte de Rosi Mari segue em andamento e aguarda a conclusão dos laudos periciais para determinar a causa exata do óbito. A defesa de Alex Almeida de Barros não foi localizada para comentar as acusações.











